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Química Fina: Setor estuda caminhos para produzir mais

Hamilton Almeida
23 de janeiro de 2019
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    Química e Derivados, Pacheco: licitações devem dar preferência a fármaco nacional

    Pacheco: licitações devem dar preferência a fármaco nacional

    O setor de química fina atravessa uma fase de “subdesenvolvimento crônico” no país. A definição é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Ogari de Castro Pacheco. Um fator econômico é causa determinante: a elaboração da substância ativa de um medicamento propicia margem de lucro “muito menor” do que a do produto terminado.

    Diante dessa realidade, “é óbvio que as empresas prefiram trabalhar com o produto terminado”, arremata o dirigente. Resultado da equação: o Brasil importa cerca de 90% dos insumos ativos que utiliza. Em oncologia, chega a 100%.

    O que fazer? Para o presidente da Abifina, a solução não passa por renúncia fiscal, desoneração e outras ideias similares. “A nossa sugestão é que os produtos farmacêuticos elaborados no país, com princípios ativos nacionais, tenham preferência nas licitações públicas”. Em um caso hipotético, em que o hipertensivo A, produzido com matéria-prima da China ou da Índia, tenha o preço de dez; e o mesmo produto, elaborado com matéria-prima nacional também custar dez, que seja dada preferência ao de origem nacional. “Vamos trabalhar para que isso se concretize, que se transforme em lei”, anuncia.

    O vice-presidente de Planejamento Estratégico da Abifina, Nélson Brasil de Oliveira, comenta: “Certamente, esse quadro de alta dependência das importações poderá ser radicalmente modificado através da manutenção da Política de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (CIS), onde se imponha a produção nacional do insumo farmacêutico requerido nesse processo. Além disso, poderiam ser criadas preferências no exame governamental de propostas para a fabricação local de tais insumos, visando atender demandas no país”.

    A avaliação de Oliveira é de que, se falamos em produtos finais nas cadeias de setores produtivos, como em medicamentos e defensivos agrícolas genéricos, “estamos bastante avançados, podendo mesmo nos considerar um país de primeiro mundo. Carecemos essencialmente de uma atividade bem mais forte nas áreas de ciência e tecnologia que nos permita fabricar princípios ativos e desenvolver processos inovadores em todas as cadeias produtivas”.

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    “Na indústria farmoquímica existe pouca formação de mão-de-obra específica e isso acaba contribuindo também para limitar o desenvolvimento das empresas nacionais”, acrescenta Pacheco. O que impulsiona o desenvolvimento, na visão desse empresário, é haver demanda.

    O vice-presidente Brasil tem a mesma linha de pensamento: “Quem cria uma indústria ou um serviço novo é a demanda do mercado consumidor. Com uma população superior a 200 milhões de habitantes, localizada em uma vasta extensão territorial (superior a 8 milhões de km2), é enorme a atratividade para o desenvolvimento de produtos para o complexo industrial da química fina”.

    Afora isso, continua, “temos cientistas de renome internacional – como na área de vacinas, bem como institutos de pesquisa avançados nessa relevante área. Também cabe destacar que o Estado nacional é um grande consumidor de vacinas e medicamentos que, devidamente aproveitados pela atividade produtiva nacional, constitui um excelente atrativo para investimentos locais”.

    Pacheco é favorável a que haja “estímulo ao consumo” porque, do contrário, “estaremos gerando oportunidades e empregos para chineses e indianos em detrimento do mercado nacional”. O Cristália, também presidido por ele, é um exemplo claro: “O laboratório consome 53% dos seus próprios princípios ativos. Isso só acontece porque eu tenho consumo. Se aumentar a demanda, haverá um aumento também dos insumos farmacêuticos ativos”. A questão da qualidade não é problema. Como esses produtos são especificados internacionalmente, quem está dentro das especificações atende o que é determinado.

    Segundo Oliveira, “os investimentos requeridos para atividades inovadoras e complexas na área da saúde são extremamente elevados. Nos países desenvolvidos, o uso do sistema patentário garante reservas de mercado que viabilizam tais investimentos. A viabilização de empreendimentos no complexo industrial da química fina brasileiro, por ser um país ainda em processo de desenvolvimento econômico, necessariamente requer a presença do Estado (Ministério da Saúde) para a realização de investimentos inovadores nas áreas de maior demanda social a ser atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”.



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