História da Química – 50 anos do setor químico passou pelas páginas de Química e Derivados

Química e Derivados, Química e Derivados 50 anos: Meio século da história do setor químico passou pelas páginas de QD

Cinco Décadas da História da Química

A revista Química e Derivados completa em novembro 50 anos de serviços à indústria química nacional, mantendo-se fiel ao compromisso de bem informar seus leitores sobre todos os aspectos envolvidos no planejamento, produção e comercialização dos insumos.

Meio século se passou, muitas mudanças foram feitas.

Percorrer as páginas publicadas por QD nesse período permite fazer uma assombrosa viagem.

Em 1965, quando o emblemático publisher e fundador da Editora Abril Victor Civita decidiu lançar a revista, a indústria química era um mero esboço do que viria a se tornar algumas décadas mais tarde. Infelizmente, por motivos vários, da falta de maiores ambições até o descalabro econômico-político nacional, o panorama atual do setor também é um pálido reflexo de momentos mais alegres, quando torres de destilação das refinarias e de colunas de separação petroquímica brotavam do solo com facilidade.

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Primeira edição da Revista Química e Derivados

A década de 1970 registrou atividade intensa, com a construção ou ampliação de cinco das mais modernas refinarias de petróleo do país (Replan, RPBC, Rlam, Regap, Refap). No início dos anos 1980, as refinarias de Araucária-PR (Repar) e Henrique Lage (Revap) entraram em construção.

Na petroquímica, os polos de São Paulo (partiu em 1972), Camaçari-BA (1978) e Triunfo-RS (1982) foram erguidos, colocando o país no cenário mundial do ramo. O índice de nacionalização dos equipamentos foi crescente, chegando a expressivos 68%, surpreendendo os financiadores do BID e Banco Mundial. Comemorou-se o índice 90% de nacionalização da a parte elétrica da Copesul, que também foi única central brasileira a ter seus fornos totalmente fabricados no país (com tecnologia internacional, chapas de aço especial idem). Ponto para as caldeirarias CBC, Confab, Jaraguá, Ishibrás, Hércules e Vogg.

Esse período de grande euforia colocou em polvorosa os fabricantes nacionais de equipamentos industriais e empresas de montagens. Construir um parque de refino e outro de petroquímica, além da pletora de obras de infraestrutura incluída pelos governos militares nos famosos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), exigia aumentar a capacidade produtiva de forma exponencial. Mesmo assim, os fornecedores estavam com as carteiras repletas de pedidos.

Ocuparam as páginas de QD muitas discussões sobre a necessidade de proteger as indústrias nascentes, tanto do ramo quanto químico quanto a de equipamentos. Na primeira edição da revista, Daniel Faraco, então Ministro da Indústria e Comércio e primeiro presidente do Grupo Executivo da Indústria Química (Geiquim), apresentou o conjunto de estímulos concedidos pelo Plano de Ação Econômica (PAE): elevação das alíquotas do imposto de importação aplicadas aos equipamentos com similar nacional (os sem similar local ganharam abatimento desse imposto), redução do Imposto de Renda para indústrias nascentes, e facilidade para concessão de financiamentos por parte de agentes oficiais. O Geiquim aprovaria apenas os projetos que “demonstrassem sólidos fundamentos técnico-econômicos, destinados a suprir áreas deficientes da economia nacional, substituindo importações”.

Ascenção e queda – A lua de mel durou pouco. A euforia dos anos 1970 deu lugar à ressaca dos anos 1980, período alcunhado de “a década perdida”. Os planos oficiais eram consistentes quando se observa apenas a relação oferta-demanda em escala nacional. Dados da Petroquisa/Geplan apontavam crescimento médio do consumo aparente de termoplásticos (polietilenos, polipropileno, poliestireno e PVC) de 28,5% ao ano entre 1970 e 1974 (de 190 mil para 518 mil t/ano).

No meio do caminho, porém, tinha uma pedra. Os dois choques do petróleo mudaram as relações de preços entre matérias-primas e produtos finais. O petróleo cada vez mais caro exigiu ajustes na economia dos Estados Unidos, que se refletiram no aumento das taxas de juros internacionais. Com isso, todos os países endividados, caso da América Latina, foram obrigados a pisar fundo no freio da atividade econômica, entrando em recessão.

