Distribuição de Produtos Químicos – Setor revê portfólio, reduz custos e aprimora serviços para manter vendas e margens

Ao dedicar atenção total às operações, foi possível otimizar as despesas com frete e armazenagem. “Revisamos nossa estrutura de armazenamento, reduzindo a dependência de terceiros, e isso foi feito em todos os negócios do grupo”, afirmou. Aliás, o envolvimento de todo o quadro de pessoal na busca por melhorias operacionais, ainda que pequenas, está surtindo efeito, com boa receptividade e resultados. “Conseguimos enxergar os problemas por outros ângulos.”

Para Abrantes, 2014 foi um ano de lições, frustrações e confirmações. “A maior lição que aprendemos foi nunca se envolver com eventos do tipo Copa do Mundo”, disse. O ano também confirmou a necessidade de ajustar cada vez mais o foco na administração do capital de giro e na formação de margens de lucro.

O resultado do ano passado registrou aumento no faturamento, porém com margens mais estreitas, mesmo na área das life sciences. “Alguns negócios tiveram de ser reduzidos, tiveram expectativas frustradas, mas a diversidade de campos de atuação nos ajudou a manter o desempenho”, comentou. Em 2014, segundo Abrantes, o grupo MCassab investiu muito na plataforma de TI, entregando um volume grande de informações aos vendedores, em tempo real, apoiando as negociações. A política de estoques também foi revista, adaptando-se ao mercado. “Em geral, os clientes estão picando cada vez mais os pedidos, trabalhando com estoques mínimos, e isso exige agilidade e capacidade logística para atendê-los”, salientou.

A expectativa de Abrantes para 2015 não é muito diferente da consolidada em 2014. “Alimentos e nutrição animal estão indo muito bem, assim como as áreas de life sciences, mas as empresas ligadas ao setor automotivo, construção civil e tintas estão sofrendo muito”, avaliou. O ambiente de negócios está dominado pela cautela dos consumidores e pelo crédito de custo cada vez mais elevado.

Abrantes avalia que a distribuição química costuma atravessar os períodos de crise sem maiores problemas, por ser diversificada e competente. “Quem tem capital adequado ao tamanho das operações consegue superar essas fases”, disse.

Ele entende que a prestação de serviços se tornou uma parte integrante do negócio da distribuição e não pode ser reduzida. “Os clientes querem serviços, mas o distribuidor precisa ser eficiente para prestá-los”, advertiu. A composição do mix de produtos, por exemplo, exige atenção constante, para evitar os itens que demoram a encontrar compradores, formando a “cauda longa” nos gráficos da administração.

A política de estoques e serviços depende do alinhamento estratégico com as distribuídas, mas se apoia no acompanhamento das cadeias produtivas. “Sempre avaliamos os mercados precursores; a tendência global é de aumento nas comidas prontas e alimentos funcionais, então sabemos que a produção de alimentos é um mercado firme no qual vale a pena investir”, exemplificou. Nesse sentido, o ramo dos cosméticos tende a abrir as portas para produtos anti-idade e de cuidados com a pele, pois a população está envelhecendo.

“Ainda há espaço para crescer, caso a economia nacional ofereça alguma previsibilidade, o país voltará a andar para frente”, considerou.

Química e Derivados, Krueder prevê crescer com novos produtos e mercados
Krueder prevê crescer com novos produtos e mercados

Crescimento orgânico – Períodos de crise tiram as empresas da zona de conforto e as obrigam a buscar melhores soluções para seus negócios, como observou Jan Krueder, presidente da Química Anastácio. “A comunicação com os clientes é fundamental, porque eles estão precisando de ajuda para obter desempenho melhor nas suas operações e o distribuidor pode fazer isso oferecendo logística diferenciada e uma cadeia de suprimentos mais eficiente, por exemplo”, comentou.

Ele concorda que o momento é de pressão contra as margens, pois a demanda total por produtos caiu, enquanto a oferta global segue ampla, sem restrições. “Os clientes não sentiram um baque muito grande com a variação cambial porque as commodities estão com preços baixos em termos históricos”, explicou.

A Química Anastácio registrou aumento de vendas de 14% (em reais) em 2014, abaixo da meta inicial, de 20%, mas muito positiva dadas as condições de mercado. “Em 2015, estamos operando com aumento de 15% nas vendas, claro que isso embute uma parcela da variação cambial, mas é bom”, avaliou.

A estratégia da distribuidora é crescer mediante a introdução de novos produtos e pela entrada em novos segmentos de mercado. Iniciados em 2013, os negócios com nutrição animal estão evoluindo rapidamente, segundo Krueder, e a empresa busca mais espaço na indústria de artefatos de borracha e nas fragrâncias, iniciando neste ano a oferta local de produtos da britânica Fragrance Oils. “Temos mais de cem itens de especialidades para cosméticos, como anticaspa, bactericidas, filtros solares e conservantes”, comentou. A linha contempla as ceras naturais da Strahl&Pitsch (desde 2014) e as sílicas especiais da Huber. Distribuidora também opera com aminas especiais da Air Products.

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