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Química Têxtil: Regras ambientais forçam a banir substâncias agressivas

Quimica e Derivados
18 de setembro de 2019
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    Química e Derivados - Química Têxtil: Regras ambientais globais forçam a banir substâncias agressivas e mudar processos

    Regras ambientais globais forçam a banir substâncias agressivas e mudar processos

    Há 10 anos foi lançado o Guia Técnico Ambiental da Indústria Têxtil – Série P+L (Produção Mais Limpa), elaborado pela Câmara Ambiental da Indústria Têxtil, a partir de um plano piloto coordenado pela Cetesb com experiências bem-sucedidas de empresas têxteis em São Paulo. Desde 2009, quando esse projeto foi apresentado, diversas iniciativas vêm sendo promovidas pelas entidades do setor, ao mesmo tempo em que cresce no mundo a pressão por uma produção industrial sustentável, que reduza o impacto ambiental e danos à saúde humana.

    Uma das principais ações do setor foi a criação, em 2015, do Grupo de Estudo de Produtos Danosos, coordenado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit) e da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que se reuniram para criar a primeira norma brasileira sobre produtos químicos tóxicos em artigos têxteis. Constam da lista polifluorcarbonos com oito carbonos (PFOS e PFOAS); aminas aromáticas/corantes azo; alquilfenóis e nonilfenol; corantes dispersos alergênicos; metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio, cromo e níquel); ftalatos, formaldeído, pesticidas, compostos organoestanosos e fenóis (pentaclorofenol e tetraclorofenol). Embora a Lista de Substâncias Restritas, contendo estes dez grupos prioritários, tenha sido criada pela ABNT para balizar o setor, ao contrário das regulamentações, a norma é de caráter voluntário e não visa banir, mas estipular limites para o uso das substâncias nocivas na produção têxtil.

    Pressão externa – A exigência para que a indústria abandone o uso de produtos químicos não-conformes com regras ambientais em artigos têxteis e de vestuário vem das grandes cadeias varejistas, marcas e entidades que, por sua vez, se dizem pressionadas pelos consumidores a adotar condutas éticas e socioambientais. O programa internacional “Zero de Descarga de Produtos Químicos Perigosos”, conhecido pela sigla em inglês ZDHC, que reúne marcas como Adidas, Gap, Nike, H&M, entre outras, preconiza que tais substâncias devem ser banidas dos processos industriais até 2020. A lista do ZDHC menciona orto-ftalatos; retardantes a chama bromados e clorados; corantes azóicos; compostos organoestanosos; clorobenzenos; solventes clorados; clorofenóis; parafinas cloradas de cadeia-curta (SCCP); metais pesados; alquilfenóis etoxilados e polifluorcarbonos.

    Na Europa, o sistema Reach (Regulamento de Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas), que entrou em vigor em 2007, obriga a registrar todas as substâncias e seus potenciais impactos tanto sobre a saúde humana como sobre o ecossistema. O regulamento obriga as empresas (fabricantes e distribuidores) a registrar todas as substâncias químicas comercializadas dentro da União Europeia, demonstrando como elas podem ser usadas com segurança, bem como comunicar medidas de gerenciamento de risco aos usuários (mercado). No Brasil, a ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), que reúne as grandes varejistas que atuam no mercado brasileiro, também vem seguindo esta linha, incentivado a cadeia de suprimentos a obter certificações de não-utilização de têxteis contendo produtos tóxicos.

    Acordo Mercosul-União Europeia – Diante do anúncio, em julho de 2019, da assinatura do acordo comercial Mercosul-União Europeia, a questão já está sendo debatida pela indústria brasileira de têxteis e vestuário. Embora deva levar no mínimo dois anos para entrar em vigor, o acordo, ainda que comemorado pelos governos como um “marco histórico”, terá caminhos tortuosos a percorrer.

    Luiz Wagner de Paula, coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança Química, da Comissão de Estudo de Acabamento para Têxteis, pertencente ao Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário (ABNT/CB-017), explica que a lista de substâncias restritas foi criada de acordo com o que acontece mundialmente. “Foram elaboradas normas ABNT NBR, que estão sendo disponibilizadas na medida em que são publicadas. Estas normas são voluntárias, portanto, ainda não obrigatórias, mas um novo grupo de substâncias já foi selecionado e neste momento estão em análise no grupo para a elaboração do texto das normas. Após essa etapa, passarão por consulta nacional para depois serem publicadas como Normas ABNT NBR.”

    Luiz Wagner diz que, com o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia, as leis de proteção ambiental serão observadas tanto lá quanto aqui. “As empresas têxteis brasileiras estão aptas a exportar para a Comunidade Europeia, desde que os artigos têxteis e de confecção passem por análises em laboratórios credenciados no Brasil e no exterior. O Comitê de Segurança Química vem trabalhando na análise de substâncias em âmbito mundial, como é feito no mercado europeu, norte-americano, asiático, entre outros”, assegura, enfatizando que não existe uma proibição ao uso dos produtos químicos citados na lista, mas sim, “informação dos níveis aceitáveis e de tolerância destas substâncias, como acontece em outras partes de globo”.



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