Química

Química – Panorama atual de mercado estimula investimentos

Quimica e Derivados
5 de dezembro de 2004
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    Química e Derivados: Perspectivas: Medrano - 'Custo Brasília' aumenta tributação. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Medrano – ‘Custo Brasília’ aumenta tributação.

    Distribuição animada

    Depois de fechar 2004 com aumento de 27,7% no faturamento, as distribuidoras de produtos químicos no Brasil iniciam 2005 com esperança de ampliar tanto o faturamento quanto a participação no comércio total de produtos.

    “Certamente não cresceremos tanto quanto em 2004, cujo resultado tem por base o fraquíssimo ano anterior, mas há espaço para conseguir entre 10% e 15% a mais”, comentou o presidente da Associquim/Sincoquim, Rubens Medrano.

    Ele justifica o entusiasmo pelo bom desempenho industrial, em especial o de produtos destinados a outros países, e também como resultado da revogação da cumulatividade dos impostos PIS e Cofins, embora estes tenham sido majorados. “A incidência em cascata nos tirava competitividade; agora podemos oferecer mais serviços aos fabricantes”, explicou. Também ajudará muito a melhoria da imagem setorial a partir da implantação do Programa de Distribuição Responsável (Prodir).

    Medrano explica que a perda de valor do dólar frente ao real foi compensada pela elevação das cotações internacionais dos produtos químicos. Ele prevê a estabilização do câmbio na faixa entre R$ 2,70 e R$ 2,80 por US$ ao longo de 2005. “Para o comércio, não importa muito a cotação, ruim é a excessiva volatilidade da moeda, que representa um risco elevado para as operações”, explicou.

    Junto com as entidades representativas da atividade comercial, o comércio químico desenvolve campanha contra a alta carga tributária, porém propõe a mudança do enfoque. “Não há como reduzir essa carga a curto prazo porque as despesas do País são muito altas”, disse. “Por isso, é preciso reduzir o ‘Custo Brasília’, os gastos excessivos dos três poderes, e aumentar sua eficiência geral.”

    A elevação da taxa primária de juros pelo Banco Central é classificada de medida excessivamente cautelosa. “Se acabar com a inflação, talvez valha a pena; prefiro dar um voto de confiança ao governo nesse ponto”, afirmou.

    Equipamentos

    Dólar fraco e preço do aço inibem crescimento

    Indústria de bens de capital, apesar do bom desempenho de 2004, prevê queda no ritmo de expansão

    Química e Derivados: Perspectivas: Equipamentos de saneamento - recuperação. ©QD Foto - Divulgação

    Equipamentos de saneamento – recuperação.

    Apesar do clima de otimismo advindo da recuperação da economia brasileira, 2005 corre o risco de não ser tão positivo para o setor de bens de capital mecânicos como foi o ano passado. Há motivos concretos para a desconfiança.

    Para começar, a desvalorização do dólar tem inibido a curva de crescimento das exportações, não só de máquinas como das indústrias clientes, tirando força de uma estratégia que vinha dando bons resultados. Contam também contra as expectativas a queda da cotação internacional das commodities agrícolas, que deve arrefecer o consumo de máquinas colheitadeiras e de outros equipamentos da área, e os brutais aumentos do preço do aço, cujo valor dobrou em 2004 com firme possibilidade de continuar a crescer em 2005.

    Esses três fatores apontados em recente levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) devem, em uma análise menos pessimista, diminuir o ritmo de crescimento do setor, vindo de um ano considerado muito bom. Mesmo ainda sem competitividade internacional, tanto em escala produtiva como em tecnologia, os fabricantes finalmente conseguiram se recuperar em 2004 de uma longa época de letargia pós-abertura de mercado da década de 90. Pelo menos a melhora se revela nos últimos números divulgados pela Abimaq: o faturamento total de 2004, de cerca de R$ 44 bilhões, cresceu 28,7% sobre 2003, e as vendas externas, mais representativas no quesito competitividade, subiram 35%, ante os US$ 4,94 bilhões exportados em 2003. Trata-se do melhor resultado dos últimos 15 anos, a despeito do aumento de custo produtivo do setor também considerável, em alguns casos de cerca de 20%.

    A dúvida com 2005, porém, se fundamenta em notada queda nos pedidos do último trimestre de 2004, que já provocam sinais negativos e fazem a Abimaq estimar crescimento de apenas 10% no faturamento e de 15% nas exportações do próximo ano. A cautela ganha mais força ao se levar em conta que as importações brasileiras de máquinas registraram alta em 2004, de 13,8%, totalizando US$ 6,6 bilhões. Com o ritmo de valorização do real em curso, esse déficit comercial tem chances reais de crescer ainda mais. Principalmente acrescentando-se à tendência a falta de competitividade inerente aos custos tributários brasileiros e, mais especificamente, a proveniente do aumento de 100% no preço do aço, responsável por 17% do custo de produção de máquinas e equipamentos.

    Se depender da grita e da mobilização do setor, porém, o cenário preocupante pode ser minimizado. Além de reclamações formais e informais ao Governo Federal (a Abimaq, por exemplo, ultimamente alardeia releases de repúdio à postura do Banco Central com relação à queda do dólar, à elevação das taxas de juros e à política de metas inflacionárias), os fabricantes também agem por meio de investimentos em modernização. Segundo a Abimaq, entre 2001 e 2003, os fabricantes de máquinas e equipamentos investiram em média R$ 3 bilhões ao ano (a maior parte em manutenção). Mas no ano passado, em virtude do desempenho recorde de vendas, as inversões dobraram para R$ 6 bilhões.



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