Reatores: Petrobrás ainda é quem dá suporte

Prontas para atender às demandas do País, fábricas de reatores estão de olho no desempenho do seu maior cliente

Química e Derivados: Reatores: Reator de 90 t da nova fábrica da Polibrasil.
Reator de 90 t da nova fábrica da Polibrasil.

A inserção do Brasil no mercado internacional de capitais, bens e serviços, incompleta ainda, há tempo explicita fatos extensivamente discutidos pela comunidade empresarial brasileira: a presença de competidores internacionais em solo nacional criou demanda por parceiros capazes de suprir com eficácia e qualidade produtos intermediários de diversos processos produtivos, germinando saltos no nível de qualidade das principais empresas nacionais, em alguns casos, e excluindo do mercado fabricantes tradicionais, incapacitados de adaptarem-se ao novo padrão estabelecido, em outros. Errado é, porém, crer que o impulso de modernização vem irremediavelmente do exterior. Em algumas, porém importantes exceções, empresas brasileiras com grande conhecimento acumulado em tecnologias particulares, e destaque global, tornaram-se a principal força a mover segmentos da indústria, como nos setores de prospecção e exploração de petróleo e de açúcar e álcool, um dos destaques do agronegócio nacional.

Um dos negócios cujos números podem ser brindados ou arruinados pelas compras da estatal brasileira do petróleo é a produção de reatores químicos, não somente porque a Petrobrás compre os produtos desses fabricantes, mas também por ser elemento central no jogo da petroquímica, também um consumidor de equipamentos para reações químicas.

Dedini Indústrias de Base, CBC Indústrias Pesadas e Jaraguá Equipamentos Industriais são algumas das maiores empresas do setor. Todas atuam em caldeiraria na indústria de base pesada, fornecendo também outros tipos de equipamentos metálicos pesados, como torres de processo. Há também os fabricantes de equipamentos de menor tamanho, como a Incase (Indústria Mecânica de Equipamentos), e aqueles especializados em nichos de fabricação. No País, a Pfaudler Reactor Systems é sinônimo de produtor de reatores vitrificados.

Química e Derivados: Reatores: Ferreira - projeto Rio Polímeros aqueceu os negócios em 2002.
Ferreira – projeto Rio Polímeros aqueceu os negócios em 2002.

A Dedini, originária do segmento de açúcar e álcool, produz reatores em Piracicaba e Sertãozinho, no interior de São Paulo. Capacitada a fabricar desde equipamentos de pequeno porte, até unidades de 100 toneladas, basicamente para resinas, a empresa atende a clientes do ramo petroquímico (o principal), farmacêutico e químico. Tradicionalmente, pois os materiais empregados na fabricação de reatores químicos há mais de dez anos são em grande parte os mesmos, a Dedini produz máquinas em aço-carbono, aço com requisitos especiais e aço inoxidável, ou quando necessário, utiliza ligas especiais (monel e outras) ou chapas do tipo clad, constituídas por uma chapa de aço carbono integrada a uma camada fina, que confere resistência química ou resistência à abrasão.

Os reatores produzidos pela empresa podem ou não estar equipados com sistemas de agitação. Várias configurações diferentes são possíveis: a agitação pode ser por fluxo de fluídos, ou no caso de agitação mecânica, podem ser construídos sistemas de pás retas ou curvas, pás helicoidais, ou em vários níveis de agitação, por exemplo. “No que se refere à execução, estamos qualificados à produção de quase todo tipo de reator”, afirma o gerente comercial das áreas de cimento e mineração, siderurgia e metalurgia, e petróleo e gás, Angelo de Souza Ferreira. A fabricação de reatores de pequeno porte, entretanto, não é regra na Dedini.

Ao contrário dos materiais usados na manufatura de reatores, o controle e a automação dos equipamentos experimentaram sensíveis avanços. Mas como essa atividade não é relacionada à atividade principal das caldeirarias, o fornecimento dos controles multiprocessadores e dos controladores programáveis lógicos (PLCs, na sigla em inglês), normalmente fica a cargo de empresas tradicionais nesse segmento, como Yokogawa, Honeywell e Alen Bradler. Segundo Ferreira, quando a Dedini, por contrato, é a responsável pelo processo industrial, em geral o sistema de controle do reator é especificado, sendo também fornecido o equipamento apenas eventualmente.

Química e Derivados: Reatores: Só a Jaraguá constrói reatores rotativos, explica Guimarães.
Só a Jaraguá constrói reatores rotativos, explica Guimarães.

