Química

Químicos – Sinal da química verde se abrirá em 2011, o Ano Internacional da Química

Hilton Libos
15 de junho de 2010
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    A Química é central e transversal, porque também permeia vários outros processos biotecnológicos, físicos, matemáticos, nanotecnológicos. “Temos que mostrar que a Química é central não apenas para o desenvolvimento e a vida humana, mas em relação às outras disciplinas.” As ações de conscientização da sociedade deverão ser acompanhadas de outras que dizem respeito ao trabalho do químico, propriamente. Segundo explicou, as ações envolverão todos os públicos que atuam diretamente na química: na escola secundária, na universidade (coordenadores dos cursos de graduação e pós-graduação) e nos conselhos regionais, que já estão recebendo material para começar a trabalhar.

    Zucco avaliou que a consciência profissional e cidadã dos químicos que atuam nos diversos segmentos de produção ainda “não é tão afiada e avançada como a dos empresários, até porque a percepção das exigências de sustentabilidade que começaram a balizar a aceitação dos produtos pelo mercado são motivo de constante preocupação de sobrevivência dos negócios”, avaliou.

    Para Zucco, a mão de obra para a indústria precisa ser melhor preparada para atuar dentro dos parâmetros de sustentabilidade. Mesmo com boa formação acadêmica, falta aos químicos uma complementação sobre as noções de cuidados com o meio ambiente, com a periculosidade, com a inovação, com as leis e normas. “A preocupação da formação e informação do cidadão é global, em todos os estratos sociais, mas, na outra ponta, também temos que nos preocupar com a excelência da formação dos recursos humanos”, recomendou.

    A ideia é formar bons profissionais químicos, que além de toda uma formação clássica, inclua alguns elementos mais heterogêneos em sustentabilidade. Isso não apenas no segmento químico, mas em todo o processo econômico, deve ser multidisciplinar, incluindo os aspectos como gestões legais da sustentabilidade – base que deveria ser oferecida pela universidade.

    A química verde, segundo o professor Zucco, é nada mais nada menos do que uma postura de consciência que reflete o aprimoramento da formação do químico para atender às exigências de mercado de trabalho. A empresa química tem vida própria e sabe o que quer. Quando não dispõe dos recursos humanos necessários, aceita os que estão disponíveis e dá um jeito de prepará-los dentro de uma visão adequada a ela, às vezes até mais avançada do que a adotada pela academia, por conta dos diversos valores que a empresa agrega às suas áreas de pesquisa, desenvolvimento e produção.

    Os aspectos do intercâmbio e a transferência de conhecimento entre a universidade e as empresas químicas indicam outra chave para gerar um relacionamento mais produtivo, inovador e arrojado. “Com diferentes facetas, esse é um assunto recorrente e ainda será necessário desfazer os gargalos nessa relação universidade-empresa”, admitiu.

    Ambiente sob pesquisas – Os cursos, palestras, workshops e apresentação de trabalhos de desenvolvimento na polivalente atividade química em praticamente todas as suas derivações, tecnológicas, ambientais, farmacológicas, e os resultados das pesquisas de novas fontes de energia na 33ª Reunião Anual da SBQ acabaram desvelando os novos panoramas da pesquisa universitária nacional para dois fatos estimulantes: o aumento significativo de produtividade e a maior aproximação no relacionamento entre a universidade e a indústria.

    A programação da sessão coordenada no segmento Química Tecnológica possibilitou a apresentação de projetos e ideias inovadoras de empreendedores, ligados à universidade ou não. “Esta é a segunda vez que a sessão acontece na grade da Reunião Anual, tendo como objetivo a pesquisa aplicada e a perspectiva de manter um canal de exposição para a sociedade”, informou Carlos Martins, assessor de imprensa da ABQ.

    Nessa última edição do encontro científico da ABQ, foram apresentados trabalhos de profissionais de universidades que mantêm um intercâmbio de transferência de conhecimentos com a indústria, a exemplo dos painéis Bioetanol: Perspectivas de Produção a partir da Biomassa, apresentado pelo professor Renato Wendhausen Junior (Furb), e A Química do Futuro no Presente – Aliando o Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis à Realidade Industrial, proferida por Paulo Roberto Garbelotto, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Rhodia.

    No simpósio A Visão da Química no Brasil em 2025, o engenheiro da Petrobras Eduardo Falabella Souza Aguiar historiou sua pesquisa e desenvolvimento do Dimetil-Éter: o Combustível do Século 21, enquanto o diretor técnico da Associação Brasileira de Química (Abiquim), Marcelo Kós Silveira, informou sobre as implicações e o andamento das reuniões para o pacto nacional da indústria química.

    A professora do Instituto de Química da Unicamp Cláudia Longo, embora ainda esteja realizando os estudos para aumento de escala em sua pesquisa, falou sobre a criação de um sistema abastecido por energia solar capaz de remover poluentes orgânicos. Em uma etapa posterior, o tratamento de água à base de eletrodos de dióxido de titânio e contra-eletrodo de cobre, conectados a células solares que a professora Cláudia estádesenvolvendo, possibilita a recuperação de metais de soluções aquosas.



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