Química

História da Química – 50 anos do setor químico passou pelas páginas de Química e Derivados

Quimica e Derivados
25 de maio de 2016
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    A PqU teve reorganização um pouco mais complicada. O leilão da participação estatal aumentou a participação da Unipar e também da Union Carbide (depois Dow Brasil) no capital da central. A Unipar acertou com o grupo Odebrecht o descruzamento de posições, que envolviam também a Poliolefinas (rebatizada para Polietilenos União). O caminho estava aberto para desatar o nó mais difícil do setor, em Camaçari.

    No caso baiano, a situação formal era diferente, pois na década de 1980 as maiores companhias do polo já haviam constituído a holding Norquisa, acionista majoritária da Copene. A venda da participação estatal foi vencida por um consórcio entre os grupos Odebrecht e Mariani. Faltava acomodar as posições dos acionistas no maior polo petroquímico do Hemisfério Sul. Isso começou a ser feito em 16 de agosto de 2002, data de constituição da Braskem, maior companhia petroquímica brasileira, única com porte internacional.

    A Braskem agrupou ativos nos polos baiano e gaúcho, auferindo ganhos de sinergia entre eles, principalmente quanto a tributos e unificação de estrutura administrativa. Opera cadeias integradas de produção de polietilenos, polipropileno e PVC, além de derivados petroquímicos da antiga Copene. Alguns dos antigos sócios preferiram deixar o negócio, como a Nissho Iwai e a Mitsubishi, detentoras de posições na Politeno, na Polialden e na Trikem (que consolidou os negócios de DCE, MVC e PVC da Bahia e Alagoas).

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    Dos antigos cruzamentos, os últimos a serem resolvidos foram os da Politeno e o da Polialden. Em ambos os casos, o problema era a participação da Conepar, braço petroquímico do Banco Econômico, que falira em 1995. O consórcio Odebrecht-Mariani, denominado Nova Camaçari, venceu o leilão da Conepar, realizado em 2001, passando os anos seguintes a promover reestruturações para conseguir, em 2003, a integração total da Polialden. O caso da Politeno se prolongou até 2006. Embora tivesse assumido a posição da Conepar, foi preciso acomodar a situação dos demais sócios, com destaque para o Grupo Suzano (35% do capital votante). Por sua vez, este também se reorganizou, separando em empresas distintas seus interesses em celulose e papel dos ativos petroquímicos, os quais ficaram com a Suzano Petroquímica, acionista da PqU, controladora da Polibrasil e participante do bloco de controle da RioPolímeros (cracker de etano em Duque de Caxias-RJ, inaugurado em junho de 2005, para 500 mil t/ano, produção não alcançado por restrições no suprimento de gás), junto com Unipar e Petroquisa.

    A subsidiária da Petrobrás reforçou sua participação acionária na Braskem em 2007, chegando a 47% do capital votante (36,2% do total). Isso foi feito mediante a transferência de ativos na Copesul, Petroquímica Triunfo e no projeto de polipropileno de Paulínia-SP (PPSA, transferência concluída em 2008). A estatal havia se fortalecido com a compra de ativos do Grupo Ipiranga, um movimento que também envolveu o Grupo Ultra e a Braskem. Mais tarde, a consolidação do polo gaúcho na Braskem foi concluída, com a incorporação da Petroquímica Triunfo, em 2009.

    A central do pólo paulista ampliou sua produção de eteno para 700 mil t/ano de eteno, contando com de gases sobrantes de refino da Revap. Isso Com isso, foi possível ampliar a produção de polietilenos e de polipropileno no polo, além de alimentar outros projetos. Em São Paulo, o controle da central da produção de resinas plásticas estava em poder da Unipar e da Suzano Petroquímica, apoiadas pela minoritária Petroquisa, incluindo os ativos da Union Carbide (Dow). A Petrobras em um movimento ousado comprou os ativos petroquímicos do grupo Suzano e reforçou sua parceria com a Unipar para formar a Quattor, em 2008, que seria a antípoda da Braskem.

    Com dívidas altas, formadas para a ampliação do polo paulista, a Unipar perdeu o fôlego e acabou por aceitar a proposta de venda de sua participação, ao lado da posição da Petroquisa, para a Braskem. Esse movimento foi dado no final de 2009, com a conclusão da compra em 2010. Com isso, a Braskem se tornou a única petroquímica integrada do país.

    Em 2011, a companhia adquiriu os ativos de polipropileno da Dow, com fábricas no Texas (EUA) e na Europa. Esse foi um grande passo para a internacionalização da companhia, acentuado pela construção do complexo mexicano (ver nesta edição). Sem ter acesso garantido à nafta e gás natural com preço e quantidade suficiente para alavancar novos investimentos no Brasil, a companhia se fortalece no exterior, prometendo novas unidades de produção de polietilenos e de polipropileno nos EUA.



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