Reatores: Petrobrás ainda é quem dá suporte

A empresa apresentou crescimento médio de 15% entre 2001 e 2002, principalmente em função de repasses de preços. Para 2003, porém, não é previsto grande crescimento. Resinas, agroquímicos e farmoquímicos mantêm o desempenho até o momento, mas prever crescimento desses segmentos seria ostentar otimismo que Peluso indica não possuir. A empresa opera com a possibilidade de produzir cerca de 80 equipamentos no ano. Segundo Peluso, o volume de produção da Pfaudler praticamente cobre a demanda da América do Sul por equipamentos vitrificados.

A empresa, porém, ainda não é fornecedora tradicional da Petrobrás, mas detectou a possibilidade de fornecimento alternativo de equipamentos de porte intermediário, em que grandes empresas normalmente não atuam, e no qual empresas pequenas, sem as garantias exigidas de qualidade, não estão capacitadas a operar. Com isso, a Pfaudler já deu entrada nos trâmites para o seu cadastramento entre os fornecedores da estatal, previsto para o meio do ano.

A empresa também recondiciona reatores vitrificados de primeira linha, atividade que representa cerca de 10% do negócio total, através da Universal Glassteel Equipment (UGE), uma parceria da Robbins com a Universal Process Equipment (UPE).

Química e Derivados: Reatores: Reatores encamisados e com meia cana externa fabricados pela Incase.
Reatores encamisados e com meia cana externa fabricados pela Incase.

Tecnologia e Qualidade – É certo que as principais empresas instaladas no País têm capacidade para produzir equipamentos de qualidade internacional. A Dedini possui certificação ISO 9001, versão 2002, certificada pelo Lloyds, certificação ASME selo U (para vasos de pressão) e selo S (para caldeiras), e certificação do National Board of Inspectors, dos Estados Unidos. A Jaraguá detém as certificações ISO 14.000/2000 e ISO 9.000/2000. A CBC, além dos certificados ISO 9.001/2000 e ASME para selos S e U, possui o certificado para selo U2, também para vasos de pressão. A Pfaudler já possui o ISO 9.001/2000, bem como o certificado ASME selo U, e o certificado selo R do National Board, que permite o recondicionamento de reatores com selo R. E a Incase, embora considerada uma empresa de médio porte nesse segmento, foi a primeira empresa de caldeiraria do País a ser qualificada com os procedimentos de acordo com a norma ISO 9.001 (atualmente estão em processo de atualização para a edição 2000), em 1994.

O reconhecimento por entidades internacionais favorece vôos mais altos dos fabricantes do Brasil. A Jaraguá flerta com a possibilidade de exportar para a Europa, iniciada com a atualização das certificações para versão 2000 e com o reconhecimento por parte clientes, como a Basf, de sua capacitação técnica. A empresa inicia o estudo das dificuldades do mercado europeu e montou escritório na Inglaterra, com perspectivas de fornecimento mundial para a Basf e de negócios com uma empresa francesa de fertilizantes, possivelmente interessada em reatores secantes e resfriadores rotativos da Jaraguá. Outro reflexo da adaptação à globalização do mercado brasileiro é o reforço na qualidade de atendimento pós-venda. A assistência técnica, imprescindível, é oferecida por todas as principais empresas.

Os fabricantes nacionais, entretanto, sofrem com o “custo Brasil”, e com a concorrência de produtores asiáticos. Ferreira, da Dedini, diz que produtores chineses estão cotando no mercado, mas empresas, em geral de origem americana, expressamente proíbem, em seus pedidos, a aceitação de flanges, fundidos, forjados e produtos siderúrgicos em geral chineses. Guimarães, da Jaraguá, percebe empresas da Coréia competindo no País, por meio de parcerias no segmento de petroquímica (reatores de pequeno e médio porte). A própria Jaraguá perdeu vendas para a Petrobrás em 2002, competindo com fornecedores coreanos. Costa, da CBC, aponta os coreanos como a principal ameaça, já que seus produtos têm boa qualidade. Mas também cita empresas de caldeiraria pesada (chapas com espessura ao redor de 200 mm) italianas e indianas.

Alguns equipamentos asiáticos, ao contrário, deixaram muito a desejar no atendimento técnico e na longevidade dos produtos, segundo afirma Ercolin, da Incase. Os chineses também atuam na venda de reatores vitrificados, embora Peluso, da Pfaudler, revele não ter tido muitas notícias dos asiáticos no último ano. Como a disponibilidade de aço inoxidável na China é restrita, o País prefere vitrificar seus reatores, motivo pelo qual há mais de setenta produtores desse tipo e equipamento no país asiático. Com muita escala, os competidores da China oferecem excelentes preços, mas sem a contrapartida de qualidade. Já a importação de equipamentos não ocorre em grande escala, mas apenas em casos muito específicos de processos, tipicamente nos segmentos farmacêutico e cosmético. De modo geral, a indústria nacional atende efetivamente às demandas do mercado.

Importação é entrave – O calcanhar de Aquiles da indústria nacional tem dois pilares: o custo para a produção de um equipamento em solo nacional, afetado pela carga tributária elevada, principalmente, e o custo dos materiais de fabricação, que em casos de matérias especiais são enormes. Até 50% do custo de um reator pode ser derivado do custo do material. Para piorar, alguns tipos de chapas não são fabricados no País, pois os grandes fabricantes nacionais voltaram-se para exportação, e a comercialização desse tipo de material deixou de ser comercialmente interessante. Clads, por exemplo, são sempre importados.

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