Química

História da Química – 50 anos do setor químico passou pelas páginas de Química e Derivados

Quimica e Derivados
25 de maio de 2016
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    No final dos anos 1980, com a recuperação da economia mundial, o setor petroquímico recuperou sua rentabilidade e o aumento da demanda ameaçou esgotar a capacidade de produção regional. Com isso, o Brasil investiu no desgargalamento e ampliação das plantas existentes e começou a considerar novos projetos grass roots.

     

    Como o vento a favor veio para todos, uma onda de projetos mundiais de petroquímicos ganhou impulso, todos com partida prevista para 1991 e 1992. A ameaça agora era de uma avalanche de produtos no mercado internacional, apontando para a reversão do cenário favorável de margens elevadas. O Oriente Médio, com gás e óleo baratos, despontava como fonte de materiais altamente competitiva.

    Em análise publicada na edição comemorativa dos 40 anos de QD, em 2005, o colunista e consultor Albert Hahn, diretor da EcoPlan, criticou as políticas protecionistas adotadas em todo o mundo, mas particularmente exageradas na América Latina, sob influência da Cepal. Não se tratava mais de proteger a indústria nascente, mas de conceder uma pensão vitalícia.

    “A indústria química brasileira – e não só a química – nasceu portanto dotada dos privilégios característicos de um eterno adolescente de família burguesa. Acostumou-se com essa situação e foi se acomodando, até ser despertada um belo dia com a abertura da economia decretada abruptamente durante o efêmero governo Collor: os pais do adolescente haviam perdido a paciência e aplicado ao boa-vida um pontapé no traseiro”, escreveu.

    O impacto das capacidades crescentes no mercado global e a abertura comercial se traduziram em duas décadas de baixos investimentos no setor. Como reconheceu Hahn, até 2005 pelo menos, esse quadro não foi diferente do exibido pelos EUA e pela Europa. Naquele ano, segundo o consultor, de uma relação de 120 projetos químicos em instalação em todo o mundo com valor superior a US$ 1 bilhão apenas um estava situado nos EUA.

    No mesmo artigo, o especialista apontava o crescente interesse por matérias-primas alternativas ao gás natural e à nafta, com destaque para a biomassa. Processos até então considerados dispendiosos, como o gas to liquids (GTL), estavam se tornando viáveis pelo custo excessivo dos hidrocarbonetos, com o petróleo batendo a casa dos US$ 100 por barril.

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    Privatização – Depois de Collor, as leis nacionais passaram a exigir a saída do poder estatal de investimentos produtivos tipicamente privados. Para o setor petroquímico, a nova orientação, apesar de crítica, foi vista com bons olhos. A presença estatal no setor era pesada, pois o modelo adotado, desde a sua criação, apoiava-se em um tripé formado pelo Estado (representado pelo BNDES e Petroquisa) como garantidor; empresários nacionais, como tomadores de risco (atenuado pelo controle sobre importações exercido pelo governo) junto aos organismos financiadores internacionais; e empresas transnacionais no papel de fornecedoras de tecnologia. A ordem oficial impunha a venda de toda a participação estatal nas empresas de segunda geração e um percentual limitado de participação nas centrais, perto de 15%. As ações em poder dos entes estatais seriam alienadas em “leilões de privatização”, nos quais os sócios remanescentes teriam direito de preferência assegurado por força dos acordos de acionistas.

    Em parte, a participação nos leilões representava um risco. Ao mesmo tempo, era uma grande oportunidade. Como o endividado Brasil já vinha sendo obrigado a restringir investimentos oficiais, vários projetos viáveis foram postergados. Aos empresários interessava assumir as rédeas dos negócios, ficando livres das limitações orçamentárias do sócio estatal. Na época, toda a indústria química mundial estava em fase de reorganização, para compensar os maus resultados de anos anteriores. Vários dos antigos supridores de tecnologia já haviam até saído do ramo. Dessa forma, o setor privado nacional assumiu o comando da petroquímica local, porém ainda muito dependente do suprimento de nafta, gasóleo e fluxos sobrantes de refino por parte da estatal Petrobras, também peça fundamental na oferta de gás natural no país.

    A herança do controle oficial do setor e da política de preços tabelados (“cipados”, no jargão da época) tinha criado um aleijão. Empresas monoprodutoras com elevados custos fixos dominavam a paisagem, entrecortada por participações acionárias cruzadas até em companhias concorrentes. A segunda metade da década de 1990 foi consumida na redução de custos e aumento da eficiência das companhias, algumas das quais conseguiram até investir em ampliações de capacidade produtiva.

    O final dos anos 90 e o início da década atual foram marcados pela necessária e tormentosa aglutinação de interesses. O polo gaúcho foi o pioneiro, por ter emergido dos leilões de privatização já configurado com poucos e fortes players. Ipiranga Petroquímica (com a antiga Polisul) e o grupo Odebrecht (com a PPH) passaram a dividir o controle da Copesul, conseguindo ampliar a produção de eteno para as atuais 1.300 mil t/ano.



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