Química: “Life Sciences” garantem lucratividade da Bayer

O grupo Bayer obteve em 2008 o melhor resultado de sua história em âmbito mundial. Com vendas de 32,9 bilhões de euros, o grupo conseguiu rentabilidade de 21,1%, com Ebitda de 6,9 bilhões de euros, 2,3% acima do registrado em 2007.

O bom desempenho deve ser atribuído à estratégia adotada há alguns anos de direcionar as atividades de life sciences (saúde, agronegócios, nutrição humana e animal), em detrimento dos antigos interesses na química de base.

Os piores resultados, aliás, afetados pela crise mundial iniciada em setembro, foram enviados pela divisão Material Science.

“As áreas de Health Care e CropScience são menos suscetíveis aos ciclos econômicos e respondem por 70% das vendas do grupo no mundo”, comentou Horstfried Laepple, presidente da Bayer S.A. e porta-voz do grupo Bayer no Brasil.

Para 2009, a expectativa é de aumentar as vendas da área de saúde entre 3% e 5%; enquanto a de produtos para agricultura deve crescer menos, entre 2% e 3%.

Em ambos os casos, as margens e resultados devem ser ampliados acima de 25%. Isso será conseguido principalmente pelos frutos das atividades de pesquisa e desenvolvimento, cujo orçamento anual foi ampliado para 2,9 bilhões de euros neste ano.

Já a divisão de materiais, incluindo o poliuretano e o policarbonato, deve ter um 2009 muito difícil, na previsão da companhia, com queda esperada de 5% no Ebitda.

A divisão geográfica das vendas da Bayer mostra a prevalência da Europa, com 44% do bolo, seguida pela América do Norte (25%) e Ásia/Pacífico (16%).

A América Latina, somada com a África e o Oriente Médio, representa apenas 15% do faturamento total.

O Brasil registra as maiores vendas da Bayer na América Latina, representando 36% da região e 4% do faturamento mundial do grupo.

Junto com Rússia, Índia e China (o bloco Bric), forma um mercado estratégico, no qual as vendas da companhia alemã cresceram 16% em 2008, totalizando 4,2 bilhões de euros, ou 13% do total.

No Brasil, as vendas do grupo alemão alcançaram R$ 3,7 bilhões, 21% acima do registrado em 2007.

Em 2008, o lucro líquido foi de R$ 152,1 milhões, revertendo o prejuízo anterior, resultado igualmente atribuído à concentração nas ciências da vida.

As divisões CropScience e Health Care dominaram 80% do faturamento local. “Até a divisão Material Science no Brasil, apesar da queda no último trimestre, obteve recorde de vendas em 2008”, disse Laepple.

A Bayer brasileira também obteve bons resultados com exportações, que foram ampliadas em 51% no ano passado. “Isso mostra a forte integração de nossas fábricas na rede internacional da Bayer”, explicou.

A fábrica de Cancioneiro, em São Paulo, tornou-se um polo exportador de medicamentos para mais de trinta países da América Latina e Ásia.

Essa unidade produz 200 milhões de comprimidos e é a segunda maior fábrica da divisão em todo o mundo na linha de medicamentos hormonais sólidos, sendo superada apenas por uma unidade na Alemanha.

Durante 2008, o grupo investiu no Brasil R$ 106,3 milhões, 59% acima do investido em 2007. O valor foi aplicado nas expansões das fábricas de São Paulo, Belford Roxo-RJ e Porto Alegre-RS, além de custear a reforma e modernização da sede do grupo no país.

A divisão das vendas privilegia a CropScience, detentora de 49% do total, com 34% representado pela Health Care e 17% com Material Science.

A divisão de materiais compreende negócios com poliuretanos e policarbonatos, com posição de liderança nos mercados de atuação.

“Além das aplicações em espuma, temos unidades de negócios de revestimentos, adesivos e especialidades com inovações”, comentou o presidente da divisão para a América Latina, Ulrich Ostertag.

Tintas à base de isocianatos conferem alta resistência para estruturas metálicas usadas em plataformas de petróleo, aumentando sua durabilidade.

A fábrica de Belford Roxo produz o intermediário MDI, além de ser a única produtora de resina alifática PU da América Latina, com a marca Desmodur.

Essa resina compõe vernizes resistentes aos raios ultravioleta, usados em automóveis, por exemplo.

O faturamento mundial da divisão em 2008 foi de 9,7 bilhões de euros, com queda de 5% em relação a 2007. “Isso é reflexo da crise global, que derrubou as vendas em volume por volta de 30%, provocando a paralisação temporária de algumas fábricas”, comentou.

No Brasil, o faturamento cresceu 1%, com mais de 66% dele obtido com poliuretanos. Ostertag salientou o crescimento da demanda no Brasil dos PU termoplásticos, usados como absorvedores de impacto em calçados esportivos mais modernos.

Para 2009, a empresa promete novidades, a começar pela chegada da linha BayQsan, de dispersões poliuretânicas especialmente desenvolvidas para uso em diversas formas de cosméticos. “Trata-se de uma grande novidade em âmbito mundial”, comentou.

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