Química

Química – Panorama atual de mercado estimula investimentos

Quimica e Derivados
5 de dezembro de 2004
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    Química e Derivados: Perspectivas: Santos - estireno paulista crescerá com a PqU. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Santos – estireno paulista crescerá com a PqU.

    Na parte industrial, o setor automotivo, maior cliente do setor, obteve bons resultados em 2004. Só não foram melhores porque foi grande a exportação de veículos no regime CKD (desmontados, com pintura no destino). A partir da recuperação do poder aquisitivo local, as vendas internas devem ser reforçadas, com bons reflexos para os fornecedores de tintas, que esperam aumentar suas vendas em torno de 5%.

    Entre os fatores negativos da economia nacional, Ferreira destaca os juros e os impostos muito acima do razoável, impedindo melhor desempenho de todas as atividades produtivas. “Também os nossos insumos, como o aço, dióxido de titânio e os derivados de petróleo, apresentam demanda mundial aquecida, com constantes elevações de preços”, afirmou. Como o mercado nem sempre aceita o repasse direto dos custos, a indústria acaba absorvendo-os, cortando a lucratividade.

    Petroquímica desperta

    O setor petroquímico deixou para trás mais um longo período sem investimentos e inicia novo ciclo de inversões justificado pela elevação dos preços mundiais e dos índices de ocupação de capacidades produtivas existentes.

    A Rio Polímeros, associação entre os grupos Suzano, Unipar e Petrobrás, inicia operações comerciais em alguns meses, na Baixada Fluminense, com potencial para fazer 500 mil t/ano de polietilenos a partir de gás natural.

    Além disso, o pólo petroquímico paulista recebeu apoio explícito do Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, para a muito aguardada (e sempre postergada) ampliação, agora prevista para 2007. Combinando suprimentos de gás natural, gases de refinaria e nafta (importada), a Petroquímica União poderá acrescentar 240 mil t/ano à sua capacidade nominal de 500 mil t/ano de eteno. Como prevê aumento também da pirólise de cargas líquidas, os derivados aromáticos também apresentarão maior oferta na região.

    Com base nessa disponibilidade de matérias-primas, a Companhia Brasileira de Estireno (CBE), do grupo Unigel, pretende duplicar a capacidade produtiva atual de 120 mil t/ano de monômero de estireno, instalada em Cubatão-SP. “A demanda interna já superou a marca de 520 mil t/ano em 2004, exigindo importação de aproximadamente 100 mil t/ano do monômero”, explicou Roberto Noronha Santos, diretor de desenvolvimento e novos negócios do grupo. Seus dados apontam uma tendência de aumento do consumo de estireno de 5% a 7,5% ao ano.

    A produção de resinas termoplásticas (poliestireno) consome perto de 60% da oferta local do monômero. Outros usos importantes se encontram na fabricação de borracha sintética (SBR), látices (estireno-butadiênicos) e na obtenção de resinas para revestimentos. Todas essas aplicações estão em fase de ampliação de produção. “No campo dos polímeros existe ainda capacidade ociosa a ocupar”, comentou.

    Além da ampliação da oferta, o projeto da CBE, que inclui a substituição da linha atual de produção do etilbenzeno por uma unidade maior, trará vantagens do ponto de vista ambiental. “Estamos buscando fornecedores das tecnologias mais modernas do mundo, tanto no etilbenzeno, quanto na produção do monômero”, afirmou Santos. A unidade de EB usará zeólitas em fase líquida, alternativa mais amigável que a atual, com cloreto de alumínio. Já a obtenção do monômero contará com desidrogenação catalítica moderna, que também será aplicada na unidade antiga, após atualização. “Faremos o dobro dos produtos com volume de emissões muito menor “, informou o diretor. Essa melhoria é fundamental, inclusive, para a obtenção das licenças ambientais. O investimento total previsto é de US$ 70 milhões, em parte a financiar, e as operações estão sendo conduzidas de modo a paralisar a produção por, no máximo, 45 dias, em julho de 2007, acompanhando o cronograma da PqU.

    No ano passado, os preços do estireno dispararam depois de terem amargado anos de baixa constante. O movimento pode ser explicado pela ocorrência de dificuldades operacionais em alguns produtores e também pela forte valorização do benzeno. O aromático recuperou mercado na formulação de gasolina nos EUA, depois de ter sido ameaçado de substituição pelo MTBE. “Os americanos voltaram atrás e desistiram do MTBE provocando uma alta do benzeno que afetou toda a cadeia produtiva dependente do aromático”, explicou.

    No caso do Brasil, o suprimento de benzeno não deve ser problema, pois a gasolina nacional não o emprega como componente, sendo o País um exportador significativo. Nem no mercado de solventes o benzeno tem vez: foi proibido por determinação dos Ministérios da Saúde e do Trabalho. Há disponibilidade do produto nas refinarias da Petrobrás, nas centrais petroquímicas e nas coquerias siderúrgicas.

    Já o eteno depende das expansões petroquímicas. “Nosso fornecedor único da olefina já é e continuará sendo a PqU”, afirmou. Em ambos os casos, Santos prevê que os preços acompanhem as tendências internacionais.

    O grupo Unigel também atua no campo dos acrílicos, produzindo tanto o monômero metacrílico (MMA), quanto o polímero (PMMA) e chapas, além de acrilatos. A Proquigel Química, instalada em Candeias-BA, ampliará até o final deste ano a produção de MMA, das atuais 30 mil para 40 mil t/ano. “A médio prazo pretendemos dobrar essa capacidade”, informou Santos. A linha de PMMA, de 15 mil t/ano, também deve ser duplicada. O diretor comenta que 2004 foi muito bom para a cadeia metacrílica, tanto nas chapas, quanto na resina, muito consumida para a fabricação de autopeças.



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