Reciclagem de Plásticos – ABEQ

Quando se pensam nas soluções para o problema do lixo plástico, a reciclagem surge como a solução óbvia e necessária. Não tão óbvia assim. O Japão foi durante muito tempo apontado como o país que lidaria bem com seus resíduos plásticos. As estatísticas oficiais informam que 84% de todo plástico produzido no Japão é reciclado, mas não é o que parece. De todo plástico coletado no Japão para ser “reciclado”, 70% é incinerado (‘reciclagem térmica’), 25% passa pela reciclagem ‘tradicional’ (‘reciclagem mecânica’) e 5% vai para a ‘reciclagem química’. E mesmo quando se consideram apenas os 25% de reciclagem mecânica, o Japão está melhor do que o resto do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de reciclagem de plásticos é cerca de 10% (Figura 2).

Química e Derivados -

A reciclagem térmica é vista com ressalvas pela questão da resultante emissão de CO2 na atmosfera. E a reciclagem mecânica? A reciclagem mecânica – derreter e conformar novas peças – da maneira como existe hoje é uma bagunça, uma luta inglória contra a entropia. Os resíduos plásticos devem ser separados de papel, metal e vidro em meio ao lixo reciclável. Os tipos de plásticos devem ser separados e limpos. Muitas vezes estão compostos com outros materiais, como nas embalagens tipo longa-vida. Alguns tipos de plásticos são mais desejados que outros – garrafas PET, frascos de PEAD (polietileno de alta densidade) brancos ou tampas de PP (polipropileno) são naturalmente mais limpos e fáceis de redirecionar ao mercado de consumo. Mas há limitações – plástico reciclado não pode ter contato direto com alimentos, e depois de no máximo seis ciclos de reciclagem, as propriedades mecânicas estão comprometidas.

Empresas de produtos de consumo como Coca-Cola e Unilever têm se comprometido com metas ambiciosas de reciclagem de até 50% de suas embalagens e há ainda a crescente pressão governamental e da sociedade. As empresas, donas de marcas valiosas, não querem ter suas imagens associadas a problemas ambientais, que é o que provavelmente ocorrerá se se fiarem apenas na reciclagem mecânica. Nesse contexto, a reciclagem química surge como a boia de salvação.

 

Reciclagem química é o uso de transformações químicas para reconverter polímeros em seus monômeros de origem, ou em outras substâncias químicas de valor econômico. Os processos químicos são mais tolerantes à contaminação e produzem polímeros idênticos aos originais, eliminando degradação estrutural que ocorre no polímero durante a reciclagem tradicional. A extração de mais valor dos resíduos plásticos dessa maneira, dizem os defensores, poderia fornecer à indústria os incentivos e dinheiro necessários, talvez criando um ciclo virtuoso. Há algumas rotas sendo exploradas, como por exemplo: pirólise para converter poliestireno em monômeros de estireno; pirólise para transformar mistura de plásticos em diesel e nafta; quebra do PET em ácido tereftálico purificado e etileno glicol utilizando reações enzimáticas. O uso de pirólise para promover a reciclagem química do PET é complicado porque o PET contém oxigênio. A pirólise funciona bem melhor com misturas de polietileno e polipropileno.

Em princípio, a reciclagem química é pior do que a reciclagem mecânica quando se considera a emissão de gases de efeito estufa, já que exige etapas extras e calor envolvido. No entanto, quando se considera que a reciclagem química é mais robusta quanto à contaminação do polímero reciclado, que gera um produto estruturalmente equivalente ao original, e que a taxa de reciclagem atual de polímeros é extremamente baixa, a reciclagem química é uma alternativa muito melhor que a deposição atual.

Há outras vantagens envolvidas. A reciclagem química produz diesel praticamente isento de enxofre e evita a emissão de 1,5 tonelada de CO2 por tonelada de polímero reciclado, em relação à produção de uma tonelada de plástico virgem adicional.

Mas há também limitações, os ganhos econômicos de escala esbarram nos custos da logística reversa – o resíduo plástico teria que viajar longas distâncias até as plantas de reciclagem química.

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Um Comentário

  1. Exemplo de matéria relevante e informativa.Como de hábito Qumica e Derivados nos contempla com ótimas informações.

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