O setor petroquímico sentiu na carne, ou melhor, no bolso os efeitos dessa retração. Como analisou em novembro de 1990, na abertura da 10ª Reunião Anual da Associação Petroquímica Latino-Americana (Apla), Michel Hartveld, então presidente da entidade, a indústria regional havia investido fortemente na expansão de suas capacidades, tanto no Brasil, quanto na Argentina, México e Venezuela. Com a retração da demanda regional, não havia outra alternativa para as empresas do ramo senão aumentar suas exportações. “A despeito da incredulidade dos mercados internacionais, a América Latina passou de importadora líquida para exportadora líquida e chegou a destinar ao exterior cerca de 20% de sua produção no auge da crise, de 1982 a 1984”, informou.

No final dos anos 1980, com a recuperação da economia mundial, o setor petroquímico recuperou sua rentabilidade e o aumento da demanda ameaçou esgotar a capacidade de produção regional. Com isso, o Brasil investiu no desgargalamento e ampliação das plantas existentes e começou a considerar novos projetos grass roots.

Como o vento a favor veio para todos, uma onda de projetos mundiais de petroquímicos ganhou impulso, todos com partida prevista para 1991 e 1992. A ameaça agora era de uma avalanche de produtos no mercado internacional, apontando para a reversão do cenário favorável de margens elevadas. O Oriente Médio, com gás e óleo baratos, despontava como fonte de materiais altamente competitiva.

Em análise publicada na edição comemorativa dos 40 anos de QD, em 2005, o colunista e consultor Albert Hahn, diretor da EcoPlan, criticou as políticas protecionistas adotadas em todo o mundo, mas particularmente exageradas na América Latina, sob influência da Cepal. Não se tratava mais de proteger a indústria nascente, mas de conceder uma pensão vitalícia.

“A indústria química brasileira – e não só a química – nasceu portanto dotada dos privilégios característicos de um eterno adolescente de família burguesa. Acostumou-se com essa situação e foi se acomodando, até ser despertada um belo dia com a abertura da economia decretada abruptamente durante o efêmero governo Collor: os pais do adolescente haviam perdido a paciência e aplicado ao boa-vida um pontapé no traseiro”, escreveu.

O impacto das capacidades crescentes no mercado global e a abertura comercial se traduziram em duas décadas de baixos investimentos no setor. Como reconheceu Hahn, até 2005 pelo menos, esse quadro não foi diferente do exibido pelos EUA e pela Europa. Naquele ano, segundo o consultor, de uma relação de 120 projetos químicos em instalação em todo o mundo com valor superior a US$ 1 bilhão apenas um estava situado nos EUA.

No mesmo artigo, o especialista apontava o crescente interesse por matérias-primas alternativas ao gás natural e à nafta, com destaque para a biomassa. Processos até então considerados dispendiosos, como o gas to liquids (GTL), estavam se tornando viáveis pelo custo excessivo dos hidrocarbonetos, com o petróleo batendo a casa dos US$ 100 por barril.

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Privatização – Depois de Collor, as leis nacionais passaram a exigir a saída do poder estatal de investimentos produtivos tipicamente privados. Para o setor petroquímico, a nova orientação, apesar de crítica, foi vista com bons olhos. A presença estatal no setor era pesada, pois o modelo adotado, desde a sua criação, apoiava-se em um tripé formado pelo Estado (representado pelo BNDES e Petroquisa) como garantidor; empresários nacionais, como tomadores de risco (atenuado pelo controle sobre importações exercido pelo governo) junto aos organismos financiadores internacionais; e empresas transnacionais no papel de fornecedoras de tecnologia. A ordem oficial impunha a venda de toda a participação estatal nas empresas de segunda geração e um percentual limitado de participação nas centrais, perto de 15%. As ações em poder dos entes estatais seriam alienadas em “leilões de privatização”, nos quais os sócios remanescentes teriam direito de preferência assegurado por força dos acordos de acionistas.

