Reatores: Petrobrás ainda é quem dá suporte

A Incase é especializada no fornecimento do equipamento de reação. “Não oferecemos acessórios ou periféricos que podem ser adquiridos diretamente pelo cliente, por que adicionam custos de uma operação triangular”, esclarece Geraldo Ercolin, gerente de marketing da empresa. Durante a década de 90, por quatro anos a empresa manteve relacionamento tecnológico e comercial com uma empresa alemã fabricante de agitadores e selos mecânicos. A parceria, entretanto, não se revelou vantajosa, pois o custo do agitador encarecia demasiadamente o preço final do reator. Além de concentrar-se na manufatura do equipamento, a Incase acabou se especializando, nos últimos dez anos, na produção de reatores encamisados e com meia cana externa.

Química e Derivados: Reatores: Ercolin - periféricos não são mais parte dos negócios.
Ercolin – periféricos não são mais parte dos negócios.

Mesmo sendo um competidor de médio porte, a empresa é mais uma das que deposita na Petrobrás esperanças de bons negócios. Segundo Ercolin, a petroleira é o carro-chefe por trás do desempenho dos clientes da Incase, além de ser, ela própria, uma das clientes da empresa.

A Incase manteve um desempenho estável em 2002, a despeito de um segundo semestre muito ruim, nas palavras de Ercolin. “O desempenho do segmento de bens de capital é muito suscetível à política industrial”, diz o gerente, adicionando que a compra de um equipamento desse tipo precisa ser lastreada por condições econômicas claras, ou seja, qualquer crise que afete perspectivas otimistas, certamente afetará o setor. Para piorar, Ercolin diz que o primeiro quadrimestre de 2003 revelou-se também muito ruim, não o suficiente, entretanto, para eliminar as possibilidades de melhora no segundo semestre.

Reforma – A Incase atua também na reforma de reatores, que pode envolver a substituição e o reparo de serpentinas e eventualmente também dos cascos. A sobrevida de um equipamento reformado, porém, depende das condições iniciais gerais do reator e do processo em que ele é ou será utilizado. As reformas representam, em média, de 5% a 6% do negócio da Incase. Mas a reforma de equipamentos não é exclusividade da empresa.

Química e Derivados: Reatores: Aço 316 L ainda é um dos mais populares, atesta Peluso.
Aço 316 L ainda é um dos mais populares, atesta Peluso.

A Pfaudler, de Taubaté-SP, também reforma equipamentos, mas é mais conhecida pelos reatores vitrificados. Integrante do grupo americano Robbins & Myers, a empresa fabrica reatores em aço-carbono, aço inoxidável e outras ligas (20% a 30% da demanda) com volumes máximos em torno de 70 mil a 80 mil litros, massa de até 40 toneladas e sistema de agitação de alta eficiência, normalmente usados nas indústrias de resinas e polímeros.

“Nesse tipo de reator, é importante conhecer bem os cálculos de agitação e troca térmica”, diz Marcus Vinícius Peluso, diretor comercial da empresa. A Pfaudler atende principalmente a empresas multinacionais, dos segmentos químico, petroquímico e farmacêutico. A empresa também está capacitada para utilizar insumos nobres na produção dos equipamentos, como ligas reativas (ligas reativas de zircônio, tântalo e titânio) e superligas (hastelloy, inconel), mas Peluso revela que são materiais de custo relativamente elevado, o que limita sua aplicação a processos químicos específicos, de modo que o aço 316 L ainda é o material mais comumente utilizado pela Pfaudler (exceto em vitrificados). O que está se fazendo de diferente nessa área, segundo Peluso, é o polimento mecânico ou o eletro-polimento dos reatores, conferindo-se maior uniformidade ao acabamento superficial. Principalmente na produção de resinas, essa é uma característica desejável, pois melhora desempenho do equipamento em quesitos como a impregnação de produtos e a contaminação de cargas.

Química e Derivados: Reatores: Interior de reator vitrificado agitado da Pfaudler.
Interior de reator vitrificado agitado da Pfaudler.

Em casos em que o ataque químico representa um empecilho relevante, a empresa fabrica reatores em metal vitrificado, sua principal especialidade. A capacidade produtiva da Pfaudler permite a construção de equipamentos desse tipo com volume de até 10.000 galões. A agitação, um problema tradicional em reatores vitrificados dotados de sistemas com requisitos específicos, já que o vidro não adere bem a perfis com raios acentuados, foi atacado pela empresa com uma solução original. A Pfaudler possui um sistema de travamento de pás denominado Cryo-lock, que, combinado ao desenvolvimento de substratos estabilizados, permite a construção de agitadores com geometrias antes muito difíceis de serem obtidas.

A construção do sistema de agitação só é viável em pás separadas do eixo. As partes que estarão em contato são o retificadas com tolerância específica, e um instalador injeta nitrogênio líquido no eixo vitrificado. Pelo efeito térmico, o eixo contrai, permitindo a instalação das pás. De volta à temperatura ambiente, o conjunto automaticamente trava, mantendo o contato apenas entre partes revestidas de vidro. O sistema favorece utilização mais racional da energia, possibilita a mudança e a substituição das pás, e foi desenvolvido nos Estados Unidos, por volta de 1996. Na América do Sul, a tecnologia está disponível desde meados do ano 1999, sendo já utilizado no Brasil, na Argentina e no Chile.

Entretanto, há inconvenientes: o uso do sistema implica aumentos de custos que variam em função do volume do reator, mas que podem chegar a casa dos 20%.
Por outro lado, Peluso afirma que a agitação mais eficiente possibilita a diminuição do tempo de residência do equipamento. “Em um caso crítico, conseguimos redução de até 50% no tempo de residência”, diz.

Automação e controle – O diretor confirma que a área de fornecimento de sistemas integrados, automação e instrumentação ainda reserva o maior espaço para novos desenvolvimentos, particularmente nas atividades de tomada de temperatura, atuação de válvulas e içamento de conjuntos de selos mecânicos. Favorecida por pertencer a um grupo dono de várias empresas na área de processos, em que, segundo Peluso, há grande troca de informações, a Pfaudler do Brasil pode fornecer uma unidade de reação completa, utilizando equipamentos e tecnologias disponíveis na matriz norte-americana.

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