Química

Química – Panorama atual de mercado estimula investimentos

Quimica e Derivados
5 de dezembro de 2004
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    Segundo o experiente economista, a conjuntura econômica mundial favoreceu o desempenho brasileiro em 2004. Com todo o mundo desenvolvido em forte recuperação, liderado pelos Estados Unidos, e com a contínua expansão chinesa, até as commodities agrícolas e industriais (químicas inclusive) alcançaram cotações muito remuneradoras. Essa pujança, no entanto, pode ser um problema para 2005. A demanda mundial por petróleo e gás natural continua muito alta, mantendo os preços bem acima dos praticados em 2002, antes da guerra no Iraque.

    Também o desempenho chinês preocupa, pois o crescimento segue próximo a 10% ao ano, embora o próprio governo da China já tenha promovido medidas para conter a expansão. “Algumas cidades chinesas já sofrem com falta de água e luz, e a inflação se torna preocupante”, explicou. O crescimento chinês absorve a produção de aço e de metais em todo o mundo.

    Além disso, no panorama internacional, a situação da economia norte-americana não é estimulante. Os déficits gêmeos (fiscal e de contas correntes) assumem proporções monumentais e exigirão medidas drásticas de contenção. Segundo Mendonça de Barros, as famílias americanas apresentam grau zero de poupança, enquanto o governo de lá está em poupança negativa. “A diferença entre produção e consumo é financiada pelas economias asiáticas, como China e Japão, que absorvem dólares, mesmo com prejuízo, para manter fluxos de exportação”, afirmou. “Caso os bancos centrais de lá resolvam desovar dólares, a economia mundial ficará toda desarrumada.”

    No campo interno, a economia brasileira vai fazendo sua lição de casa. A situação das contas correntes nacionais melhorou muito, embora o superávit comercial de US$ 21 bilhões ainda seja pequeno, igual às dívidas de curto prazo. “O governo está exportando a riqueza nacional, é o que se espera de quem precisa pagar as dívidas que contraiu no passado”, disse. A redução da dívida externa do setor privado também indica que investimentos não estão sendo feitos no País.

    Para Mendonça de Barros, a meta de 4,5% de inflação anual pode ser considerada ambiciosa. O Chile, economia apontada como modelo, levou 12 anos para chegar a esse patamar de inflação anual. “Como a meta é árdua, os juros devem se manter muito elevados durante o ano”, considerou. Em 2004, a inflação foi de 7,4% (pelo IPCA). Ao mesmo tempo, o aumento da atividade econômica redunda em aumento da massa salarial da ordem de 4%, ou seja, menos da metade da queda verificada em 2003. Porém isso também pressiona a inflação.

    Química e Derivados: Perspectivas: Daher - safras dos EUA e Europa preocupam. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Daher – safras dos EUA e Europa preocupam.

    A previsão do analista é de uma expansão do PIB da ordem de 3,7% em 2005, abaixo dos 4,9% de 2004. A redução do índice pode ser explicada pelo fato de a base de comparação ser maior e também pela expectativa pessimista em relação a produtos agrícolas. A soja, por exemplo, encontrará preços menores no mercado externo e terá custos de produção mais elevados, por causa da ocorrência da ferrugem. A carga tributária se aproxima de 36,5% do PIB, desestimulando a atividade econômica. “Basta verificar que a formação bruta de capital fixo é muito baixa; os produtores preferem apenas aumentar o grau de ocupação das fábricas a investir em novas capacidades”, lamentou.

    O zelo oficial com os desembolsos públicos, que impede até mesmo a recuperação da malha viária nacional, preocupa os investidores. “Temos graves deficiências de infra-estrutura e não há iniciativas para saná-los”, criticou.

    Agronegócio preocupa

    O diretor da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Eduardo Daher confirma a preocupação com o desempenho do agronegócio neste ano. “A expectativa de safra de soja e milho nos EUA e na Europa é muito alta para este ano e, se confirmada, vai derrubar os preços internacionais”, comentou. Porém, segundo informou, já foram detectados os primeiros focos de ocorrência da ferrugem asiática nos EUA, que, como o Brasil, ainda não tinha a doença fúngica.

    Dependo do grau de infestação, a safra daquele país pode ser afetada, tal como aconteceu com a brasileira em 2004. “Mas, se a infestação lá for muito forte, pode ser que faltem fungicidas em todo o mundo, ou pelo menos seu preço fique ainda mais alto”, ponderou. De outra forma, caso o mercado de carnes (suína, bovina e de aves) se fortaleça, as vendas de grãos ficarão asseguradas.

    O encarecimento da produção e as baixas previsões de preços tornaram mais conservadoras as empresas fornecedoras de insumos para o setor. “Estamos muito mais seletivos na concessão de créditos, de modo a evitar exposição elevada a prejuízos”, explicou.

    Química e Derivados: Perspectivas: Ferreira - Insumos das tintas ficaram mais caros. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ferreira – Insumos das tintas ficaram mais caros.

    Em 2004, o setor de fertilizantes apresentou ligeira queda no volume comercializado. Segundo Daher, essa redução foi explicada pelo fato de 2003 ter sido excepcional para o setor, inclusive porque muitos produtores anteciparam suas compras para formação de hedge. Além disso, em 2004 ocorreram problemas logísticos, o maior deles representado pela falta de navios para fretes no Atlântico Sul, quase todos atraídos para a região da China.

    Tintas crescem

    A indústria brasileira de tintas espera crescer 5%, em faturamento, durante 2005, segundo Dilson Ferreira, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). Em 2004, a recuperação de negócios acarretou crescimento de 14% no faturamento, alcançando total líquido estimado em US$ 1,5 bilhão.

    Na linha imobiliária, a tendência é de crescimento de vendas, ao redor de 5%, motivada pela expansão do crédito imobiliário, que passou a contar com maior volume de recursos, além da expansão dos limites financiados para também favorecer a classe média. O segmento, que detém 60% do volume produzido no País, pleiteava essas mudanças há anos.



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