Aromas e Fragrâncias

Proteção da pele em tempos de pandemia da COVID-19

Quimica e Derivados
27 de setembro de 2020
    -(reset)+

    Química e Derivados - Proteção da pele em tempos de pandemia da COVID-19 - ABC Cosmetologia ©QD Foto: iStockPhoto

    O coronavírus é um patógeno que tem como alvo principal o sistema respiratório humano. Identificado inicialmente em dezembro de 2019, na China, o coronavírus de 2019 (Covid-19), teve uma disseminação acelerada. O vírus rapidamente se espalhou pelo mundo e, em 30 de janeiro de 2020, o Comitê de Emergência da OMS declarou uma emergência de saúde global com base no crescimento das taxas de notificação de casos em locais chineses e internacionais. Já foram confirmados mundialmente mais de 21 milhões casos de Covid-19. No Brasil, o primeiro caso confirmado da doença apareceu em 26 de fevereiro de 2020, sendo que em 17 de agosto, em território nacional, havia mais de 3 milhões de casos confirmados.

    A manifestação clínica ainda não está completamente elucidada, pois os sintomas relatados variam de leves a graves, podendo evoluir a óbito. As três principais rotas de transmissão para a Covid-19 são: 1) transmissão de gotículas (tosse ou espirro), 2) transmissão de contato (indivíduos próximos, ou objeto contaminado), e 3) transmissão de aerossol (gotículas misturadas ao ar).

    Assim, para se prevenir a rápida disseminação da doença, os protocolos de prevenção incluem distanciamento social e medidas de desinfecção. Dentre as recomendações estão a lavagem frequente das mãos até a altura dos punhos, com água e sabão e/ou a higienização da pele com álcool em gel a 70%.

    Apesar de necessária diante do cenário atual, a frequente lavagem de mãos pode gerar várias alterações na textura da pele, variando de xerose cutânea até dermatite de contato irritante ou, raramente, até dermatite alérgica de contato. Isso ocorre devido à exposição prolongada da pele à água e ao ambiente úmido que cria intumescimento do estrato córneo, remove lipídeos da superfície cutânea e desnatura proteínas cutâneas, removendo a barreira cutânea e aumentando a permeabilidade e a sensibilidade da pele a fatores físicos ou irritantes químicos.

    O etanol e outros álcoois de baixo peso molecular são usados em muitas formulações farmacêuticas e cosméticas. Esses álcoois permeiam rapidamente através da pele humana, e podem assim extrair lipídios do estrato córneo, principalmente quando usado em altas concentrações e por períodos prolongados.

    Além disso, temos o fato que o álcool 70% como agente antisséptico é um produto inflamável. Conforme o levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Queimaduras, de 19 de março até 9 de abril, foram identificados 96 casos de internações por causa do uso do álcool em gel ou líquido, além dos casos ambulatoriais, de menor complexidade.

    Assim, buscam-se alternativas em substâncias que sejam comprovadamente eficazes contra a ação do vírus e ao mesmo tempo não causem danos à pele ou à saúde. A indústria cosmética comumente utiliza diversos ativos com ação antisséptica como, por exemplo, alguns óleos essenciais, como o óleo de melaleuca, que podem ser uma alternativa ao uso do álcool 70% e podem ser aplicados em produtos como sabonetes e loções hidratantes.

    A aplicação de produtos hidratantes para os cuidados da pele após a antissepsia da pele na prevenção da Covid-19 é essencial para manter a sua integridade. Para melhor resultado, os hidratantes devem combinar agentes umectantes com emolientes e oclusivos, como acontece nos cremes (emulsões hidratantes). Para reduzir o risco de sensibilização por contato, é altamente recomendável usar produtos sem perfume e hipoalergênicos. Os ativos para a manutenção da microbiota da pele também tem grande aplicação nesse cenário.

    Chegou o momento de a indústria cosmética colocar todas as suas armas em jogo e mostrar que manter a integridade da pele é muito mais do que uma questão de beleza, é uma questão de saúde. As revistas científicas estão, em sua maioria, com livre acesso aos artigos relacionados com o Covid-19, então, não hesitem em fazer buscas e conhecer outros agentes que podem ser usados em cosméticos para a prevenção da doença. Lembrando que a legislação determina que os produtos devem ter a comprovação de sua segurança e eficácia, o que também já está disponível nas empresas de testes para cosméticos.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *