Reatores: perfil da oferta depende da estratégia comercial

Perfil da oferta depende da estratégia comercial dos fornecedores

Cada fornecedor de reatores químicos determina o portfólio de acordo com sua expertise e domínio tecnológico, conhecimento do mercado e estratégia de negócio. Mas individualmente, esses fatores têm peso diferenciado sobre o perfil das companhias e de suas respectivas operações, as quais se dispõem a produzir e disponibilizar equipamentos complexos destinados a provocar reações químicas que resultem em insumos básicos para outros segmentos industriais. A lista inclui produtores de fármacos, bioquímicos, petroquímicos, defensivos agrícolas e até de alimentos, entre outros.

Por exemplo, em sua maioria, os clientes da De Dietrich são empresas que produzem insumos farmacêuticos ativos, agroquímicos, produtos destinados ao tratamento de água, intermediários visando o beneficiamento de tecidos e couro, aditivos para concreto, resinas e outros, informa Carvalho.

Sua oferta se constitui de unidades de reação com reatores vitrificados e conjuntos de destilação/separação feitos de vidro borossilicato. O portfólio da companhia inclui ainda sistemas de concentração/recuperação de ácidos minerais e sistemas de filtração e secagem. E cada uma dessas linhas contribui com o volume total de vendas, de forma mais ou menos equitativa, acrescenta Peluso.

Cerca de 90% do volume de negócios da Pfaudler resulta da venda sob encomenda e customizada de reatores e vasos de pressão vitrificados, voltados para o segmento químico, petroquímico, farmacêutico, alimentício, mineração e tratamento de efluentes. Mas a empresa tem estoque para atender demandas emergenciais com um prazo de entrega reduzido, ressalta o executivo.

Os equipamentos são revestidos com vidro fundido que adere internamente ao aço carbono que compõe a estrutura dos reatores, o que proporciona alta resistência à corrosão de diversos produtos, principalmente em meios ácidos, segundo a empresa. O aço inoxidável também é usado como matéria-prima além de outras ligas especiais, como a Hastelloy à base de níquel.

O carro-chefe do faturamento da Incase – 70% dos pedidos de compra – é representado por vasos de pressão e trocadores de calor. A estratégia de venda é centrada principalmente nos segmentos industriais de óleo e gás, alimentos, farmacêuticos e agronegócios, relata Vietri.

Por sua vez, os reatores de processo da NG Metalúrgica são voltados para a indústria química, petroquímica, papel celulose, alimentos, mineração, segundo Vitti. São equipamento fabricados para realizar reações químicas controladas, em termos de temperatura e pressão, visando criar novos produtos. Na prática, os reatores de processo transformam matérias-primas em itens diversificados de consumo, desde medicamentos até combustíveis e materiais plásticos.

Dentre os produtos ofertados em maior volume pela Jemp, destacam-se os reatores de aço inoxidável, os quais respondem por cerca de 40% do montante das vendas. “São equipamentos extremamente populares devido à sua alta qualidade, durabilidade e eficiência nos processos industriais”, afirma Cavalcanti. A empresa também oferece reatores de laboratório e piloto até grandes reatores industriais com capacidades de 500 a 50 mil litros, e fabrica e comercializa misturadores de líquidos e misturadores de pó denominados ribbon blenders.

Reatores: Perfil da oferta depende da estratégia comercial dos fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Reator químico fornecido pela Incase

“Trata-se de um equipamento utilizado para a mistura de ingredientes em pó ou granulados. Ele consiste em um recipiente cilíndrico com uma hélice em forma de fita ou lâminas helicoidais fixadas em um eixo central. A função do ribbon blender é proporcionar uma mistura homogênea e uniforme dos materiais, garantindo a consistência e a qualidade do produto final. É amplamente utilizado em diferentes setores industriais, como alimentício, farmacêutico, químico e cosmético”, detalha Cavalcanti.

Esses itens fazem parte da linha de produção contínua da companhia, com estoque para pronta entrega, garantindo agilidade no atendimento aos clientes. Adicionalmente, a companhia oferece tanques e secadores, compondo um portfólio soluções completas, de acordo com as necessidades específicas de cada cliente.

Reatores: Perfil da oferta depende da estratégia comercial dos fornecedores ©QD Foto: Divulgação
Reator vitrificado da De Dietrich serve à química fina

“Atendemos demandas para suprir diversos processos químicos por meio da venda direta de reatores recondicionados e seminovos destinados à cristalização com sistema de agitação helicoidal específico, para fermentadores com sistema de serpentinas internas e agitação, bem como hidrogenadores com foco na atuação sob alta pressão e vácuo. Disponibilizamos principalmente os reatores de maior demanda usados em processos de destilação, instalados como planta de destilação contendo coluna, condensador e vaso de coleta/vácuo”, relatou Cavalcanti, lembrando que sua estratégia comercial contempla também a fabricação personalizada de equipamentos novos.

