Meio Ambiente (água, ar e solo)

Processos Oxidativos Avançados – Indústria e universidade difundem uso de POAs para destruir contaminantes

Marcelo Furtado
16 de novembro de 2011
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    Segundo o professor Luiz Teixeira, talvez o maior caso de uso de radiação UV com peróxido de hidrogênio ocorre em São Paulo, por meio de trabalho na companhia estadual de saneamento, a Sabesp, em tratamento de água de abastecimento. Já há alguns anos, a Sabesp desenvolveu um processo de oxidação avançada para remover microalgas de água de represas, nos locais de captação, empregando peróxido de hidrogênio e a fotoativação da luz solar. A Peróxidos cooperou com o trabalho desenvolvido por técnicos da companhia de saneamento.

    A necessidade da Sabesp é combater as florações de cianobactérias (microalgas potencialmente tóxicas), fruto da eutrofização das represas (enriquecimento da água superficial com nutrientes como fósforo e nitrogênio presentes em descartes de esgoto), causadora de um gosto ruim na água fornecida em São Paulo. Pequenas embarcações fazem dosagens pré-programadas do peróxido de hidrogênio em pontos próximos da captação – a 2 mg/l sobre 1 metro de profundidade nas águas superficiais –, o qual sob efeito da luz solar se dissocia em radicais hidroxila. Em estudo realizado por biólogos da Sabesp, que simulou em bancada as condições naturais dos mananciais, a ação da luz solar em determinadas horas do dia aumentou em até 71% a remoção das microalgas pelo peróxido de hidrogênio, em comparação com momentos sem a ação da radiação natural dos raios UV. É bom acrescentar que o estudo foi feito de forma comparativa também com outro algicida empregado para o mesmo fim, o sulfato de cobre – atualmente proibido por resolução do Conama –, que também mostrou melhorias de até 31% quando sob efeito da luz solar.

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    Teixeira: pesquisas voltadas para o tratamento de água e efluentes

    O uso do peróxido de hidrogênio em corpos d’água superficiais tem a vantagem de, por si só, não gerar subprodutos (apenas água e oxigênio), ao contrário do que ocorre com o sulfato de cobre, um metal cumulativo que fica nos sedimentos. Mesmo assim, segundo informações da Sabesp, há uma tentativa de restringir o seu uso em mananciais por meio da criação de uma portaria normativa federal, motivada por um cuidado ambientalista um pouco extremado, reticente com o uso de insumos químicos diretamente em corpos d’água. Ocorre que, enquanto as represas não pararem de receber esgotos clandestinos, fica difícil combater esse problema de outra forma. Tanto é assim que a Sabesp apenas conseguiu resolver a questão das microalgas com esse POA.

    Apesar da não toxicidade do peróxido de hidrogênio, Teixeira afirma que a degradação oxidante de compostos orgânicos precisa ser avaliada em cada caso, para se identificar os subprodutos. “É preciso conhecer os filhotes do contaminante, para saber se eles não são piores do que os pais depois de degradados”, disse. Por isso que, segundo ele, em tratamento de efluentes com POAs o tratado precisa passar por teste de ecotoxicidade, antes da partida do tratamento. Além disso, é comum também se colocar uma barreira final com carvão ativado depois da oxidação, para adsorver residuais da degradação dos compostos.

    Mas, pesando os prós e contras, Teixeira considera que a pré-oxidação com POA tem muitas vantagens. Em primeiro lugar, diminui a quantidade de cloro na água e em consequência evita a formação de trihalometanos e cloraminas geradas pelo halógeno em excesso. Depois, inativa microalgas (cianobactérias) e moluscos (mexilhão dourado, uma praga no sul do Brasil), melhorando o gosto e o odor da água de abastecimento. “E, além disso, os POAs removem microcontaminantes, não eliminados pelo tratamento convencional com cloro, preocupação muito incipiente no Brasil, mas comum nos Estados Unidos e Europa”, disse. Esses microcontaminantes não são enquadrados pela legislação de controle, como os gerados pela ingestão de fármacos pela população, por exemplo, contidos no efluentes domésticos e que não são degradados pelo tratamento de água convencional.

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    Locatelli: sistemas inovadores de POAs com luz solar e metais de elevada oxidação

    Uso do sol – O aproveitamento do sol em processos oxidativos não se resume apenas a seu uso como catalisador do peróxido de hidrogênio. Pelo menos não se depender de uma corrente de pesquisa que envolve um PhD do laboratório de química ambiental da Unicamp, Marco Locatelli, que há um ano criou uma empresa de consultoria específica para aplicação de POAs, a Redox Ambiental.

    Segundo revelou Locatelli, a linha de pesquisa, um dos temas de seu pós-doutorado no LQA-Unicamp, é usar a luz do sol e um reagente, em desenvolvimento no laboratório e sob segredo, que gera os radicais livres para degradação de contaminantes em efluentes. “Estamos com grandes esperanças nessa tecnologia, que pode ser uma saída de custo muito baixo, para regiões com alta disponibilidade de sol”, afirmou. Conforme o pesquisador, a tecnologia já foi testada para remoção de cor de efluentes têxteis e para fenol. Em ambas se saiu muito bem. As próximas etapas da pesquisa envolvem o domínio da aplicação em escala real e devem gerar patente no futuro.



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