Em parte, a participação nos leilões representava um risco. Ao mesmo tempo, era uma grande oportunidade. Como o endividado Brasil já vinha sendo obrigado a restringir investimentos oficiais, vários projetos viáveis foram postergados. Aos empresários interessava assumir as rédeas dos negócios, ficando livres das limitações orçamentárias do sócio estatal. Na época, toda a indústria química mundial estava em fase de reorganização, para compensar os maus resultados de anos anteriores. Vários dos antigos supridores de tecnologia já haviam até saído do ramo. Dessa forma, o setor privado nacional assumiu o comando da petroquímica local, porém ainda muito dependente do suprimento de nafta, gasóleo e fluxos sobrantes de refino por parte da estatal Petrobras, também peça fundamental na oferta de gás natural no país.

A herança do controle oficial do setor e da política de preços tabelados (“cipados”, no jargão da época) tinha criado um aleijão. Empresas monoprodutoras com elevados custos fixos dominavam a paisagem, entrecortada por participações acionárias cruzadas até em companhias concorrentes. A segunda metade da década de 1990 foi consumida na redução de custos e aumento da eficiência das companhias, algumas das quais conseguiram até investir em ampliações de capacidade produtiva.

O final dos anos 90 e o início da década atual foram marcados pela necessária e tormentosa aglutinação de interesses. O polo gaúcho foi o pioneiro, por ter emergido dos leilões de privatização já configurado com poucos e fortes players. Ipiranga Petroquímica (com a antiga Polisul) e o grupo Odebrecht (com a PPH) passaram a dividir o controle da Copesul, conseguindo ampliar a produção de eteno para as atuais 1.300 mil t/ano.

A PqU teve reorganização um pouco mais complicada. O leilão da participação estatal aumentou a participação da Unipar e também da Union Carbide (depois Dow Brasil) no capital da central. A Unipar acertou com o grupo Odebrecht o descruzamento de posições, que envolviam também a Poliolefinas (rebatizada para Polietilenos União). O caminho estava aberto para desatar o nó mais difícil do setor, em Camaçari.

No caso baiano, a situação formal era diferente, pois na década de 1980 as maiores companhias do polo já haviam constituído a holding Norquisa, acionista majoritária da Copene. A venda da participação estatal foi vencida por um consórcio entre os grupos Odebrecht e Mariani. Faltava acomodar as posições dos acionistas no maior polo petroquímico do Hemisfério Sul. Isso começou a ser feito em 16 de agosto de 2002, data de constituição da Braskem, maior companhia petroquímica brasileira, única com porte internacional.

A Braskem agrupou ativos nos polos baiano e gaúcho, auferindo ganhos de sinergia entre eles, principalmente quanto a tributos e unificação de estrutura administrativa. Opera cadeias integradas de produção de polietilenos, polipropileno e PVC, além de derivados petroquímicos da antiga Copene. Alguns dos antigos sócios preferiram deixar o negócio, como a Nissho Iwai e a Mitsubishi, detentoras de posições na Politeno, na Polialden e na Trikem (que consolidou os negócios de DCE, MVC e PVC da Bahia e Alagoas).

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Dos antigos cruzamentos, os últimos a serem resolvidos foram os da Politeno e o da Polialden. Em ambos os casos, o problema era a participação da Conepar, braço petroquímico do Banco Econômico, que falira em 1995. O consórcio Odebrecht-Mariani, denominado Nova Camaçari, venceu o leilão da Conepar, realizado em 2001, passando os anos seguintes a promover reestruturações para conseguir, em 2003, a integração total da Polialden. O caso da Politeno se prolongou até 2006. Embora tivesse assumido a posição da Conepar, foi preciso acomodar a situação dos demais sócios, com destaque para o Grupo Suzano (35% do capital votante). Por sua vez, este também se reorganizou, separando em empresas distintas seus interesses em celulose e papel dos ativos petroquímicos, os quais ficaram com a Suzano Petroquímica, acionista da PqU, controladora da Polibrasil e participante do bloco de controle da RioPolímeros (cracker de etano em Duque de Caxias-RJ, inaugurado em junho de 2005, para 500 mil t/ano, produção não alcançado por restrições no suprimento de gás), junto com Unipar e Petroquisa.

