PU para tintas – Poliuretano cresce nas aplicações industriais e automotivas por combinar desempenho superior com sustentabilidade

A linha é extensa, desde o dipropilenoglicoldimetiléter (que ainda gera VOCs) e o tetraetilenoglicoldimetiléter, o Tetraglyme, isento de VOCs, até o sofisticado dietilenoglicoldibutiléter, indicado para modificar a viscosidade de isocianatos. “São produtos nobres, para aplicações específicas já adotadas na Europa”, disse Pereira. Os Glymes precisam ainda ser testados por clientes no Brasil, com apoio dos laboratórios da Clariant. O especialista explica que é preciso reformular o sistema PU para introduzir um Glyme e não apenas substituir a n-metil pirrolidona por ele. Pereira admite que exigências legislativas de proteção ambiental e a procura por alto desempenho são fatores-chave para a evolução dos negócios desses produtos. (Mais informações podem ser encontradas no site: www.glymes.com)

Sistemas bloqueados – Sistemas poliuretânicos para cura por radiação ultravioleta ou em estufas, especialmente nas tintas em pó, podem usar tecnologias de bloqueio dos isocianatos, facilitando a aplicação. Essas alternativas servem para a produção de embalagens metálicas, coil coatings, tintas automotivas, peças metálicas, ou como agentes de cura para tintas e adesivos (entre eles também os vinílicos e os de poliamida).

A ideia é incluir um composto que impeça a polimerização, mas que seja retirado ou inativado pela aplicação de energia térmica ou UV, de modo que permita a reticulação. A caprolactama é um bloqueante conhecido. “Nossa linha Vestagon B de agentes de cura para PU é formada por isocianatos bloqueados com caprolactama”, exemplificou Regiane Linares Colombo, da Evonik Degussa. Porém a companhia oferece a linha Vestagon BF, que não libera caprolactama para o ambiente, uma tendência de mercado. “É um pouco mais cara, mas isso é compensado pelas vantagens em segurança e saúde ocupacional”, avaliou. Além disso, há o Vestagon 5050, um agente de cura especial, ainda não divulgado no Brasil, que permite operar com temperatura mais baixa na estufa, proporcionando economia para o aplicador.

Zanin, da Perstorp, oferece aos clientes isocianatos alifáticos bloqueados com caprolactama. “Eles apresentam excelente desempenho em algumas aplicações e a liberação de caprolactama é muito pequena, não constituindo um problema”, considerou.

A Evonik também oferece a linha Vestanat B (base solvente) e a Vestanat DS (base água) de poliisocianatos bloqueados para uso como monocomponente. Também estão disponíveis os poliésteres e copoliésteres (Dynapol e Dynacoll) de alto peso molecular para compor sistemas poliuretânicos de alto desempenho. A linha Vesticoat UB, por exemplo, entrega a mistura pronta de poliéster e isocianatos (Vestanat) para os clientes. Alex Fabretti reconhece que a companhia teria novas oportunidades de negócios no país se contasse com uma unidade local para fazer blendagens de isocianatos e sistemas. “Nós oferecemos todo o apoio técnico e até fórmulas prontas para nossos clientes, além de estoque local capaz de garantir o suprimento”, afirmou.

A Evonik Degussa conta com aditivos para poliuretanos, uma das especialidades mundiais da companhia. Embora seja mais voltada para a produção de espumas, a área de tintas conta com os catalisadores organometálicos (Kosmos) e amínicos (Tegamin), todos importados das fábricas do grupo na Alemanha, EUA e China, com apoio de um centro técnico local.

O Kosmos tem por base o dibutil-laurato de estanho (DBTL) e é muito usado no setor de tintas. “Esse aditivo é um catalisador de pele, não influi na reticulação da uretana”, explicou Roberto Vagner Luiz, gerente da área de poliuretano e de aditivos para PU da companhia. Sua ação está ligada às características superficiais da película.

Química e Derivados, Roberto Vagner Luiz, , Gerente da área de poliuretano e de aditivos para PU da Evonik Degussa, Tintas e Revestimentos
Roberto Vagner Luiz: aditivos colaboram para produzir superfície perfeita

A presença de estanho começa a preocupar os mercados mais sensíveis, como o europeu. “A Europa já dá sinais de que pretende deixar de usar o estanho e seus compostos”, afirmou Roberto Luiz. A Evonik propõe como alternativa o uso de dimetiletanolaminas (DMEA) e/ou dietanolaminas (DEOA) da linha Tegamin. Como explicou o gerente, trata-se de aminas terciárias que evitam problemas na secagem dos revestimentos, especialmente em tintas de manutenção industrial e de revestimento de pisos. “Os fabricantes de tintas fazem segredo de quanto e quais desses aditivos são aplicados nas formulações”, disse o especialista.

Polióis verdes – O uso de óleos vegetais e seus derivados como ingredientes para sistemas de PU começou na produção de espumas, mas logo encontrou aplicações em tintas, setor que usa esses materiais desde as primeiras linhas alquídicas. “A estratégia da Dow vai além do simples uso do óleo de soja para obter um ou dois polióis naturais que não superam o desempenho alcançado com óleo de mamona”, afirmou Enrique Milan, gerente de marketing de poliuretano da Dow para a América Latina. A companhia parte do óleo de soja, separa seus ácidos graxos e ou funcionaliza, criando uma gama de monômeros novos no setor de polióis. “A mistura entre eles e os tradicionais nos permite criar polióis sob medida para cada aplicação, com grande vantagem técnica e de conteúdo renovável”, salientou.

Usando a tecnologia própria chamada Renuva, a companhia pode fazer o mesmo com qualquer óleo vegetal, tendo preferido iniciar trabalhos com a soja pela farta disponibilidade. “Cada óleo tem ácidos graxos de comprimento de cadeia e grau de insaturação diferentes, que permitirão, no futuro, mais variações”, comentou Rodolfo Bayona. A glicerina separada desses óleos é usada pela Dow na produção de epicloridrina (cadeia do epóxi).

A companhia vai apresentar duas palestras sobre o uso de polióis de origem renovável durante a Abrafati 2009, uma das quais sobre composições poliuretânicas com propriedades de autorreparação (self healing). “Alguns polímeros ficam encapsulados na tinta automotiva, por exemplo, e quando acontece um risco, eles são liberados e consertam a pintura sem nenhum auxílio externo”, explicou. Esses poliuretanos são feitos com polióis naturais de cadeia longa, capazes de recuperar facilmente a forma inicial.

Bayona salientou que, atualmente, os polióis naturais têm preços equivalentes aos dos sintéticos. Eles ainda estão sendo feitos apenas nos Estados Unidos e em baixo volume. “Estamos nos preparando para construir uma unidade de escala mundial que poderá ficar nos EUA, na América Latina ou na Ásia”, disse Bayona.

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