Expectativas elevadas – 2002 foi um bom ano para a empresa, com negócios concentrados em petroquímica. A Dedini fechou quatro contratos de fornecimento com a Rio Polímeros, tornando-se o maior fornecedor individual do projeto, com mais de 70 itens. O primeiro dos contratos englobava a fabricação de reatores, sem o fornecimento do sistema de agitação. Já em 2003, de acordo com o gerente comercial, as vendas até o momento concordam com o previsto.

Mas há boa expectativa devido ao grande número de cotações efetuadas para diversos projetos de ampliação e construção de novas unidades da Petrobrás. A Dedini é subcontratada de empresas de engenharia parceiras da estatal, sob o modelo EPC (Engineering Procurement Construction).

Outro importante fabricante de bens de capital para a indústria de base é a Jaraguá, de Sorocaba-SP, adquirida pelo grupo Garcia há cerca de três anos, e apta a produzir reatores para fase líquida e gasosa (reatores de contenção em batelada, abertos ou fechados), vasos de agitação vertical, reatores contínuos horizontais e reatores intensivos, em batch ou contínuos.

Um desenvolvimento exclusivo da empresa são os reatores rotativos, cuja tecnologia de produção já tem cerca de dez anos. São equipamentos específicos para reações críticas em termos de estequiometria do processo, caracterizados por grandes volumes, como a produção de 350.000 toneladas/ano de produto.

Empresas do setor de fertilizantes, como Copebrás e Ultrafértil, são consumidoras desse tipo de equipamento. A Copebrás adquiriu, segundo Oswaldo Luiz Guimarães, gerente de engenharia da Jaraguá, equipamento para a produção de 15.000 toneladas/ano de fosfato bicálcico, utilizado na produção de ração animal. Segundo ele, os reatores rotativos também são caracterizados pela alta longevidade (superior a vinte anos), complexidade e elevada massa. “É um reator apropriado para trabalhar com sólidos”, explica Guimarães.

“Na produção de MAP (mono fosfato amônico, um intermediário da produção de fertilizantes) usa-se amônia gasosa, ácido fosfórico líquido e vapor d’água”, completa. As especialidades da Jaraguá são os reatores para ração animal (rotativos e intensivos) e fertilizantes (horizontais, reatores de zona fluidizada e convencionais). O principal cliente individual da Jaraguá, entretanto, principalmente em vasos de pressão, é também a Petrobrás.

A empresa fabrica reatores em diversos tamanhos. Em Sorocaba produz equipamentos de até 100 toneladas; em Itaguaí-SP, sob parceria com a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), equipamentos de até 500 toneladas podem ser produzidos (podendo chegar a 900 toneladas em situações especiais), e em Osasco-SP e Itapevi-SP a Jaraguá produz equipamentos de médio porte (faixa de 50 toneladas).

Os reatores podem ser manufaturados com diversos materiais: aço carbono, aço inoxidável (304, 316, 390, 420 e duplex, que confere resistência adicional à abrasão e corrosão), ligas especiais (hastelloy, monel, inconel, titânio e uranus), clads (principalmente em vasos de alta pressão, feitos de inox ou ligas), e materiais revestidos com borracha natural, borracha nitrílica, politetrafluoretileno (PTFE), ou policloreto de vinila (PVC). Apesar da inexistência de grandes novidades, “a Petrobrás é a grande fomentadora do uso de novos materiais, principalmente em atividades ligadas à exploração em águas profundas”, diz Guimarães.

O gerente revela que a Jaraguá é capaz de construir equipamentos com diversos sistemas de agitação. “O que ocorre hoje é a possibilidade de geometrias mais complexas”. Sistemas de supervisão e automação do processo – CLPs, IHMs (interface homem máquina touch screen) e CCMs (centro de controle de motores) – também podem ser fornecidos, quando o contrato é em regime turn key. Os fabricantes, porém, são os tradicionais. Segundo Guimarães, a Jaraguá reserva um departamento próprio para gerenciar o assunto (equipe de automação e controle), dividido em potência e controle. Embora os equipamentos sejam todos importados, é a empresa quem aciona os fornecedores em caso de problemas.

No ano passado, os principais clientes da companhia, em volume de negócios, foram a Petrobrás e o setor de fertilizantes, mas o setor é dinâmico, e em 2003 tal pode não se repetir. Guimarães reserva expectativas em 2003 para o setor de mineração – estão iniciando negócio na área – e para o nível de atividade da Petrobrás. A empresa atingiu R$ 115 milhões em vendas em 2002 (crescimento de 57% em relação a 2001) e espera faturar R$ 180 milhões neste ano.

Química e Derivados: Reatores: Ano ruim contraria tendência recente segundo Costa, da ABC.
Ano ruim contraria tendência recente segundo Costa, da ABC.

