PU para tintas – Poliuretano cresce nas aplicações industriais e automotivas por combinar desempenho superior com sustentabilidade

Opção monocomponente – Na prática, a aplicação dos sistemas bicomponentes ainda assusta os aplicadores, especialmente os menos tecnificados. “Moderno é fazer a mistura apenas na ponta da pistola de aplicação”, afirmou Alberto Hassessian, da Bayer. Ele admite que poucas companhias dispõem de sistemas de pintura com essa característica. Na maioria dos casos, os dois componentes são misturados em pequenos lotes, de tamanho determinado pela capacidade de aplicação e pelo pot life (intervalo entre a mistura dos ingredientes e a sua reticulação).

O uso de PU monocomponente acaba com o problema da mistura, mas também tem suas limitações. Hassessian explica que esse produto é um pré-polímero de PU. Um monômero adequado é misturado com uma pequena quantidade de poliol, que inicia a reação, interrompida com a adição de um estabilizante. Dentro da embalagem fechada, a durabilidade é longa. Ao ser aplicado e exposto ao ambiente, o produto reage com a umidade do ar para completar a polimerização. “É preciso considerar que a umidade relativa do ar em São Paulo é diferente da de Brasília-DF, e isso se reflete na cura”, afirmou.

Um bom uso de tintas PU monocomponente está nos cascos de navios, molhes de portos e plataformas de petróleo. Basta pintar a estrutura na maré baixa e, quando ela subir, vai acelerar a cura, sem liberar nenhum resíduo para o ambiente, proporcionando alta resistência à corrosão. “Esses produtos são muito usados nos Estados Unidos, um pouco menos na Europa, para proteger pontes e treliças metálicas, mas são quase desconhecidos no Brasil para tintas”, disse. Selantes usam essa alternativa.

A produção das tintas com PU monocomponente, porém, traz desafios. O processo requer controle rigoroso, com reatores operando a vácuo e garantia de secagem prévia dos pigmentos e cargas que venham a ser adicionados. Qualquer umidade que ingresse no processo desencadeará a reação.

“Os monocomponentes funcionam melhor nos adesivos que nas tintas”, avaliou Zanin, da Perstorp, embora saliente que algumas aplicações adotem a técnica com sucesso, como os domus que recobrem logotipos em automóveis e eletrodomésticos. Em geral, segundo disse, o mercado prefere os sistemas bicomponentes, capazes de oferecer melhor resistência química e física.

PU sem solvente – Os isocianatos mais conhecidos no mercado local se apresentam altamente viscosos ou sólidos, ambas as formas de difícil manipulação pelos formuladores de tintas. Solventes orgânicos são usados para baixar a viscosidade desse componente.

“A Europa e os Estados Unidos já estão chegando nos PUs de quarta geração, enquanto o Brasil ainda está nos biuretos da primeira geração”, comentou Zanin, da Perstorp. A empresa pode oferecer um trímero de HDI, o HDT, que apresenta baixa viscosidade sem adição de solventes.

Ele explica que a seleção do solvente para isocianatos deve considerar a aplicação final e o tipo de poliol com o qual reagirá. “O melhor solvente é o que se situa na intersecção das forças dos polímeros A e B do sistema”, disse. Erros na seleção do solvente levam à formação de filmes com um defeito conhecido como casca de laranja, em vez do aspecto superficial liso (vítreo). A companhia oferece trímeros de IPDI de cura rápida para substituição parcial dos isocianatos originais com o objetivo de melhorar o tack (manipulação da peça pintada) sem estufa e sem perder pot life.

Hassessian, da Bayer MaterialScience, também oferece trímeros alifáticos de baixa viscosidade para uso sem solventes. Nos produtos mais conhecidos, os solventes acertam a viscosidade desejada, porém devem ter alta pureza, sem nenhuma umidade (pureza de grau uretana). A Evonik Degussa possui em sua linha de produtos cicloalifáticos isentos de solventes para formuladores.

A Clariant mostrará na Abrafati 2009 a linha de Glymes (éteres poliglicólicos), que podem ser aplicados como redutores de viscosidade em sistemas de isocianatos, com uso possível também como coalescente em látex. “É um substituto moderno para a n-metil pirrolidona, considerada potencialmente tóxica”, explicou Andreas Hardt, gerente para a América Latina do segmento de negócios de coatings e químicos para construção da divisão de químicos funcionais da Clariant S.A. A Europa estuda a reclassificação de substâncias e deve impor a rotulagem das tintas que tenham 5% ou mais de n-metil pirrolidona em sua formulação.

Química e Derivados, Andreas Hardt, Danilo Pereira, Tintas e Revestimentos
Andreas Hardt (esq.) e Danilo Pereira: alternativa para pirrolidona

Os Glymes foram desenvolvidos ainda no tempo da Hoechst (precursora da Clariant), que os direcionou para sínteses farmacêuticas. Há poucos anos se descobriu um potencial de uso em tintas. “É um produto voltado para nichos de mercado, como as tintas totalmente sem cheiro”, comentou Danilo Pereira, representante técnico de vendas da divisão.

Página anterior 1 2 3 4 5 6Próxima página
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios