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Química Fina: Setor estuda caminhos para produzir mais

Hamilton Almeida
23 de janeiro de 2019
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    Há outras questões regulatórias importantes. Bezerra salienta que a proteção por patentes é uma delas. “O fornecedor de IFAs tem que conhecer o escopo patentário das moléculas que pretende desenvolver, assim como precisa saber se as rotas de síntese estão protegidas por patentes de terceiros. Caso não estejam, ele pode produzir e vender livremente, dependendo apenas dos órgãos de registro. Caso as moléculas ou o processo estejam patenteados no Brasil, o fornecedor terá que licenciar com o titular da patente ou escolher outra molécula ou rota de síntese”.

    Bezerra assevera que a propriedade intelectual também é uma importante fonte de conhecimento, pois pelos documentos de patentes, a empresa pode obter conhecimento técnico sobre aquilo que está pretendendo lançar no mercado, podendo gerar novos produtos ou processos ou ainda melhorar produtos e processos já existentes.

    Química e Derivados,

    O futuro da química fina no Brasil está nas mãos dos dirigentes do país. “Ou se estimula o setor de alguma forma, ou se estará fadado a ficar dependente do exterior eternamente”, adverte Pacheco. Ele vai além, ao enxergar um viés de segurança nacional na produção de medicamentos no país, com afirmação tecnológica e industrial. Basta lembrar da Guerra das Malvinas em que o cerco efetuado pelos ingleses no Atlântico Sul acabou provocando falta de antibióticos na Argentina.

    Bezerra diz que o futuro da química fina no Brasil “passa pela criação e manutenção das políticas públicas no âmbito industrial. Seja no setor farmacêutico ou no de defensivos agrícolas, a isonomia regulatória poderá contribuir para a maior previsibilidade e competividade destes setores fundamentais à população brasileira”.

    Cristália – Para o Laboratório Cristália chegar a produzir 53% dos ativos que consome, a jornada foi longa. “Não foi da noite para o dia. Investimos há mais de 30 anos em farmoquímica porque fomos estimulados pelo Governo”, relata Pacheco. “Acredito em tecnologia, em desenvolvimento e não em ser meramente embalador de produtos ou transformador de produtos importados”, adiciona.

    Se a empresa ganha, porque foi capaz de formar um time técnico de excelência, o país também ganha e mais ainda nos períodos em que o dólar está em alta. O Cristália desfruta de uma situação tecnológica em que “alguns produtos são objeto de negociação com o exterior, até mesmo nos Estados Unidos”. Pacheco afirma que a empresa “não tem força comercial para montar uma filial para vender nos EUA”. Por isso, se associou com que tem essa força. Assim também foi no México.

    Há novidades à vista: “Temos duas joint-ventures com empresas chinesas em formação para fabricar duas matérias-primas inéditas no país”. São duas substâncias atualmente importadas em sua totalidade, da área de biotecnologia. A fabricação vai começar no início de 2019. O executivo prefere não revelar ainda quais são elas.

    O Cristália possui também “uma parceria estratégica em desenvolvimento com a Coréia do Sul, que pressupõe transferência de tecnologia para cá, treinamento cruzado e participação nos mercados”. Pacheco conta que os coreanos terão participação nas vendas realizadas na América Latina, assim como a empresa brasileira terá nas vendas realizadas na Ásia. O acordo envolve cinco produtos que já estão no mercado da Coréia; aqui, em fase de registro.

    Na visão de Pacheco, o sucesso do Cristália, a maior empresa brasileira de biotecnologia, consiste, em primeiro lugar, em acreditar, ter muita determinação e investir. “É acreditar que se pode dominar a tecnologia e não só embalar produto”, declara.

    Ele considera a política de investimentos da empresa “atípica, fora do padrão normal”. Isso porque se trata de uma companhia privada, familiar, em que 90% da margem obtida nos negócios vão para um fundo de reserva. E 90% do lucro, algo em torno de R$ 200 milhões/ano, são reinvestidos. Apenas 10% dos ganhos são distribuídos para os acionistas. “Isso nos torna uma empresa economicamente bem estruturada, capitalizada, que não depende de financiamento bancário”, destaca.

    Quando o assunto é o futuro governo que comandará os destinos da Nação a partir de janeiro de 2019, Pacheco só espera uma coisa. “Pretendo, se for ouvido, fazer sugestões que possam ajudar o setor de química fina. Mas, se o Governo não me atrapalhar, já estará bom”.

    No seu modo de ver as coisas, o Cristália pode ser comparado a um foguete de alguns estágios: “Estamos num segundo estágio e há espaço para mais. A empresa tem tudo para produzir mais, crescer. O relevante é aumentar a produção com agregação tecnológica. Este é um laboratório que não trabalha com genéricos e sim procura desenvolver produtos com maior valor agregado”.

    Química e Derivados,

    Perfil – Fundado há 46 anos, o Laboratório Cristália é um complexo industrial farmacêutico, farmoquímico, biotecnológico, de pesquisa, desenvolvimento e inovação 100% brasileiro. É pioneiro na realização da cadeia completa de um medicamento, desde a concepção da molécula até o produto final. Possui 106 patentes, sendo recordista nacional; em anestesia, é líder de mercado na América Latina.

    Na vanguarda quando o assunto é inovação, o laboratório vai inaugurar, no início de 2019, a primeira planta farmoquímica oncológica privada do país.

    Está presente em mais de 95% dos hospitais brasileiros, e é referência no âmbito internacional, com exportação de princípios ativos e produtos acabados para mais de 30 países. Investe há mais de 15 anos em biotecnologia, possuindo as primeiras plantas privadas do Brasil. O Grupo Cristália conta com cerca de 5.200 colaboradores, considerando as empresas coligadas, como os laboratórios Sanobiol, BioChimico e IMA.



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