A CBC, fabricante de equipamentos pesados de processo no parque industrial em Jundiaí-SP, é um dos maiores produtores de reatores do País. Em 1963, teve seu controle transferido para o grupo Mitsubishi, do Japão, que atualmente detém 100% de seu capital.

A empresa opera praticamente apenas em reatores de sistema contínuo, dos tipos leito fluidizado, conversores catalíticos e reatores multitubulares, em que são particularmente competitivos. A CBC produz reatores de materiais usuais (aço-carbono, aço inoxidável, ligas e aços inoxidáveis, super dúplex e clads). O principal mercado é o petroquímico, na produção de anidridos maléico e ftálico, formol, e em processos de hidrodessulfurização e hidrotratamento. Neste caso, o tratamento é com hidrogênio, injetado em correntes instáveis de refino de petróleo para a extração de enxofre. A CBC não fornece os sistemas de agitação e controle.

Eli da Costa, gerente de vendas da área máquinas e equipamentos, revela que os dois últimos anos foram muito bons para a empresa, particularmente devido ao aquecimento das atividades da Petrobrás e das petroquímicas em geral. A CBC é fornecedora da petroleira por via direta (perante o Certificado de Registro e Classificação Cadastral – CRCC) e como empresa subcontratada, e sua área de equipamentos registrou crescimento médio de 25% em 2001 e 2002. Mas Costa avalia 2003, por enquanto, como um ano muito ruim. “Tenho a impressão de que o ano ainda não começou”, lamenta Costa.

Na média – Além das grandes empresas fornecedoras de equipamentos de grande porte, o mercado brasileiro abriga empresas menores, destinadas a atender um segmento que necessita de reatores igualmente menores. A Incase, situada em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, fabrica bens de capital sob encomenda, entre eles reatores químicos. Manufaturando equipamentos produzidos em chapas metálicas (aço inoxidável, aço carbono, alumínio e ligas especiais) com espessuras de até uma polegada e meia e com diâmetros externos de até 7.000 mm, a empresa foca sua atuação nos segmentos petroquímico, químico, farmacêutico, de papel e celulose e energético, em menor escala.

A Incase é especializada no fornecimento do equipamento de reação. “Não oferecemos acessórios ou periféricos que podem ser adquiridos diretamente pelo cliente, por que adicionam custos de uma operação triangular”, esclarece Geraldo Ercolin, gerente de marketing da empresa. Durante a década de 90, por quatro anos a empresa manteve relacionamento tecnológico e comercial com uma empresa alemã fabricante de agitadores e selos mecânicos. A parceria, entretanto, não se revelou vantajosa, pois o custo do agitador encarecia demasiadamente o preço final do reator. Além de concentrar-se na manufatura do equipamento, a Incase acabou se especializando, nos últimos dez anos, na produção de reatores encamisados e com meia cana externa.

Química e Derivados: Reatores: Ercolin - periféricos não são mais parte dos negócios.
Ercolin – periféricos não são mais parte dos negócios.

Mesmo sendo um competidor de médio porte, a empresa é mais uma das que deposita na Petrobrás esperanças de bons negócios. Segundo Ercolin, a petroleira é o carro-chefe por trás do desempenho dos clientes da Incase, além de ser, ela própria, uma das clientes da empresa.

A Incase manteve um desempenho estável em 2002, a despeito de um segundo semestre muito ruim, nas palavras de Ercolin. “O desempenho do segmento de bens de capital é muito suscetível à política industrial”, diz o gerente, adicionando que a compra de um equipamento desse tipo precisa ser lastreada por condições econômicas claras, ou seja, qualquer crise que afete perspectivas otimistas, certamente afetará o setor. Para piorar, Ercolin diz que o primeiro quadrimestre de 2003 revelou-se também muito ruim, não o suficiente, entretanto, para eliminar as possibilidades de melhora no segundo semestre.

Reforma – A Incase atua também na reforma de reatores, que pode envolver a substituição e o reparo de serpentinas e eventualmente também dos cascos. A sobrevida de um equipamento reformado, porém, depende das condições iniciais gerais do reator e do processo em que ele é ou será utilizado. As reformas representam, em média, de 5% a 6% do negócio da Incase. Mas a reforma de equipamentos não é exclusividade da empresa.

Química e Derivados: Reatores: Aço 316 L ainda é um dos mais populares, atesta Peluso.
Aço 316 L ainda é um dos mais populares, atesta Peluso.

