Têxtil

Química Têxtil: Regras ambientais forçam a banir substâncias agressivas

Quimica e Derivados
18 de setembro de 2019
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    O processo de alvejamento com peróxido de hidrogênio é utilizado tanto para algodão e suas mesclas como para outras fibras naturais e sintéticas. Lorenzo Marin Rodriguez, diretor de Mercado Externo e P&D da Peróxidos do Brasil, explica: “Cada tipo de fibra tem suas características e propriedades específicas que devem ser respeitadas no processamento têxtil. É preciso cuidado com temperatura, pressão e pH das soluções de processo, entre outros. O peróxido de hidrogênio não é utilizado apenas no alvejamento, mas também na desengomagem oxidativa, que visa retirar as gomas utilizadas na formação dos tecidos, e também no tratamento de efluentes”.

    Segundo ele, o peróxido de hidrogênio é encontrado comercialmente em soluções aquosas de concentrações entre 35% e 70%, mas para o mercado têxtil são utilizadas soluções entre 35% e 50%. O processo de alvejamento pode ser por esgotamento ou contínuo. “A finalidade do alvejamento é obter fibras mais claras que demandarão menor aplicação de corantes no tingimento em cores claras ou, simplesmente, para dar o tom branco ao material. Não há nenhum efeito adverso do peróxido de hidrogênio nas etapas de tingimento e estamparia se o processo for bem realizado e o tecido bem preparado”, enfatiza Rodriguez.

    A vantagem de se usar peróxido de hidrogênio em relação a outros auxiliares, como hipoclorito de sódio, é que o alvejamento é mais seguro para a integridade das fibras, pois não causa degradação das mesmas, se comparado a outros produtos que requerem temperaturas mais elevadas de processo. De acordo com Rodriguez, o peróxido de hidrogênio tem a propriedade de se decompor em água e oxigênio, o que o torna um produto ecológico e sustentável. “Ele não gera subprodutos tóxicos como alguns derivados de cloro”, acrescenta.

    Na área de especialidades químicas para a indústria têxtil, um dos produtos comercializados pela Solvay no Brasil é o Proban, um retardante a chamas aplicado principalmente na produção de tecidos para uniformes de profissionais que atuam em indústrias como petróleo, siderurgia e outros serviços.

    No setor têxtil, a Solvay, que no Brasil também atua com o nome Rhodia, foi pioneira em desenvolver o primeiro fio de poliamida biodegradável do mundo, o Amni Soul Eco. O produto foi criado com uma tecnologia capaz de acelerar a degradação de uma roupa feita com este fio, quando descartado em aterro sanitário controlado, levando três anos para desaparecer, enquanto um fio sintético tradicional demora de sete a oito décadas para se degradar no ambiente.

    Química amigável – A indústria têxtil utiliza grandes volumes de água e produtos químicos em seus processos de pré-tratamento, beneficiamento e acabamento e, consequentemente, produz um alto volume de efluentes. Segundo o laboratório Professional Testing & Consulting, com representações no Reino Unido, Canadá e Hong Kong, que presta serviços de teste, consultoria, análise e inspeção para grandes marcas, entre os elementos mais encontrados em produtos acabados ou efluentes têxteis estão os alquilfenóis etoxilados (APEO), com destaque para o conhecido nonilfenol etoxilado. “Os APEO são surfactantes não-iônicos com ação emulsificante e dispersante, que os torna adequados para uma grande variedade de aplicações. Na fase de processamento, cerca de 50% dos APEO são utilizados como emulsionantes para polímeros de emulsão à base de estireno-butadieno, acrilato de estireno, acrilato puro ou sistemas de PVC. Os etoxilatos de alquilfenol e especialmente os etoxilatos de nonilfenol são considerados tóxicos para a vida marinha. Na Europa, esses emulsionantes/surfactantes não são mais permitidos”, diz a nota técnica. Por esta razão, muitos fabricantes e formuladores químicos têm investido na produção de auxiliares APEO free.



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