Indústria Química

Química exige reforma tributária

Marcelo Fairbanks
2 de novembro de 2000
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    Ela explicou, depois, em entrevista, que os trabalhos se iniciaram com a apresentação do projeto ao PADCT para obtenção de financiamento. A verba oficial de R$ 80 mil, suficiente para cobrir apenas um terço dos gastos, levou quase dois anos para ser liberada. “Nesse ínterim nós já começamos a coletar os dados e escolher os produtos para estudo”, disse. O restante dos recursos foram obtidos na universidade, além de contar com o apoio da Abiquim.

    Os 93 produtos revelam o predomínio da química de base (de 60% a 70% da lista), com destaque para polímeros e fertilizantes. Também as áreas de borracha, inorgânicos e orgânicos diversos, e produtos farmacêuticos e veterinários também se mostraram relevantes, a ponto de constituírem grupos para estudo. “Entre os vários pontos interessantes que estudamos está o fato de 7% dos US$ 2,8 bilhões importados no último ano serem referentes às unidades produtivas desativadas no País”, comentou a pesquisadora. Excetuando a relação dos ativos farmacêuticos, produzidos em um único lugar do mundo, vários outros itens poderiam ter reativada a fabricação local.

    O estudo avaliou variáveis diversas que influem na decisão de investir, entre eles matérias-primas, tecnologia, logística e impostos incidentes. Os resultados das análises foram discutidos em workshop do qual participaram mais de 80 representantes do governo, indústria e especialistas neutros. “O estudo serve como alerta para as dificuldades setoriais e pode orientar interessados em investir no País”, explicou Adelaide Antunes.

    Algumas cópias do estudo podem ser encontradas no biblioteca da Abiquim, segundo informou o gerente de comércio exterior Renato Endres.

    Cadeia valorizada – Nos tempos de mercado fechado era impensável – e até desnecessário – reunir fabricantes e consumidores de produtos químicos industriais, como foi feito pela Abiquim no encontro anual. Pouco restou das antigas “romarias” a Brasília para pedir a atualização dos preços com base em planilhas de custo, época de acusações mútuas entre os elos da cadeia produtiva. Pelo discurso adotado pelos representantes das diversas entidades, o setor químico deve fortalecer o conceito de cadeia produtiva, com a soma de esforços em todas as etapas de produção, a fim de reduzir o déficit comercial brasileiro.

    No caso das fibras artificiais e sintéticas, representadas pelo diretor-executivo da associação setorial (Abrafas), Carlos Roberto de Castro, as importações somaram US$ 361,3 milhões neste ano, contra US$ 258,1 milhões no anterior. As exportações também cresceram, embora com menor peso: US$ 45,7 milhões contra US$ 37,8 milhões. “Poderemos elevar as exportações para US$ 4,8 bilhões dentro de 8 anos se houver medidas de apoio, como a redução de impostos e a fiscalização do contrabando”, disse Castro. O contrabando e a modalidade “importabando”, que compreende lotes subfaturados e notas frias, são responsáveis, ao lado do dumping, por boa parte das dificuldades setoriais.

    Em âmbito mundial, o diretor da Abrafas salientou a migração da produção de fibras artificias e sintéticas da Europa para a Ásia, exigindo das empresas brasileiras mais investimentos em capacidades instaladas e na diversificação de produtos. “O Brasil precisa definir sua vocação: ou fica nas commodities ou nas especialidades têxteis”, afirmou. Para o náilon a situação é tranqüila, ao contrário do poliéster, considerado desafiador. Castro salientou a importância dos investimentos do setor químico para ofertar matérias-primas competitivas, capazes de ampliar o mercado têxtil. No mundo, as fibras artificiais e sintéticas respondem por 60% do consumo, contra 40% das naturais. No Brasil a proporção é 35% para 65%. “Existe ampla possibilidade de crescimento”, concluiu.

    Falando em nome dos fabricantes de tintas do Brasil, Dílson Ferreira, presidente da Abrafati, revelou desempenho diferente, com balança comercial equilibrada com US$ 100 milhões de importações e de exportações. E houve acréscimo de 25% nas exportações em 2000. “O bom resultado da indústria automobilística e da construção civil justifica o desempenho”, explicou. Imerso em mercado altamente competitivo, Ferreira comentou que as indústrias de tintas aumentaram seus preços na exata medida da elevação verificada nos insumos, forçada pela variação cambial. Além disso, cabe mencionar que as tintas imobiliárias registraram migração para as linhas de menor valor, exigindo adaptação por parte dos fabricantes.

    O dirigente setorial tocou na necessidade de integração da cadeia produtiva, ao solicitar da Abiquim uma posição conjunta frente à redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. “Para os fabricantes de tintas, que precisam importar grande número de itens sem fabricação regional, a manutenção do quadro atual de tarifas é muito prejudicial”, disse. Para ele, seria preciso adotar posição comum contra a taxa.

     



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