Química

História da Química – 50 anos do setor químico passou pelas páginas de Química e Derivados

Quimica e Derivados
25 de maio de 2016
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    Química e Derivados, Química e Derivados 50 anos: Meio século da história do setor químico passou pelas páginas de QDSituação atual – Depois da consolidação do setor petroquímico, o eixo produtivo nacional foi abrigado no Braskem, detentora hoje de três crackers de nafta (Triunfo, São Paulo e Camaçari) e um de etano (Duque de Caxias-RJ), que geram 3,75 milhões de t/ano de insumos básicos para alimentar unidades de produção com capacidade total para fazer 3,02 milhões de t/ano de polietilenos, 1,97 milhão de t/ano de PP e 710 mil t/ano de PCV no Brasil. Saliente-se a existência de uma unidade de PP que recebe propeno de refinaria (em Paulínia-SP). Nos EUA, a companhia produz 1,4 milhão de t/ano de PP, e outras 545 mil t/ano da resina na Europa.

    O Brasil também é importante produtor de poliestireno, com dois grupos dominantes: Unigel e Videolar. Este comprou da Petrobras a Innova, produtora de monômero e do polímero no Rio Grande do Sul, em 2013. A planta gaúcha tinha capacidade para 250 mil t/ano de monômero e de 150 mil t/a do polímero, que se somaram à capacidade de PS da Videolar em Manaus-AM, de 120 mil t/ano. O grupo Unigel detém capacidade para produzir 280 mil t/ano de estireno em suas fábricas de Cubatão-SP e Camaçari (a antiga EDN, comprada da Dow), com 310 mil t/ano de polimerização na cidade paulista.

    O Brasil também reforçou recentemente sua capacidade de produção de PET (tanto de uso têxtil, quanto para garrafas), erguendo duas fábricas da resina em Pernambuco, ao lado da Petroquímica Suape, produtora de ácido tereftálico (capacidade declarada para 700 mil t/ano). A italiana Mossi&Ghisolfi pode fazer 500 mil t/ano de PET, enquanto a PQS (ligada à Petrobras), chegará a 450 mil t/ano. A demanda nacional por PET está na faixa de 600 mil t/ano e, com a entrada recente em operação dessas duas empresas, o Brasil deve se tornar exportador da resina, um poliéster de alto desempenho.

    O país corre contra o tempo. Enquanto não se definem parâmetros claros e adequados para os custos das matérias-primas (nafta e etano), nem se garante o seu suprimento, começa a faltar fôlego para o setor. Sem aumento na produção de insumos básicos (olefinas e aromáticos) é cada vez mais difícil planejar novos investimentos. A Styrolution queria se associar à Braskem para a produção de estirênicos (inclusive ABS), mas arquivou o projeto neste ano, por falta de definições.

    O último grande investimento do setor foi a construção do complexo de produção de ácido acrílico e derivados (polímero superabsorvente e ésteres acrílicos de uso industrial), erguido pela Basf em Camaçari (com propeno da Braskem), mediante investimento de € 500 milhões (ou R$ 2 bilhões). Inaugurado oficialmente em junho deste ano, o complexo poderá fazer 160 mil t/ano do ácido, dos quais a metade alimentará a cadeia produtiva da companhia. Essas plantas contêm a mais recente tecnologia de produção do mundo, tendo sido desenhada para alcançar o máximo de aproveitamento da energia e redução ao mínimo do volume de efluentes líquidos e gasosos.

    E não há outro projeto dessa magnitude na pauta da indústria química nacional. A Abiquim concluiu em 2014 um alentado estudo (encomendado à consultoria Booz Allen) que apontava a necessidade de novos investimentos produtivos no setor. Nesse estudo, apontou-se a expectativa de o Brasil se tornar um grande produtor de petróleo e gás natural (foi realizado antes da Operação Lava a Jato), fiando-se nos anúncios oficiais sobre o famoso Pré-Sal. Além disso, a disponibilidade de biomassa e de etanol permitiria desenvolver produtos de baixa pegada de carbono.

    Esses conceitos, como se percebe, estão alinhados às recomendações feitas pela consultor Abert Hahn em nossa edição especial de 2005. De lá para cá, as fontes não convencionais de petróleo e gás tomaram impulso, aproveitando o trampolim das elevadas cotações de petróleo (chegaram perto dos US$ 150 por barril, antes da crise de 2008). A mais interessante é o shale gas, o gás (mas também o óleo) retirado de folhelhos, em velhas regiões petroleiras dos EUA. A abundância dessas fontes, combinada com o desejo dos países da Opep de manter preços baixos por razões geopolíticas, fez despencar as cotações dos hidrocarbonetos. O petróleo leve em 2015 girou por volta de US$ 45, enquanto o gás natural nos Estados Unidos permanece abaixo de US$ 5 por milhão de BTUs.

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    Essas condições ameaçam as iniciativas de desenvolver uma indústria com base em biomassa e derivados vegetais. O consultor Duane Dickson, líder global para a área de indústria química da Deloitte Consulting, afirmou a QD, em julho deste ano, que a química com base em processos biotecnológicos só seria viável para a obtenção de moléculas complexas, cuja síntese é cara. Ele também aposta mais no gás como fonte de petroquímicos do que nas cargas líquidas para projetos futuros.

    Com a crise econômica do Brasil, a demanda por produtos químicos caiu vertiginosamente. Segundo a Equipe de Economia e Estatística da Abiquim, as vendas internas de desses produtos recuaram 5,17% de janeiro a outubro, em comparação com igual período de 2014. O consumo aparente nacional de químicos regrediu 6% no mesmo período.

    No caso das resinas termoplásticas, os primeiros três trimestres deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda da demanda nacional (vendas internas somadas às importações) chegou a 4,7%. Segundo a Abiquim, enquanto as vendas internas encolheram 1,%%, as importações foram cortadas em 12,9%. Ao mesmo tempo, as exportações de resinas feitas no Brasil alcançou elevação de 39,6%. No caso dos polietilenos, as vendas ao exterior cresceram 51,9% de janeiro a setembro deste ano. Esse grupo de produtos reduziu o déficit comercial de 519,6 mil t em 2014 para 21,5 mil t neste ano (até setembro).



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