Química

Química e Derivados 50 anos: Comércio evolui com serviços

Quimica e Derivados
16 de maio de 2016
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    Nem tudo foi perdido nessa fase. Além de o governo Collor ter durado pouco (o impeachment foi concluído em 1992), a abertura comercial evidenciou a necessidade de modernização do país, em quase todos os setores. Para a distribuição, foi um período de reavaliação dos contratos com os fabricantes locais, mas o movimento não foi de rejeição, embora as tensões acumuladas entre as partes fossem elevadas. Os comerciantes receavam perder a fonte de suprimento local em uma época turbulenta, com inflação alta e variações cambiais abruptas. A sobrevivência nesse período dependeu de um bom planejamento e da adoção de práticas de conduta mais modernas, na direção do programa Atuação Responsável, criado pela indústria química em 1992.

    Em 1991, em continuidade aos esforços anteriores, nasceu a Ipiranga Química, com a intenção de ir além dos solventes. Sem contar com contratos locais, foi buscar no exterior parcerias estáveis e competitivas para complementar seu portfólio. Em alguns anos, tornou-se a maior distribuidora de produtos químicos no Brasil.

    O sucessor de Collor, seu vice-presidente Itamar Franco, manteve a ideia de abrir a economia e tirar dela o peso do Estado, avançando com o programa de desestatização. Na petroquímica, isso teve grande reflexos, como vimos nesta edição. A reorganização corporativa dos fabricantes foi acompanhada por movimentos do setor comercial, nem sempre simétricos.

    Esperava-se que o período ficasse marcado pelo desembarque de players internacionais na distribuição, mas essa expectativa foi frustrada. Não totalmente, pois a holandesa HCI se aventurou no país e comprou a gaúcha Alquímica (1995) e a tradicional B.Herzog (1996), com sede em São Paulo. Em 2000, a Brenntag comprou a HCI, em âmbito mundial, e em 2002 adquiriu a Fenil Química, fundada pelo empresário Mario Barilá, consolidando sua operação no país.

    Esses movimentos já pertencem a uma fase de transição para a quarta e atual fase do comércio químico, cujo marco inicial pode ser identificado com o controle da inflação, como decorrência do Plano Real – 1994, mas seus resultados se tornaram mais claros a partir de 1998. Depois de mais de 40 anos de aumentos de preços constantes, o país começava a desfrutar das benesses da moeda estável. Os empresários já podiam prever as movimentações de mercado e se antecipar a elas, sem medo de enfrentar variações cambiais inopinadas. Esse ambiente propiciou a consolidação de um modelo de negócios mais avançado para a distribuição, focado em serviços aos clientes e às distribuídas. O comércio químico deixou de ser uma simples questão de volumes e preços.

    O momento favorecia as empresas bem instaladas, com gerenciamento profissional e controle apurado de seus custos. A fase da proliferação das bases pelo território nacional estava com os dias contados, tanto pelo custo elevado quanto pela necessidade de atender aos requisitos legais mais rígidos que começavam a surgir. O Programa Distribuição Responsável (Prodir) foi criado em 2001, com base no Responsible Distribution Process, da Associação Americana de Distribuidores Químicos (NACD). Era a resposta do setor às exigências crescentes de qualidade, segurança e meio ambiente que emanavam dos produtores e da sociedade. Os efeitos do programa acabaram aumentando a profissionalização das empresas de comércio, que sempre tiveram base familiar.

    Depois da virada do milênio, alguns negócios tiveram destaque. A compra da Bandeirante Química pela Brazmo, em 2006, representou um marco na consolidação empresarial do ramo. Mas não teve sequência com outras operações de porte semelhante. No ano seguinte, a partilha do Grupo Ipiranga entre Braskem, Ultra e Petrobras deixou ao primeiro o controle das atividades petroquímicas e, de quebra, da maior distribuidora química do país. Em 2010, quando comprou a Quattor, recebeu a Unipar Distribuidora, ampliando sua posição. Embora tenha alternado seus planos entre a venda da distribuidora e a sua manutenção, a Braskem agora considera o negócio como complementar, embora muito diferente de seu core business. Em 2009, a antiga Ipiranga Química adotou o nome de quantiQ.

    Mais recentemente, enquanto o mundo se maravilhava com o novo – porém efêmero – milagre do crescimento brasileiro apoiado no consumo de massa, foi a vez de os players internacionais voltarem seus olhos para o mercado local. A gigante Univar comprou a Arinos em setembro de 2011, aumentando a aposta no país com a aquisição da D’Altomare, em 2014.

    Por sua vez, a Makeni Chemicals, de Rubens Medrano, teve a maior parte de seu capital comprado pelo grupo holandês IMCD em setembro de 2013. Pouco depois, a mexicana Pochteca desembarcou no Brasil ao adquirir participação majoritária na Coremal em dezembro de 2013. Não fosse a crise, outros negócios semelhantes teriam sido concluídos.

    Entre as nacionais, a MCassab, tradicional fornecedora de especialidades e itens de química fina, vem reforçando seu portfólio de produtos de uso industrial, incluindo commodities. Desenvolve desde 2013 um pesado plano de investimentos que envolve diversificação de negócios mas também a construção de um centro de distribuição em Cajamar-SP, com investimento previsto de US$ 50 milhões. A Agroquímica Maringá, com seus 47 anos, renovou parte da tancagem, substituindo tanques muito grandes por um conjunto de unidades de menor porte, ganhando flexibilidade operacional. Em todas as companhias, o lema atual é ser eficiente: vender mais, com custos menores.



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