A subsidiária da Petrobrás reforçou sua participação acionária na Braskem em 2007, chegando a 47% do capital votante (36,2% do total). Isso foi feito mediante a transferência de ativos na Copesul, Petroquímica Triunfo e no projeto de polipropileno de Paulínia-SP (PPSA, transferência concluída em 2008). A estatal havia se fortalecido com a compra de ativos do Grupo Ipiranga, um movimento que também envolveu o Grupo Ultra e a Braskem. Mais tarde, a consolidação do polo gaúcho na Braskem foi concluída, com a incorporação da Petroquímica Triunfo, em 2009.

A central do pólo paulista ampliou sua produção de eteno para 700 mil t/ano de eteno, contando com de gases sobrantes de refino da Revap. Isso Com isso, foi possível ampliar a produção de polietilenos e de polipropileno no polo, além de alimentar outros projetos. Em São Paulo, o controle da central da produção de resinas plásticas estava em poder da Unipar e da Suzano Petroquímica, apoiadas pela minoritária Petroquisa, incluindo os ativos da Union Carbide (Dow). A Petrobras em um movimento ousado comprou os ativos petroquímicos do grupo Suzano e reforçou sua parceria com a Unipar para formar a Quattor, em 2008, que seria a antípoda da Braskem.

Com dívidas altas, formadas para a ampliação do polo paulista, a Unipar perdeu o fôlego e acabou por aceitar a proposta de venda de sua participação, ao lado da posição da Petroquisa, para a Braskem. Esse movimento foi dado no final de 2009, com a conclusão da compra em 2010. Com isso, a Braskem se tornou a única petroquímica integrada do país.

Em 2011, a companhia adquiriu os ativos de polipropileno da Dow, com fábricas no Texas (EUA) e na Europa. Esse foi um grande passo para a internacionalização da companhia, acentuado pela construção do complexo mexicano (ver nesta edição). Sem ter acesso garantido à nafta e gás natural com preço e quantidade suficiente para alavancar novos investimentos no Brasil, a companhia se fortalece no exterior, prometendo novas unidades de produção de polietilenos e de polipropileno nos EUA.

Química e Derivados, Química e Derivados 50 anos: Meio século da história do setor químico passou pelas páginas de QDSituação atual – Depois da consolidação do setor petroquímico, o eixo produtivo nacional foi abrigado no Braskem, detentora hoje de três crackers de nafta (Triunfo, São Paulo e Camaçari) e um de etano (Duque de Caxias-RJ), que geram 3,75 milhões de t/ano de insumos básicos para alimentar unidades de produção com capacidade total para fazer 3,02 milhões de t/ano de polietilenos, 1,97 milhão de t/ano de PP e 710 mil t/ano de PCV no Brasil. Saliente-se a existência de uma unidade de PP que recebe propeno de refinaria (em Paulínia-SP). Nos EUA, a companhia produz 1,4 milhão de t/ano de PP, e outras 545 mil t/ano da resina na Europa.

O Brasil também é importante produtor de poliestireno, com dois grupos dominantes: Unigel e Videolar. Este comprou da Petrobras a Innova, produtora de monômero e do polímero no Rio Grande do Sul, em 2013. A planta gaúcha tinha capacidade para 250 mil t/ano de monômero e de 150 mil t/a do polímero, que se somaram à capacidade de PS da Videolar em Manaus-AM, de 120 mil t/ano. O grupo Unigel detém capacidade para produzir 280 mil t/ano de estireno em suas fábricas de Cubatão-SP e Camaçari (a antiga EDN, comprada da Dow), com 310 mil t/ano de polimerização na cidade paulista.

O Brasil também reforçou recentemente sua capacidade de produção de PET (tanto de uso têxtil, quanto para garrafas), erguendo duas fábricas da resina em Pernambuco, ao lado da Petroquímica Suape, produtora de ácido tereftálico (capacidade declarada para 700 mil t/ano). A italiana Mossi&Ghisolfi pode fazer 500 mil t/ano de PET, enquanto a PQS (ligada à Petrobras), chegará a 450 mil t/ano. A demanda nacional por PET está na faixa de 600 mil t/ano e, com a entrada recente em operação dessas duas empresas, o Brasil deve se tornar exportador da resina, um poliéster de alto desempenho.

