Meio Ambiente (água, ar e solo)

A luta das Universidades contra a Covid-19 – Coluna ABEQ

Quimica e Derivados
12 de julho de 2020
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    Química e Derivados -

    Olá, leitoras e leitores. Compilei algumas das iniciativas das Universidades do Estado de São Paulo no combate à Covid-19, com ênfase nas ações dos cursos de engenharia – e de Engenharia Química. Com a emergência da pandemia de Covid-19, a Universidades e Institutos de Pesquisa do Brasil se mobilizaram para auxiliar em diversas frentes que buscam mitigar os impactos da doença na população. As escolas de engenharia, entre elas as de engenharia química, têm participação crucial nessa mobilização.

    Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Departamento de Genética e Evolução (DGE) engajou um grupo de professores e alunos na produção de testes diagnósticos para detecção de Covid-19. Equipes dos Departamentos de Engenharia Mecânica (DEMec), Engenharia de Produção (DEP), Engenharia de Materiais (DEMa), Engenharia Elétrica (DEE), Computação (DC) e a Agência de Inovação (AIn) produziram máscaras de proteção face shield utilizando manufatura aditiva, doadas à Guarda Civil e às equipes de saúde da cidade de São Carlos-SP. O DEMa também desenvolveu máscaras respiratórias, em conjunto com o Departamento de Engenharia Química (DEQ) que avalizou a eficiência de retenção de bioaerossol pelas máscaras. O Grupo da Engenharia Elétrica, coordenado pelo Prof. Heitor Mercaldi fez a manutenção de ventiladores mecânicos e outros equipamentos biomédicos. O Departamento de Química produziu agentes desinfetantes para combate à Covid-19 (coordenação do Prof. Pedro Fadini) e desenvolveu teste rápido eletroquímico para detecção de Covid-19, realizado a partir da análise da saliva de pacientes, e outros tipos de testes com sensores para a detecção em ambientes contaminados e nas redes de esgoto, baseados em eletroquimiluminescência (coordenação do Prof. Ronaldo Faria).

    Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Profa. Dra. Simone Miraglia, do Departamento de Engenharia Química (DEQ), está desenvolvendo uma pesquisa relacionada aos impactos socioambientais da pandemia da Covid-19 na cidade de São Paulo, analisando a qualidade do ar e os efeitos na saúde. Foi possível observar que, por exemplo, no período entre 16 de março e 27 de abril de 2020, as concentrações de dióxido de nitrogênio (NO2), poluente emitido principalmente por veículos movidos à diesel, foram reduzidos em média 61%, na cidade de São Paulo. O grupo de pesquisa liderado pelo Prof. Igor Bresolin, também do Departamento de Engenharia Química, está desenvolvendo pesquisas envolvendo a purificação de anticorpos monoclonais (mAbs) anti-IgG e anti-IgM para serem usados como componentes de kits diagnósticos para a Covid-19.

    No Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica (USP), o Prof. Antônio Carlos Teixeira tem um projeto em andamento para esterilização de máscaras N95 por processo foto-irradiado para reutilização emergencial, quando faltam máscaras, em uma estação de esterilização por irradiação UV-C de operação contínua.

    Contudo, das inúmeras frentes de trabalho em curso na corrente pandemia, uma existe em praticamente todas as universidades do estado de São Paulo – o desenvolvimento de respiradores mecânicos de uso simples e eficaz. A simplicidade do equipamento se faz necessária uma vez que, na situação de crise emergencial na assistência aos pacientes, comumente ocorre o recrutamento em número crescente de profissionais de saúde atuantes em áreas de especialização diversas ao cuidado intensivo. Os esforços são sempre multidisciplinares.

    Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), grupo coordenado pelo Prof. Sávio Vianna, da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) que trabalha com fluidodinâmica computacional desenvolveu uma modelagem do escoamento de ar nas vias aéreas humanas, considerando as condições de operação dos respiradores. É possível identificar o comportamento do escoamento ao longo da geometria estudada e gerar perfis tanto de pressão quanto de velocidade. Com isso, é possível verificar se há condições de operação de um respirador mecânico que possam gerar regiões de pressão elevadas ao longo do trato respiratório, o que ocasionaria lesões que são chamadas de barotrauma.

    O pós-doutorando Dr. Charles Adriano Duvoisin, juntamente com seu supervisor Prof. Dr. Rogério de Almeida Vieira, além da Profa. Dra. Katia Ribeiro e do Prof. Dr. José Ermírio Ferreira do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/campus Diadema) tem atuado em um grupo multidisciplinar, formado por cientistas, empreendedores e profissionais de diversas áreas, com o objetivo de desenvolver um respirador portátil e autoprodutor de oxigênio, com monitoramento remoto e integrado a um filtro UV-C, com ventiladores eletrônicos e capazes de tomar decisões rápidas, compensativas pela Inteligência Artificial, com monitoramento remoto e telemetria correspondente. Este respirador inteligente poderá ser capaz de ser utilizado de forma prática em residências, aviões, automóveis, ambulâncias, ambulatórios e hospitais. O grupo envolve pesquisadores da USP, Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Unicamp, além da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Prof. Fulvio Scorza).



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