Meio Ambiente (água, ar e solo)

Remediação de Solos – Empresa nacional inova com tecnologias In-Situ

Marcelo Furtado
15 de abril de 2012
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    Para os dois técnicos (geólogos formados na Universidade de São Paulo), os POAs são o futuro da remediação, uma etapa à frente da fase da extração forçada (pump-and-treat, extração multifásica) e que coloca a remediação in-situ como solução única de transformação dos contaminantes. “Na remediação convencional, os técnicos têm como via de regra primeiro retirar com força, a vácuo, os contaminantes principais e depois combinar com o solo para tudo dar certo e testar algum polimento final, com biorremediação ou oxidação”, disse Steiner. “Mas é possível resolver o problema de uma vez, quando for necessário”, disse.

    Na opinião de Steiner, aliás, remediações muito complexas, regionais, precisariam ser mais bem avaliadas para saber se realmente demandam caros e demorados projetos. Na Inglaterra, por exemplo, eles só determinam a remediação quando há risco direto para a população, ou seja, quando há volatilização de contaminantes em locais fechados, moradias ou prédios. “É a medição real do contaminante em área de risco à população que vai determinar; caso contrário, eles apenas monitoram e fecham poços da região”, disse. “O mesmo faz o Exército Americano, responsável por várias áreas de guerra contaminadas. Quando o problema é muito grande, eles monitoram e criam barreiras para evitar o afloramento. Isso sem falar que a própria natureza vai degradar os componentes, por vários processos bióticos e abióticos, ao longo dos anos”, completou.

    Já no Brasil, ao contrário, a base de atuação dos órgãos ambientais é por modelos matemáticos, importados de países europeus, em que as remediações são obrigadas a serem feitas conforme o resultado desses cálculos. “Aqui os órgãos analisam a água e usam o modelo teórico para dizer que, sob certas condições de solo e de profundidade, o contaminante vai migrar no solo e entrar no ambiente e criar uma condição de contaminação”, disse Steiner. “Embora isso pareça estimulador e rigoroso, ao obrigar remediações em quase todos os casos avaliados, na verdade a agência desestimula os projetos, porque as empresas simplesmente não têm dinheiro para pagar essas obras caras e ficam protelando a solução”, complementou Bárbara.

    Química e Derivados, Samar dos Santos Steiner e Marcelo Bárbara, Tratch-Mundi

    Steiner (esq.) e Marcelo: extração de contaminantes é coisa do passado

    “O que é tido como ideal hoje, em termos de viabilidade econômica e preocupação com o meio ambiente, é restringir as obrigatoriedades para onde há risco à saúde humana”, completou.

    Mas quando há a necessidade, na visão de Steiner, não faz sentido manter sistemas parrudos de extração, com alto consumo de energia de bombas, de carvão ativado para tratamento, de pessoal se expondo a riscos de contaminação, de transporte de solos contaminados com produtos perigosos e por aí vai. “É muito mais limpo resolver o problema no local e da forma mais rápida possível”, disse Bárbara. “O Fentox, por exemplo, só gera água e oxigênio como subprodutos e um pouco de ferro, incorporado no solo”, complementou. Quando não há outra alternativa, no seu entendimento, a tecnologia é muito melhor do que extrair, escavar e mexer no contaminante em uma área do solo que não vai oferecer risco a ninguém.

    A Tratch-Mundi, segundo o diretor de desenvolvimento Washington Yamaga, está para fechar grandes contratos para tratar postos e centrais de distribuição de combustível de uma grande empresa da área. “Eles querem resolver logo o problema, não querem ficar anos em processos de extração”, disse. Aí entrará a fase de negociar grandes contratos, não só com o novo cliente, como com algum produtor de peróxido de hidrogênio, para abastecer os POAs empregados no Fentox. Se bem que uma vantagem do sistema patenteado, segundo ele, é utilizar menos oxidante, em comparação com o Fenton.



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    Um Comentário


    1. Queria saber mais detalhes sobre a tecnologia. Tenho interesse para meu mestrado



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