PU para tintas – Poliuretano cresce nas aplicações industriais e automotivas por combinar desempenho superior com sustentabilidade

Os poliuretanos alifáticos exibem maior vigor de demanda que os aromáticos, fato justificado pela sua maior resistência ao amarelamento e por serem menos agressivos à saúde humana. “Mesmo no Brasil, os poliuretanos alifáticos crescem mais do que a média de todo o mercado de tintas”, salientou Alberto Hassessian, gerente da divisão de revestimentos e adesivos para a América Latina da Bayer S.A. Ele comentou que a maior participação dos aromáticos reside na fabricação de espumas poliuretânicas.

Química e Derivados, Alberto Hassessian, Gerente da divisão de revestimentos e adesivos para a América Latina da Bayer S.A, Tintas e Revestimentos
Hassessian recebe mais consultas sobre PU base

Hassessian aponta uma diferença básica entre o uso do PU em espumas e tintas: no primeiro caso os formuladores incentivam a liberação do gás carbônico; no segundo, a formação de espuma é um problema e deve ser evitada a qualquer custo. A aplicação em espumas nasceu no começo do século vinte, enquanto o uso em tintas é mais recente, tendo surgido na década de 60. “O PU alifático é o único sistema que consegue reproduzir na temperatura ambiente as mesmas características de uma pintura feita em estufa”, comentou. Isso permitiu ao PU conquistar cerca de 70% do mercado de tintas de repintura automotiva. O mesmo vale para grandes estruturas, impossíveis de colocar em estufas, como plataformas de petróleo e tanques de armazenamento.

A estratégia mundial da Bayer para o negócio de PU em tintas aponta para o fortalecimento nos isocianatos, sem deixar de lado os polióis especiais (a linha Desmophen, que inclui, por exemplo, policarbonatos hidroxilados). Os polióis básicos, os acrílicos hidroxilados e os poliésteres insaturados, considerados commodities, tiveram sua produção concentrada em uma moderna e eficiente fábrica na Alemanha. “A Bayer criou uma empresa, a Viverso, que opera no e-commerce de forma bastante competitiva nesses produtos standard”, explicou.

Segundo ele, a companhia incentiva o desenvolvimento de PU em base água, de sistemas para cura por ultravioleta (também de base aquosa) e aplicações para as linhas de poliureia e poliaspárticos, derivados de isocianatos de altíssima resistência química e à abrasão. “Os sistemas de base água têm tecnologia desenvolvida, o problema está no preço”, considerou. Como grande parte desses produtos é importada, o custo de transportar um material contendo 60% de água acaba sendo pesado. Além disso, a estabilidade desses sistemas é menor, reduzindo o tempo de prateleira para seis meses, dos quais pelo menos dois são consumidos na importação. Mesmo assim, os plásticos foram muito receptivos para a tecnologia, aproveitando a flexibilidade compatível com a desse substrato. Atualmente, a companhia inicia a divulgação dos base água para aplicações nas tintas anticorrosivas no Brasil.

“Temos recebido um número muito grande de consultas de toda a América Latina sobre os PUs base água”, comentou. “Em um tempo de crise, os clientes têm mais tempo para conversar sobre inovação tecnológica, embora comprem menos.” Ele explicou que a água fica na parte do poliol. Sua secagem é mais lenta e ocorre antes de entrar em contato com os isocianatos, situação que resultaria na liberação indesejada de gás carbônico.

A linha de diisocianatos da Bayer compreende derivados de isoforona (IPDI), difenilmetano (MDI), toluileno (TDI), hexametileno (HDI) e o H12MDI, um MDI hidrogenado produzido em pequena escala como insumo para a linha base água. “A fábrica de Belford Roxo-RJ é a única da América do Sul que faz isocianatos alifáticos obtidos de monômero importado”, ressaltou Hassessian, referindo-se ao HDI. A planta também fabrica o MDI, usado em revestimentos de alta espessura para formar pisos autonivelantes e pintáveis. Por não conter solventes, o revestimento formado não libera cheiro, podendo o ambiente ser ocupado imediatamente após a cura. A unidade local compõe dímeros (biuretos), trímeros e mesclas de isocianatos.

Química e Derivados, Alex Fabretti, Gerente de negócios para a América do Sul da linha de revestimentos e aditivos da Evonik Degussa Brasil, Tintas e Revestimentos
Alex Fabretti: aromáticos perdem terreno para os alifáticos

Contando com portfólio extenso de produtos com uso nas formulações de PU, a Evonik Degussa acompanha a evolução dos negócios na área. “As tintas e vernizes poliuretânicos vêm crescendo no Brasil, embora as aplicações industriais já possam ser consideradas maduras”, avaliou Alex Fabretti, gerente de negócios para a América do Sul de coatings e adesivos. A pintura automotiva original, um mercado importante para o PU, avança com o aumento das vendas de carros novos, que tem se mantido positivo no país. Ele vê no panorama nacional uma clara tendência de substituição dos isocianatos aromáticos pelos alifáticos (cíclicos ou não), fato que constitui uma oportunidade de negócios.

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