O país corre contra o tempo. Enquanto não se definem parâmetros claros e adequados para os custos das matérias-primas (nafta e etano), nem se garante o seu suprimento, começa a faltar fôlego para o setor. Sem aumento na produção de insumos básicos (olefinas e aromáticos) é cada vez mais difícil planejar novos investimentos. A Styrolution queria se associar à Braskem para a produção de estirênicos (inclusive ABS), mas arquivou o projeto neste ano, por falta de definições.

O último grande investimento do setor foi a construção do complexo de produção de ácido acrílico e derivados (polímero superabsorvente e ésteres acrílicos de uso industrial), erguido pela Basf em Camaçari (com propeno da Braskem), mediante investimento de € 500 milhões (ou R$ 2 bilhões). Inaugurado oficialmente em junho deste ano, o complexo poderá fazer 160 mil t/ano do ácido, dos quais a metade alimentará a cadeia produtiva da companhia. Essas plantas contêm a mais recente tecnologia de produção do mundo, tendo sido desenhada para alcançar o máximo de aproveitamento da energia e redução ao mínimo do volume de efluentes líquidos e gasosos.

E não há outro projeto dessa magnitude na pauta da indústria química nacional. A Abiquim concluiu em 2014 um alentado estudo (encomendado à consultoria Booz Allen) que apontava a necessidade de novos investimentos produtivos no setor. Nesse estudo, apontou-se a expectativa de o Brasil se tornar um grande produtor de petróleo e gás natural (foi realizado antes da Operação Lava a Jato), fiando-se nos anúncios oficiais sobre o famoso Pré-Sal. Além disso, a disponibilidade de biomassa e de etanol permitiria desenvolver produtos de baixa pegada de carbono.

Esses conceitos, como se percebe, estão alinhados às recomendações feitas pela consultor Abert Hahn em nossa edição especial de 2005. De lá para cá, as fontes não convencionais de petróleo e gás tomaram impulso, aproveitando o trampolim das elevadas cotações de petróleo (chegaram perto dos US$ 150 por barril, antes da crise de 2008). A mais interessante é o shale gas, o gás (mas também o óleo) retirado de folhelhos, em velhas regiões petroleiras dos EUA. A abundância dessas fontes, combinada com o desejo dos países da Opep de manter preços baixos por razões geopolíticas, fez despencar as cotações dos hidrocarbonetos. O petróleo leve em 2015 girou por volta de US$ 45, enquanto o gás natural nos Estados Unidos permanece abaixo de US$ 5 por milhão de BTUs.

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Essas condições ameaçam as iniciativas de desenvolver uma indústria com base em biomassa e derivados vegetais. O consultor Duane Dickson, líder global para a área de indústria química da Deloitte Consulting, afirmou a QD, em julho deste ano, que a química com base em processos biotecnológicos só seria viável para a obtenção de moléculas complexas, cuja síntese é cara. Ele também aposta mais no gás como fonte de petroquímicos do que nas cargas líquidas para projetos futuros.

Com a crise econômica do Brasil, a demanda por produtos químicos caiu vertiginosamente. Segundo a Equipe de Economia e Estatística da Abiquim, as vendas internas de desses produtos recuaram 5,17% de janeiro a outubro, em comparação com igual período de 2014. O consumo aparente nacional de químicos regrediu 6% no mesmo período.

No caso das resinas termoplásticas, os primeiros três trimestres deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda da demanda nacional (vendas internas somadas às importações) chegou a 4,7%. Segundo a Abiquim, enquanto as vendas internas encolheram 1,%%, as importações foram cortadas em 12,9%. Ao mesmo tempo, as exportações de resinas feitas no Brasil alcançou elevação de 39,6%. No caso dos polietilenos, as vendas ao exterior cresceram 51,9% de janeiro a setembro deste ano. Esse grupo de produtos reduziu o déficit comercial de 519,6 mil t em 2014 para 21,5 mil t neste ano (até setembro).

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