Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Protetores solares – Produtos agregam funções

Renata Pachione
28 de agosto de 2020
    -(reset)+

    Química e Derivados - Protetores solares - Produtos agregam funções ©QD Foto: iStockPhoto

    Protetores solares – Produtos agregam funções além da defesa da pele contra a radiação UV

    A multifuncionalidade se consagrou como a grande tendência da indústria de protetores solares. Por isso, um sistema de filtros fotoestáveis e com amplo espectro, mesmo que atenda a todos os quesitos de segurança e eficácia, hoje acaba incluindo benefícios extras na sua composição. Em paralelo a esse movimento, há uma corrida dos formuladores para abastecer o mercado com lançamentos capazes de assegurar sensorial agradável (seco), alta espalhabilidade e controle da oleosidade da pele.

    Existe uma nova geração de sistemas multifuncionais de fotoproteção. A indústria inovou e passou a entregar ao consumidor muito mais do que a proteção ultravioleta. Por isso, é cada vez mais comum adicionar benefícios de tratamento aos protetores solares, com a incorporação de ativos diversos como os antioxidantes, hidratantes e seborreguladores.

    Química e Derivados - Priscila: hidratação evita danos à pele pela ação solar

    Priscila: hidratação evita danos à pele pela ação solar

    A hidratação, aliás, é um dos itens essenciais. Priscila Moncayo, gerente científica de fotoproteção da Natura, explica que se a exposição ao sol for intensa, além de perder líquido pelos poros, as camadas mais internas da pele podem se desidratar durante o processo inflamatório dos tecidos, ressecando-a a ponto de rachar e descamar. Por isso, hidratar já no momento da aplicação do protetor solar é uma estratégia bastante eficaz frente aos danos causados pela radiação solar.

    Ainda sobre o caráter multifuncional dos produtos, o consultor e pesquisador em cosmetologia Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele, destaca as formulações com propriedades antipoluição. O surgimento desse segmento, em alguma medida, trata-se de uma resposta dos formuladores à comprovação científica de que a poluição possui a capacidade de danificar a barreira da pele, levando a um processo inflamatório.

    “O benefício de um ativo antipoluição não se restringe à proteção da pele de metais, cigarro, poluição veicular, dentre outros; mas oferece uma proteção, por exemplo, clareadora ou proteção contra manchas na pele causadas pela poluição”, reforça o farmacêutico-bioquímico Alberto Keidi Kurebayashi, diretor da Protocolo Consultoria em Dermocosmética.

    Outra tendência do setor dá conta do combate à radiação visível. Por ser de médio poder energético, ela atinge camadas intermediárias da pele, podendo desencadear o envelhecimento precoce e os melasmas. Conforme explica Corina Godoy, farmacêutica de desenvolvimento de produto, da Pink Cheeks, essa luz corresponde a cerca de 40% da radiação total que chega ao planeta. “É a iluminação que somos capazes de enxergar, que é capaz de iluminar objetos, tornando-os visíveis”, diz. Porém, além de ser uma radiação solar, a luz visível provém da iluminação das lâmpadas artificiais e das telas de equipamentos eletrônicos como televisão, celular, computador e tablet.

    Química e Derivados - Corina: é preciso proteger também contra a luz visível

    Corina: é preciso proteger também contra a luz visível

    Apesar de este tipo de proteção ainda se restringir a um nicho, essa tecnologia permeia os novos projetos e movimenta o setor. A Allergisa, empresa pioneira em testes de segurança e eficácia de produtos cosméticos, não por acaso, tem desenvolvido propostas de metodologias para atender este tipo de demanda. “Os tópicos em alta são proteção à luz visível e infravermelho. Recentemente, vem aparecendo informação científica sobre os mecanismos de dano dessas faixas espectrais. Assim, mecanismos de proteção efetivos podem ser desenvolvidos”, diz Lucas Guerra, diretor de pesquisa da Allergisa. Em tempo, sobre os raios infravermelhos ainda não há um consenso científico acerca dos seus efeitos deletérios.

    A procura por fotoprotetores com cor (ou com base) também está em ascensão. Esses produtos trazem em sua composição os óxidos de ferro e justamente por isso proporcionam um efeito similar ao da maquiagem. Mas não é só isso. O que mais tem chamado a atenção dos formuladores é o fato de servirem como barreira física à radiação da luz visível.

    “Os protetores com cor vieram para ficar”, anuncia Portilho, porém faz uma ressalva. Segundo ele, assumiu-se como verdade que protetor com cor protege mais do que aquele sem cor. Mas nem sempre essa informação é verdadeira, pois a proteção depende da cobertura, e a proteção a mais se restringe à luz visível. “Se considerarmos dois protetores com FPS 30 e UVA 10. Um possui cor de base e o outro não. A proteção contra raios UVB e UVA é a mesma, mas a proteção contra a luz visível tende a ser maior no protetor com cor de base”, exemplifica.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *