ISO 9000 : Qualidade ISO pretende coibir apropriação de marca

Em quase dez anos já foram concedidos no Brasil 5.285 certificados de sistemas de gestão da qualidade da série ISO 9000 e outros 149, da série 14000 (ambiental).

O nome ISO, sigla da International Organization for Standardization, virou sinônimo de qualidade, mas passou a ser usado indevida e indiscriminadamente em divulgações publicitárias, muitas vezes enganosas, e até sofreu tentativas de apropriação como marca registrada.

“A credibilidade da organização está em jogo e, se necessário, agiremos juridicamente”, alertou Mário Gilberto Cortopassi, presidente recém-empossado da entidade, que também acumula a presidência do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Representante da ISO no País, a ABNT tem a obrigação de zelar por sua integridade.”A série de normas ISO 9000 não é um atestado de garantia de qualidade”, esclarece Cortopassi.

Essas regras estabelecem requisitos estruturais para implementação do sistema de qualidade nas empresas, fornecendo diretrizes organizacionais, parâmetros de produtividade industrial.

Química e Derivados, Cortopassi promete agir juridicamente
Cortopassi promete agir juridicamente

“Sua aplicação indica que a empresa está preparada para a qualidade, mas não atesta seus produtos.”

O problema, aliás, não é exclusivo dos brasileiros.

O uso indevido do nome ISO se alastrou por vários países e, por isso mesmo, a questão será tema da próxima reunião do conselho da organização, em junho, na Suíça. “A defesa da integridade do nome ISO compete a todos os países filiados e, no caso do Brasil, a responsabilidade é dupla”, disse Cortopassi.

Para resolver a questão, a ABNT procurou o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para, juntos, adotarem medidas saneadoras, tais como reforçar a fiscalização nas instituições credenciadoras (ao todo, ao redor de 20), bem como a auditoria periódica nas empresas certificadas.

Também devem ser criadas regras para utilização controlada dos representantes da ISO em cada país, que no caso brasileiro é a ABNT.

Já ao Inmetro, como órgão credenciador das empresas certificadoras, cabe fiscalizar essas instituições e puni-las em casos de desvios. “Logotipo, nome e todas as publicações da ISO são propriedades da entidade e é proibido usá-los como marketing pessoal”, ressaltou o presidente.

Com sede em Genebra, Suíça, a International Organization for Standardization foi fundada há 53 anos e tem como objetivo promover o desenvolvimento da normalização e ações a ela relacionadas, visando facilitar o intercâmbio internacional de produtos e serviços, além de promover a cooperação intelectual, científica, tecnológica e econômica. Já publicou mais de 12.500 normas técnicas e conta com 134 países-membros.

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