Produção de reatores: avanços nos materiais permitem operar em condições severas

A produção de reatores químicos tem apresentado uma evolução tecnológica significativa, captada em pelo menos em dois movimentos. De um lado o uso de materiais nobres, como aços inoxidáveis especiais e ligas de alta performance, aumentam a resistência à corrosão e a durabilidade dos reatores. De outro, o desenvolvimento e a produção desses equipamentos são facilitados pela automação. Com isso, sistemas de controle avançado proporcionam o monitoramento operacional dos reatores, em tempo real, além de proporcionar sua integração com os sistemas digitais dos clientes.

Tipos de aço inoxidável como duplex e superduplex são destaques entre as matérias-primas usadas na construção de novos reatores de alto desempenho. “São materiais com melhores propriedades mecânicas e resistência química, que proporcionam processos de fabricação mais confiáveis. Esses aços também garantem uma vida útil maior dos equipamentos”, avalia Vitti, da NG Metalúrgica.

Por meio desses materiais, a operação do reator adquire maior suporte em termos de resistência a ambientes agressivos, complementa Vietri, da Incase. Ele acrescenta que “na construção do equipamento, a automação da usinagem representa um grande diferencial”.

Os diversos componentes dos reatores vêm se beneficiando, igualmente, da evolução tecnológica. A Pfaudler, por exemplo, produz agitadores tipo cryo-lock, com um sistema de montagem criogênico, aponta Carvalho. A inovação permite a troca dos agitadores dos reatores sem que seja necessário desmontar todo o conjunto, mas tão somente as suas lâminas.

Graças a esta evolução, reduziu-se o tempo de parada dos equipamentos para manutenção. Da mesma forma, ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos tipos de turbinas específicos para cada aplicação, podendo garantir a otimização da agitação e troca térmica dentro do reator, acrescenta o executivo, ao citar outros desdobramentos do processo de modernização.

É o caso da composição dos revestimentos vitrificados, cuja linha do vidro padrão 9115 azul escuro passou a contar com vidros específicos para meios abrasivos (ARG) ou meios alcalinos (pharma glass). Destaca-se também o desenvolvimento de selos a seco Pfaudler interseal dry-9000, que não precisa de nenhum fluido de barreira, sendo 100% livre de contaminações. “Ele substitui os selos mecânicos convencionais de face rotativa, sendo muito bem aceitos principalmente por não contaminar o produto interno do reator com nenhum fluido barreira, o que normalmente ocorre com selos convencionais”, afirma Carvalho.

A área de pesquisa e desenvolvimento do grupo De Dietrich foi acionada para obter melhores resultados dos produtos fabricados no que se refere à durabilidade, resistência à corrosão, eficiência térmica e de agitação, revela Peluso. Especialistas em processos estão estudando também o aprimoramento de novas aplicações, com o uso de tecnologias próprias. O foco da pesquisa são os sistemas de recuperação e concentração de ácidos, desnitração, química verde, separação líquido-sólido, neutralização de resíduos de asbestos, entre outras.

Ao se referir à agregação de valor aos negócios dos clientes, Peluso afirma que “a principal vantagem é a possibilidade de fornecimento de sistemas integrados, compostos não somente pelos reatores, mas também incluindo equipamentos para condensação, separação, filtragem, secagem, transporte de pós, instrumentação e outros. Para algumas aplicações, a De Dietrich pode incluir a garantia de resultado de processo”.

O executivo acrescenta que, quando o fornecimento se restringe apenas ao equipamento, as vantagens são a confiabilidade e garantia de suporte técnico para operação. “Essas características são de grande importância para os clientes, considerando que os processos químicos usualmente ocorrem sob condições críticas em termos de temperatura, pressão, corrosão, contaminação etc”, justifica.

Em parte, essas novas práticas de relacionamento comercial foram impulsionadas pelas demandas mais recentes do mercado na busca por competitividade e soluções inovadoras, observa Cavalcanti, do grupo Jemp. Ele pondera, inclusive, que com a digitalização da economia, espera-se que o setor de reatores químicos tenha condições de agregar novos fundamentos às operações dos clientes por meio de ferramentas de automação, como conectividade e análise de dados estratégicos, visando contribuir para uma gestão tecnológica mais assertiva.

“Os reatores inteligentes, equipados com sensores e sistemas de monitoramento avançados, permitirão um controle mais preciso dos processos químicos, otimizando a eficiência, reduzindo custos operacionais e aumentando a segurança. Além disso, a integração com plataformas digitais poderá facilitar o acompanhamento remoto, manutenção preditiva e troca de informações entre os equipamentos e os sistemas de gestão das empresas”, avalia Cavalcanti.

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