Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Protetores solares – Produtos agregam funções

Renata Pachione
28 de agosto de 2020
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    Entre os diversos aprimoramentos sanitários propostos, ele comenta a exclusão da apresentação do Certificado de Venda Livre Consularizado (CVL). Outros pontos foram a inclusão da faixa de teor de ingredientes ativos em produtos das categorias repelentes, protetores solares e alisantes, e a inclusão da determinação das substâncias ou grupo de substâncias funcionais principais no caso de repelentes de insetos e protetores solares ou, quando previsto em regulamento específico, nos estudos de estabilidade.

    Também fundamental no universo dos protetores solares são as regras globais para estudo de Fator de Proteção Solar (FPS). “A incongruência entre importância e acurácia dos métodos é o que torna o tema relevante“, afirma Guerra. Por isso, a International Organization for Standardization (ISO) age intensamente para harmonizar e melhorar a performance dos métodos de quantificação da fotoproteção. “Eles (os métodos) são extremamente complexos e apresentam grande variabilidade. Ou seja, atualmente são bastante deficitários”, atesta.

    No final das contas, o mercado como um todo ganha com essa padronização e melhoria de precisão dos procedimentos. As indústrias que exportam conseguem trabalhar com uma coerência de resposta para a mesma fórmula, e o consumidor passa a contar com o mesmo grau de proteção independentemente de onde comprar o produto. Vale dizer que a norma ISO é aceita em todos os países, exceto EUA, onde o FDA prevalece.

    “O Brasil está bem atualizado quanto às normas de fotoproteção”, ressalta Guerra. Aliás, por aqui, as duas metodologias são aceitas. O que muda entre os países é a lista de ingredientes permitidos (e máxima concentração) e as regras de rotulagem. O senão se dá quanto ao controle de qualidade produtivo. Não existe regulação específica e, muitas vezes, o produto testado na fase de desenvolvimento é diferente do que sai da fábrica.

    Química e Derivados - Portilho: ensaios de eficácia precisam ser atualizados

    Portilho: ensaios de eficácia precisam ser atualizados

    O consultor e pesquisador em cosmetologia Lucas Portilho aponta uma grande polêmica atual: o uso de seres humanos em alguns tipos de estudos de eficácia da proteção com raios UVB. “Num mundo onde estudos de dock molecular (modelos matemáticos usados para prever resultados) são uma realidade, irradiar as costas de pessoas parece um pouco absurdo”, observa. No entanto, mudanças estão por vir. A ISO tem trabalhado para propor alternativas menos invasivas ou in vitro. “Isso ainda deve levar alguns anos de trabalho intensivo para ser viável”, prevê Guerra.

    Controversos mesmo são os dados apresentados em congressos internacionais associando a morte de corais aos filtros solares presentes nos fotoprotetores. Para Portilho, alguns médicos, no entanto, isentaram os químicos, indicando o aquecimento global como o responsável. De qualquer forma, alguns estados norte-americanos baniram filtros químicos derivados de cânfora, benzofenonas e metoxicinamatos, por considerá-los um risco aos corais.

    Por aqui, nenhum respingo da polêmica. O mercado nacional não sofreu restrições nesse sentido. Aliás, segundo Portilho, no país são aprovadas todas as classes de absorvedores nas formulações. “No Brasil, costumo dizer que estamos no paraíso dos filtros”, conclui.



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