Química

Química: Projeção de crescimento da China atrai investimento da Basf

Marcelo Fairbanks
26 de fevereiro de 2004
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    O presidente da junta diretiva da Basf, o químico e doutor em química orgânica Jürgen Hambrecht visitou a filial brasileira no final de janeiro para reforçar a aplicação da nova estratégia global. Apesar de identificar na América Latina um grande potencial de ne­gócios, o executivo ressaltou ser a China o pólo de atração de investimentos da companhia, que lá aplicará US$ 6 bilhões até 2006. Para o Brasil serão destinados US$ 350 milhões até 2007, voltados para projetos de atualização de unidades.

    Hambrecht ingressou na Basf em 1976, tendo assumido diferentes responsabilidades, entre as quais a presidência da divisão asiática em 1995, quando transferiu-se para Hong Kong. Assumiu a presidência mundial em maio de 2003. Durante o primeiro ano à frente da companhia, ele programou-se para visitar todas as filiais espalhadas pelo mundo.

    Química e Derivados: Química: Hambrecht - preços dos produtos químicos segue em queda.

    Hambrecht – preços dos produtos químicos segue em queda.

    O profundo conhecimento do mercado asiático embasa o entusiasmo com o qual justifica a prioridade de investimentos na região. “A China ainda não é muito industrializada, está mais voltada para montagens, mas apresenta recursos de mão-de-obra praticamente inesgotáveis, com boa qualificação e de baixo custo, além de uma distribuição de renda igualitária, embora baixa”, afirmou.

    A Basf desenvolveu sua estratégia mundial com base em um cenário provável para 2015. Na conjuntura atual, apenas 17% da população mundial, ou seja 1,1 bilhão de pessoas, tem poder aquisitivo suficiente para consumir produtos químicos, sendo que 90% desse contingente se encontra na América do Norte (236 milhões), Japão (110 milhões) e Europa (70 milhões). A China abriga 76 milhões de consumidores de produtos químicos. Hambrecht explica que os próximos onze anos serão bem diferentes do período final do século XX. “Entre 1985 e 2000, o consumo de produtos químicos cresceu 4% ao ano, bem acima dos 2,8% de evolução anual do PIB mundial”, afirmou. “De 2000 a 2015, esperamos que o PIB se desenvolva em 4,1% ao ano, enquanto o mercado de químicos evolua apenas 2,7% por ano.”

    A mudança de comportamento é basicamente atribuída à queda de preços dos produtos, dado o acirramento da concorrência mundial. “A ocupação de capacidades produtivas no setor químico está entre 77% e 80%, muito baixa, indicando a necessidade de fechar unidades”, comentou. Permanecerão ativas e deverão ser erguidas novas fábricas onde forem mais eficientes e houver mercado para absorver essas linhas.

    Em 2015, segundo o estudo da Basf, o mercado consumidor químico deverá abranger 2,02 bilhões de pessoas, ou 29% da população do mundo. Esse crescimento será obtido nas regiões hoje identificadas como promissoras, já que os líderes atuais de demanda devem apenas manter seu consumo. A projeção indica que a China terá o maior número de consumidores de produtos químicos do mundo, com 701 milhões de pessoas com poder de compra para absorver artigos contendo químicos. Os EUA abrigarão 284 milhões, o Japão, 112 milhões, e a Europa, 76 milhões de clientes.

    Segundo Hambrecht, cada vez mais disputado, o mercado será conquistado por quem conseguir oferecer melhores serviços aos seus clientes, além de apresentar preços competitivos, ob­tidos à custa de constantes esforços de otimização de processos. “Apenas cortar custos não basta, é preciso alocar recursos nos setores mais promis­sores”, afirmou. Como exemplo, ele citou que o Brasil deverá reforçar sua participação na área de agroquímicos, por causa do grande potencial agro­pecuário da região, possivelmente transformando-se em grande pólo exportador para outras filiais. A companhia já exige rentabilidade mínima de 10% ao ano sobre o portfólio de investimentos de cada atividade.

    Já há exemplos de iniciativas de sucesso, a começar pelos R$ 600 milhões economizados pela filial brasileira em 2002 e 2003, a partir da reestruturação de negócios. No maior sítio produtivo e sede da companhia em Ludwigshafen, a economia chega a 450 milhões de Euros. Já nos EUA, serão poupados US$ 260 milhões até 2006. “Precisamos ganhar 3% ao ano de produtividade para nos mantermos na liderança mundial”, disse.

    A estratégia de atuação da Basf até 2015 pode ser resumida em três aspectos a começar pela concentração de investimentos nos segmentos de negócio mais rentáveis. Além disso, a companhia deverá orientar suas inovações e modelos de negócios de modo a aproximá-los cada vez mais das necessidades de seus clientes, inclusive atraindo-os para as etapas iniciais de pesquisa e desenvolvimento. O terceiro aspecto recomenda aproveitar as oportunidades de mercado nascidas a partir de mu­danças tecnológicas surgidas nos campos da nanotecnologia, ciência dos materiais, gerenciamento de energia e biotecnologia.

    Em 2002, a Basf realizou vendas globais de 32 bilhões de Euros, dos quais 1,7 bilhão foi obtido na América do Sul, incluindo os 960,4 milhões de Euros negociados no Brasil. As vendas na Ásia já são o dobro das sul-americanas, diferença que deve ser muito ampliada para 2005.

    Hambrecht também anunciou que a partir de março, a companhia vai adotar nova logomarca. Precedendo as usuais quatro letras maiúsculas, serão colocados dois quadrados cujo desenho é complementar, simbolizando as idéias de parceria e colaboração, bases para assegurar sucesso mútuo. Abaixo da marca aparece a frase “The Chemical Company”, atestando “o orgulho que temos em ser a empresa química líder.”



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