PU para tintas – Poliuretano cresce nas aplicações industriais e automotivas por combinar desempenho superior com sustentabilidade

“O PU ainda participa pouco no mercado local porque os óleos naturais ainda são muito baratos, favorecendo as linhas alquídicas”, comentou Mario Fernando de Souza, diretor-comercial da Galstaff Multiresine do Brasil. As tintas e vernizes poliuretânicos crescem mais facilmente nas aplicações industriais em que comprovam sua superioridade na resistência da película, no aspecto final do produto pintado e, principalmente, na produtividade da pintura. “A secagem pode ser muito rápida, especialmente nos sistemas à base de isocianatos-acrílicos”, comentou. Ele também salientou a facilidade de combinação dos isocianatos com resinas alquídicas e poliésteres, estes preferidos quando se deseja alta resistência. A Galstaff produz no exterior polímeros de TDI em várias concentrações e também formula seus poliésteres, a preços competitivos, segundo comentou.

A indústria moveleira, uma grande usuária de vernizes de cura por ultravioleta para produtos destinados ao mercado interno, aplica mais o PU nos produtos de exportação, que exigem acabamento de qualidade superior. Também as peças metálicas para exportação buscam no PU a solução para revestimento conforme solicitações internacionais. Nesses casos, os clientes também querem baixa emissão de VOC.

A Dow prepara o desembarque no mercado dos cicloalifáticos com uma inovação. “Temos um diol, com o qual faremos uma diamina e, com ela, um isocianato. É parecido com os derivados existentes de ciclohexano, porém o nosso tem quatro isômeros em vez dos dois (cis e trans) dos convencionais”, adiantou Rodolfo Bayona, responsável global pela área de industrial coatings da Dow Coating Materials. As diferentes proporções entre esses isômeros permitem combinações variadas de flexibilidade e endurecimento do poliuretano final.

Segundo Bayona, esse isocianato cicloalifático pode ser aplicado sobre madeira, metais (automotivos) e até sobre concreto, apresentando alta resistência química e mecânica. No momento, estão sendo conduzidos testes nos EUA com um grande fabricante de tintas para aprovação. “Nos últimos trinta anos surgiram pouquíssimas novidades químicas para tintas e, por isso, nós queremos oferecer aos formuladores novas opções que possam resolver problemas”, afirmou Bayona.

Isocianatos livres – O controle adequado das linhas de preparação de polímeros elimina problemas com isocianatos livres. “Buscamos ter o mínimo de isocianatos livres nos polímeros para evitar problemas de saúde ocupacional e de desempenho do poliuretano”, comentou Danilo Zanin, da Perstorp. Ele informou que os polímeros da empresa contêm entre 0,03% a 0,02% de isocianatos livres, abaixo do limite europeu de 0,5%.

Química e Derivados, Danilo Zanin, Gerente regional de vendas para a América Latina da Perstorp, Tintas e Revestimentos
Danilo Zanin: só PU pode oferecer alta proteção com camada fina

Zanin explicou que o HDI, por exemplo, é fosgenado em reatores para formar biuretos e trímeros. Trata-se de reação exotérmica, com uma determinada faixa de rendimento. “Quanto melhor o rendimento, menor o teor de isocianatos livres”, disse. O produto ainda passa por uma purificação antes da aplicação. Zanin comentou que o controle dessas operações é mais fácil no caso dos aromáticos. Essa seria uma das razões para o reduzido número de fornecedores de isocianatos alifáticos. “Preferimos vender os polímeros e as mesclas do que os monômeros de isocianatos”, informou Hassessian, da Bayer. Grandes fabricantes de tintas dispõem de instalações adequadas para lidar com os monômeros, um problema muito sério, especialmente nos aromáticos. A Bayer só vende polímeros com menos de 0,5% de isocianatos livres, conseguindo, em alguns produtos, índices muito melhores, de 0,15%. “No mercado brasileiro podem ser encontrados polímeros com 3% a 10% de isocianatos livres, uma situação inaceitável, tendo em vista que a Europa exige teor abaixo de 0,5% há quinze anos”, criticou. Os isocianatos livres são voláteis, escapam para o ambiente e criam um problema de saúde ocupacional nas fábricas de tintas, pois podem provocar o colapsamento das vias respiratórias, além de ser o TDI um reconhecido agente cancerígeno.

“Além do problema para a saúde dos trabalhadores, resinas com alto teor de isocianatos livres apresentam baixa estabilidade final e não toleram bem o lixamento”, complementou Mario Fernando de Souza, diretor-comercial da Galstaff Multiresine do Brasil. Para ele, resinas com até 5,7% de TDI livre ainda persistem no mercado nacional por falta de restrição legal e pela preferência dos consumidores por produtos de baixo custo, ainda que tenham pouca qualidade. A Galstaff produz isocianatos alifáticos e aromáticos (TDI), além de resinas poliéster, acrílicas e blendas para reagir com eles, bem como alguns aditivos. “Tentamos vender um pacote completo, mas há clientes que preparam seus catalisadores [os isocianatos] em casa”, afirmou. A empresa fornece isocianatos na forma concentrada, cabendo aos clientes adicionar solventes para manipulá-los.

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