A Pfaudler, de Taubaté-SP, também reforma equipamentos, mas é mais conhecida pelos reatores vitrificados. Integrante do grupo americano Robbins & Myers, a empresa fabrica reatores em aço-carbono, aço inoxidável e outras ligas (20% a 30% da demanda) com volumes máximos em torno de 70 mil a 80 mil litros, massa de até 40 toneladas e sistema de agitação de alta eficiência, normalmente usados nas indústrias de resinas e polímeros.

“Nesse tipo de reator, é importante conhecer bem os cálculos de agitação e troca térmica”, diz Marcus Vinícius Peluso, diretor comercial da empresa. A Pfaudler atende principalmente a empresas multinacionais, dos segmentos químico, petroquímico e farmacêutico. A empresa também está capacitada para utilizar insumos nobres na produção dos equipamentos, como ligas reativas (ligas reativas de zircônio, tântalo e titânio) e superligas (hastelloy, inconel), mas Peluso revela que são materiais de custo relativamente elevado, o que limita sua aplicação a processos químicos específicos, de modo que o aço 316 L ainda é o material mais comumente utilizado pela Pfaudler (exceto em vitrificados). O que está se fazendo de diferente nessa área, segundo Peluso, é o polimento mecânico ou o eletro-polimento dos reatores, conferindo-se maior uniformidade ao acabamento superficial. Principalmente na produção de resinas, essa é uma característica desejável, pois melhora desempenho do equipamento em quesitos como a impregnação de produtos e a contaminação de cargas.

Química e Derivados: Reatores: Interior de reator vitrificado agitado da Pfaudler.
Interior de reator vitrificado agitado da Pfaudler.

Em casos em que o ataque químico representa um empecilho relevante, a empresa fabrica reatores em metal vitrificado, sua principal especialidade. A capacidade produtiva da Pfaudler permite a construção de equipamentos desse tipo com volume de até 10.000 galões. A agitação, um problema tradicional em reatores vitrificados dotados de sistemas com requisitos específicos, já que o vidro não adere bem a perfis com raios acentuados, foi atacado pela empresa com uma solução original. A Pfaudler possui um sistema de travamento de pás denominado Cryo-lock, que, combinado ao desenvolvimento de substratos estabilizados, permite a construção de agitadores com geometrias antes muito difíceis de serem obtidas.

A construção do sistema de agitação só é viável em pás separadas do eixo. As partes que estarão em contato são o retificadas com tolerância específica, e um instalador injeta nitrogênio líquido no eixo vitrificado. Pelo efeito térmico, o eixo contrai, permitindo a instalação das pás. De volta à temperatura ambiente, o conjunto automaticamente trava, mantendo o contato apenas entre partes revestidas de vidro. O sistema favorece utilização mais racional da energia, possibilita a mudança e a substituição das pás, e foi desenvolvido nos Estados Unidos, por volta de 1996. Na América do Sul, a tecnologia está disponível desde meados do ano 1999, sendo já utilizado no Brasil, na Argentina e no Chile.

Entretanto, há inconvenientes: o uso do sistema implica aumentos de custos que variam em função do volume do reator, mas que podem chegar a casa dos 20%.
Por outro lado, Peluso afirma que a agitação mais eficiente possibilita a diminuição do tempo de residência do equipamento. “Em um caso crítico, conseguimos redução de até 50% no tempo de residência”, diz.

Automação e controle – O diretor confirma que a área de fornecimento de sistemas integrados, automação e instrumentação ainda reserva o maior espaço para novos desenvolvimentos, particularmente nas atividades de tomada de temperatura, atuação de válvulas e içamento de conjuntos de selos mecânicos. Favorecida por pertencer a um grupo dono de várias empresas na área de processos, em que, segundo Peluso, há grande troca de informações, a Pfaudler do Brasil pode fornecer uma unidade de reação completa, utilizando equipamentos e tecnologias disponíveis na matriz norte-americana.

A empresa apresentou crescimento médio de 15% entre 2001 e 2002, principalmente em função de repasses de preços. Para 2003, porém, não é previsto grande crescimento. Resinas, agroquímicos e farmoquímicos mantêm o desempenho até o momento, mas prever crescimento desses segmentos seria ostentar otimismo que Peluso indica não possuir. A empresa opera com a possibilidade de produzir cerca de 80 equipamentos no ano. Segundo Peluso, o volume de produção da Pfaudler praticamente cobre a demanda da América do Sul por equipamentos vitrificados.

A empresa, porém, ainda não é fornecedora tradicional da Petrobrás, mas detectou a possibilidade de fornecimento alternativo de equipamentos de porte intermediário, em que grandes empresas normalmente não atuam, e no qual empresas pequenas, sem as garantias exigidas de qualidade, não estão capacitadas a operar. Com isso, a Pfaudler já deu entrada nos trâmites para o seu cadastramento entre os fornecedores da estatal, previsto para o meio do ano.

