Reatores: Petrobrás ainda é quem dá suporte

Empresas do setor de fertilizantes, como Copebrás e Ultrafértil, são consumidoras desse tipo de equipamento. A Copebrás adquiriu, segundo Oswaldo Luiz Guimarães, gerente de engenharia da Jaraguá, equipamento para a produção de 15.000 toneladas/ano de fosfato bicálcico, utilizado na produção de ração animal. Segundo ele, os reatores rotativos também são caracterizados pela alta longevidade (superior a vinte anos), complexidade e elevada massa. “É um reator apropriado para trabalhar com sólidos”, explica Guimarães.

“Na produção de MAP (mono fosfato amônico, um intermediário da produção de fertilizantes) usa-se amônia gasosa, ácido fosfórico líquido e vapor d’água”, completa. As especialidades da Jaraguá são os reatores para ração animal (rotativos e intensivos) e fertilizantes (horizontais, reatores de zona fluidizada e convencionais). O principal cliente individual da Jaraguá, entretanto, principalmente em vasos de pressão, é também a Petrobrás.

A empresa fabrica reatores em diversos tamanhos. Em Sorocaba produz equipamentos de até 100 toneladas; em Itaguaí-SP, sob parceria com a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), equipamentos de até 500 toneladas podem ser produzidos (podendo chegar a 900 toneladas em situações especiais), e em Osasco-SP e Itapevi-SP a Jaraguá produz equipamentos de médio porte (faixa de 50 toneladas).

Os reatores podem ser manufaturados com diversos materiais: aço carbono, aço inoxidável (304, 316, 390, 420 e duplex, que confere resistência adicional à abrasão e corrosão), ligas especiais (hastelloy, monel, inconel, titânio e uranus), clads (principalmente em vasos de alta pressão, feitos de inox ou ligas), e materiais revestidos com borracha natural, borracha nitrílica, politetrafluoretileno (PTFE), ou policloreto de vinila (PVC). Apesar da inexistência de grandes novidades, “a Petrobrás é a grande fomentadora do uso de novos materiais, principalmente em atividades ligadas à exploração em águas profundas”, diz Guimarães.

O gerente revela que a Jaraguá é capaz de construir equipamentos com diversos sistemas de agitação. “O que ocorre hoje é a possibilidade de geometrias mais complexas”. Sistemas de supervisão e automação do processo – CLPs, IHMs (interface homem máquina touch screen) e CCMs (centro de controle de motores) – também podem ser fornecidos, quando o contrato é em regime turn key. Os fabricantes, porém, são os tradicionais. Segundo Guimarães, a Jaraguá reserva um departamento próprio para gerenciar o assunto (equipe de automação e controle), dividido em potência e controle. Embora os equipamentos sejam todos importados, é a empresa quem aciona os fornecedores em caso de problemas.

No ano passado, os principais clientes da companhia, em volume de negócios, foram a Petrobrás e o setor de fertilizantes, mas o setor é dinâmico, e em 2003 tal pode não se repetir. Guimarães reserva expectativas em 2003 para o setor de mineração – estão iniciando negócio na área – e para o nível de atividade da Petrobrás. A empresa atingiu R$ 115 milhões em vendas em 2002 (crescimento de 57% em relação a 2001) e espera faturar R$ 180 milhões neste ano.

Química e Derivados: Reatores: Ano ruim contraria tendência recente segundo Costa, da ABC.
Ano ruim contraria tendência recente segundo Costa, da ABC.

A CBC, fabricante de equipamentos pesados de processo no parque industrial em Jundiaí-SP, é um dos maiores produtores de reatores do País. Em 1963, teve seu controle transferido para o grupo Mitsubishi, do Japão, que atualmente detém 100% de seu capital.

A empresa opera praticamente apenas em reatores de sistema contínuo, dos tipos leito fluidizado, conversores catalíticos e reatores multitubulares, em que são particularmente competitivos. A CBC produz reatores de materiais usuais (aço-carbono, aço inoxidável, ligas e aços inoxidáveis, super dúplex e clads). O principal mercado é o petroquímico, na produção de anidridos maléico e ftálico, formol, e em processos de hidrodessulfurização e hidrotratamento. Neste caso, o tratamento é com hidrogênio, injetado em correntes instáveis de refino de petróleo para a extração de enxofre. A CBC não fornece os sistemas de agitação e controle.

Eli da Costa, gerente de vendas da área máquinas e equipamentos, revela que os dois últimos anos foram muito bons para a empresa, particularmente devido ao aquecimento das atividades da Petrobrás e das petroquímicas em geral. A CBC é fornecedora da petroleira por via direta (perante o Certificado de Registro e Classificação Cadastral – CRCC) e como empresa subcontratada, e sua área de equipamentos registrou crescimento médio de 25% em 2001 e 2002. Mas Costa avalia 2003, por enquanto, como um ano muito ruim. “Tenho a impressão de que o ano ainda não começou”, lamenta Costa.

Na média – Além das grandes empresas fornecedoras de equipamentos de grande porte, o mercado brasileiro abriga empresas menores, destinadas a atender um segmento que necessita de reatores igualmente menores. A Incase, situada em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, fabrica bens de capital sob encomenda, entre eles reatores químicos. Manufaturando equipamentos produzidos em chapas metálicas (aço inoxidável, aço carbono, alumínio e ligas especiais) com espessuras de até uma polegada e meia e com diâmetros externos de até 7.000 mm, a empresa foca sua atuação nos segmentos petroquímico, químico, farmacêutico, de papel e celulose e energético, em menor escala.

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