Química

Químicos – Sinal da química verde se abrirá em 2011, o Ano Internacional da Química

Hilton Libos
15 de junho de 2010
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    Três sinais de risco – Em um levantamento sobre as ameaças à manutenção da vida, os especialistas coligaram três níveis que já dão sinal vermelho, exigindo acepções que ultrapassam soluções técnicas, como ponderou o professor Arnaldo Alves Cardoso, do Instituto de Química da Unesp de Araraquara, na conferência Química Ambiental: Entre o Futuro Desejável e o Possível. Para ele, esses três níveis estão relacionados com as mudanças climáticas globais, em acidentes ambientais e na perda irreversível da biodiversidade. Um quarto gargalo desse problema, segundo o professor, seria a disseminação dos fertilizantes: “Uma solução criativa que permitiu ao ser humano vencer a fome, mas aumentou a presença do nitrogênio em solos, águas e na atmosfera”, criticou Cardoso. O excesso desse elemento provoca o crescimento incontrolável de algas em rios e lagos, expelindo toxinas que colocam em risco os pescados e a água potável.

    Cardoso avaliou que as respostas técnicas para a correção desse quadro são incipientes diante do estilo de vida considerado ideal pelas populações dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Segundo ele, existe uma contradição quando se considera que “todos desejam ter automóveis potentes, consumir bens descartáveis, manter um padrão de vida de alto consumo de energia e, ao mesmo tempo, assegurar esse padrão para as próximas gerações”.

    Alimento, água potável e energia são insumos básicos que estão com a produção perto do esgotamento nas próximas décadas. O impasse nas alternativas técnico-científicas para a preservação da vida se dá nos aspectos políticos e nos de pura e simples consciência das sociedades em relação às suas escolhas e decisões.

    Literatura infantil como ferramenta de conscientização

    No salão Royal do Hotel Monte Real Resort, no espaço entre o balcão de credenciamento da 33ª Reunião da SBQ e o movimento nos estandes das 29 empresas que demonstravam seus lançamentos em instrumentação e processos laboratoriais, enquanto autografava o seu livro “Mister Uni e o Incrível Mundo Microscópico”, a jovem doutora em química Grace Kelli Pereira somava sua iniciativa independente às propostas de ações de comunicação inspiradas no tema “A Química construindo um futuro melhor”, que pretende elevar a consciência das novas gerações em relação à disciplina.

    “É um livro lúdico para as crianças colorirem, com texto e figuras que remetem aos conceitos de partículas atômicas na formação dos elementos da tabela periódica. Enfim, um enredo ilustrando os fundamentos da Química”, explicou Grace Kelli, que publicou o livro em coautoria com a irmã e ilustradora Nila Mara Pereira. As duas pretendem avançar na temática com outros projetos para demonstrar a presença da Química no cotidiano: na escola, na cozinha, nas roupas, nos alimentos.

    A SBQ já dispõe de um site voltado com esse objetivo de formação e informação dedicado às crianças (http://quid.sbq.org.br). Responsável pelas tarefas de criar e suster meios alternativos de abrangência nacional dentro dessa proposta de informação, a professora Cláudia Rezenda, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que a ideia é utilizar a cultura e a linguagem regionais para passar as mensagens. “No Recife, por exemplo, já estamos preparando a apresentação de bonecos de mamulengo para transmitir os conceitos da química verde”, explicou Cláudia. “Iremos aplicar esse recurso em relação a todas as camadas da população dentro de suas distintas formas de expressão, principalmente pelos meios eletrônicos.”



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