Química

Química – Panorama atual de mercado estimula investimentos

Quimica e Derivados
5 de dezembro de 2004
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    Segundo a Abimaq, a desconfiança com 2005 não impedirá os fabricantes de aumentarem em 25% os investimentos em modernização e ampliação, para uma média de R$ 7,5 bilhões. Com os fabricantes ciosos de ganhar escala e mercados mais exigentes, o aumento se justificaria, com a ressalva de poder gerar ociosidade no futuro próximo, caso a desconfiança com o desempenho de 2005 se concretize.

    Modermaq entusiasma

    Outro fator para acreditar no maior investimento é o desenvolvimento da nova linha de financiamento para renovação do parque produtivo nacional, o Modermaq, do BNDES, lançada em agosto de 2004. Um primeiro levantamento do BNDES revela que até 30 de dezembro de 2004 o Modermaq aprovou R$ 136,8 milhões em 299 operações. E a análise da Abimaq sobre a linha é positiva. Com recursos de R$ 2,5 bilhões (até julho de 2005), juros de 14,95% ao ano, cobertura de 90% do valor financiado, prestações fixas e prazos de pagamento de até cinco anos, com seis meses de carência, a linha deve responder por um terço dos investimentos previstos pela Abimaq para 2005.

    Química e Derivados: Perspectivas: Vallo - alta no custo de produção anulou acréscimo no faturamento. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Vallo – alta no custo de produção anulou acréscimo no faturamento.

    Mas o programa oficial não recebe só elogios. Voltado originariamente para micros e pequenas empresas, o Modermaq na verdade privilegiou bem mais as maiores, com faturamento acima de R$ 60 milhões/ano, com 76% do valor liberado até agora. Apesar dessa distorção poder ser resolvida na medida em que o programa ganhar mais visibilidade, outros problemas só podem ser solucionados com mudanças profundas na formatação do Modermaq. A principal delas tem sido motivo de críticas dos dirigentes setoriais. Trata-se de uma emenda que permite o financiamento de máquinas usadas, o que fere o princípio de “renovar” a produção nacional, ao permitir a compra de equipamentos velhos. A outra falha apontada é o valor disponibilizado para financiamento (R$ 2,5 bilhões), considerado baixo para atender as necessidades do setor.

    Mais cautela

    Embora seja positiva a análise geral do setor de bens de capital mecânicos, que inclui máquinas e equipamentos para os mais diversos usos, quando se especifica o enfoque para um determinado segmento a leitura pode ser mais preocupante. Isso tanto com relação ao desempenho de 2004 como na perspectiva para 2005. É o que ocorre com o mercado de bombas industriais, tradicional segmento que reúne 47 associados na Abimaq.

    Segundo informa o presidente da câmara setorial de bombas e motobombas (CSBM), Corrado Vallo, mesmo que os associados tenham registrado em 2004 um aumento no faturamento total de cerca de 17,65%, passando de R$ 765 milhões para R$ 900 milhões (os números ainda não fecharam), a análise realista da situação não permite muita euforia.

    “Se considerarmos que os aumentos de custo para o segmento, até outubro de 2004, foram da ordem de 19%, vê-se claramente que não houve aumento real do faturamento”, explica Vallo, também diretor da fabricante Omel.

    Por aumento de custos, Vallo cita, de início, o aço, insumo importantíssimo para o mercado de bombas, especialmente nas empregadas em óleo, gás e petroquímica. Nesse caso, o presidente da CSBM lembra que os aumentos foram superiores a 100% e devem continuar a subir. Mas houve também outros insumos cooperando negativamente com o custo de produção das bombas. Segundo ele, o ferro fundido, cobre, aços planos e motores elétricos tiveram acréscimos de preço entre 30% e 50%, bem acima da inflação declarada de 6%.

    Química e Derivados: Perspectivas: Mercado bombas espera obras na indústrias. ©QD Foto - KSB Divulgação

    Mercado bombas espera obras na indústrias.

    As expectativas para 2005 também precisam ser cautelosas, na opinião do presidente da CSBM. Além da contínua escalada de preços e juros, os motivos para cautela ainda são os mesmos de muitos anos. Bombas importadas do Extremo Oriente continuam a chegar ao País com preços baixos, em virtude das vantagens que seus países de origem oferecem, com juros de até 3% ao ano em financiamentos de exportação, contra uma média de 3% ao mês no Brasil. “Essa desvantagem competitiva tem potencial duplicado com a nossa atual taxa de câmbio, que favorece ao extremo o importador e impossibilita nossa participação no mercado externo”, diz. “Isso sem falar que o câmbio também favorece a compra de instalações completas em regime de turn-key, com seus acessórios todos incorporados.”

    Nem mesmo a novidade do Modermaq, para Vallo, atenua a sua leitura crítica de 2005. Para ele, embora seja uma idéia boa, a demora na implementação, a burocracia e a tramitação difícil para conseguir os financiamentos têm prejudicado o uso da linha. “Nenhum de nossos associados utilizou o Modermaq”, revela o dirigente. Além disso, no seu entender, a taxa de juros empregada (14,95% ao ano) não é propriamente de “pai para filho”, mas ainda superior às praticadas no exterior.

    Apesar do aparente desânimo, Corrado Vallo acredita em negócios interessantes para 2005. Há grandes investimentos anunciados em todos os setores, sobretudo em petróleo e gás (refino e produção), petroquímica, açúcar e álcool, siderurgia e papel e celulose. Com relação à Petrobrás, as expectativas são especiais. Afinal de contas, com seu plano total de investimentos de quase US$ 70 bilhões até 2010, do qual uma parte já foi aplicada, dá para se imaginar uma grande quantidade de bombas em oleodutos e plataformas. “Não é possível esquecer também que neste ano saem as primeiras licitações destinadas ao refino, que ampliará o leque de fornecedores de bombas para a estatal”, diz. Segundo ele, somente na ampliação da Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), de São José dos Campos-SP, haverá um investimento de US$ 800 milhões.



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