A empresa também recondiciona reatores vitrificados de primeira linha, atividade que representa cerca de 10% do negócio total, através da Universal Glassteel Equipment (UGE), uma parceria da Robbins com a Universal Process Equipment (UPE).

Química e Derivados: Reatores: Reatores encamisados e com meia cana externa fabricados pela Incase.
Reatores encamisados e com meia cana externa fabricados pela Incase.

Tecnologia e Qualidade – É certo que as principais empresas instaladas no País têm capacidade para produzir equipamentos de qualidade internacional. A Dedini possui certificação ISO 9001, versão 2002, certificada pelo Lloyds, certificação ASME selo U (para vasos de pressão) e selo S (para caldeiras), e certificação do National Board of Inspectors, dos Estados Unidos. A Jaraguá detém as certificações ISO 14.000/2000 e ISO 9.000/2000. A CBC, além dos certificados ISO 9.001/2000 e ASME para selos S e U, possui o certificado para selo U2, também para vasos de pressão. A Pfaudler já possui o ISO 9.001/2000, bem como o certificado ASME selo U, e o certificado selo R do National Board, que permite o recondicionamento de reatores com selo R. E a Incase, embora considerada uma empresa de médio porte nesse segmento, foi a primeira empresa de caldeiraria do País a ser qualificada com os procedimentos de acordo com a norma ISO 9.001 (atualmente estão em processo de atualização para a edição 2000), em 1994.

O reconhecimento por entidades internacionais favorece vôos mais altos dos fabricantes do Brasil. A Jaraguá flerta com a possibilidade de exportar para a Europa, iniciada com a atualização das certificações para versão 2000 e com o reconhecimento por parte clientes, como a Basf, de sua capacitação técnica. A empresa inicia o estudo das dificuldades do mercado europeu e montou escritório na Inglaterra, com perspectivas de fornecimento mundial para a Basf e de negócios com uma empresa francesa de fertilizantes, possivelmente interessada em reatores secantes e resfriadores rotativos da Jaraguá. Outro reflexo da adaptação à globalização do mercado brasileiro é o reforço na qualidade de atendimento pós-venda. A assistência técnica, imprescindível, é oferecida por todas as principais empresas.

Os fabricantes nacionais, entretanto, sofrem com o “custo Brasil”, e com a concorrência de produtores asiáticos. Ferreira, da Dedini, diz que produtores chineses estão cotando no mercado, mas empresas, em geral de origem americana, expressamente proíbem, em seus pedidos, a aceitação de flanges, fundidos, forjados e produtos siderúrgicos em geral chineses. Guimarães, da Jaraguá, percebe empresas da Coréia competindo no País, por meio de parcerias no segmento de petroquímica (reatores de pequeno e médio porte). A própria Jaraguá perdeu vendas para a Petrobrás em 2002, competindo com fornecedores coreanos. Costa, da CBC, aponta os coreanos como a principal ameaça, já que seus produtos têm boa qualidade. Mas também cita empresas de caldeiraria pesada (chapas com espessura ao redor de 200 mm) italianas e indianas.

Alguns equipamentos asiáticos, ao contrário, deixaram muito a desejar no atendimento técnico e na longevidade dos produtos, segundo afirma Ercolin, da Incase. Os chineses também atuam na venda de reatores vitrificados, embora Peluso, da Pfaudler, revele não ter tido muitas notícias dos asiáticos no último ano. Como a disponibilidade de aço inoxidável na China é restrita, o País prefere vitrificar seus reatores, motivo pelo qual há mais de setenta produtores desse tipo e equipamento no país asiático. Com muita escala, os competidores da China oferecem excelentes preços, mas sem a contrapartida de qualidade. Já a importação de equipamentos não ocorre em grande escala, mas apenas em casos muito específicos de processos, tipicamente nos segmentos farmacêutico e cosmético. De modo geral, a indústria nacional atende efetivamente às demandas do mercado.

Importação é entrave – O calcanhar de Aquiles da indústria nacional tem dois pilares: o custo para a produção de um equipamento em solo nacional, afetado pela carga tributária elevada, principalmente, e o custo dos materiais de fabricação, que em casos de matérias especiais são enormes. Até 50% do custo de um reator pode ser derivado do custo do material. Para piorar, alguns tipos de chapas não são fabricados no País, pois os grandes fabricantes nacionais voltaram-se para exportação, e a comercialização desse tipo de material deixou de ser comercialmente interessante. Clads, por exemplo, são sempre importados.

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