Alimentos e Bebidas

Processos melhorados deixam rótulos limpos – FiSA 2019

Renata Pachione
14 de outubro de 2019
    -(reset)+

    Química e Derivados - Processos melhorados deixam rótulos limpos - FiSA 2019

    FiSA 2019: Ingredientes seguros e processos melhorados deixam rótulos limpos

    Termos como plant based e clean label ecoaram como um mantra entre os expositores da Food Ingredients South America – FiSA, realizada entre os dias 21 e 23 de agosto, no Transamerica Expo Center. Mais do que uma tendência, o movimento em prol da naturalidade consagrou os alimentos à base de vegetais e os produtos com rótulos considerados limpos, ou seja, com pouco ou quase nenhum aditivo químico.

    “O consumidor quer um produto como o que a vovó fazia”. Essa fala de Laurence Botinhon, gerente da Kraft Heinz, proferida na abertura do congresso Summit Future of Nutrition, resumiu o clima do evento. Na ocasião, especialistas da indústria de alimentos foram unânimes ao reconhecer que o conceito clean label criou um novo paradigma para o setor. Hoje restritos a um nicho, os produtos com esse perfil seguramente responderão por uma parcela significativa do mercado de ingredientes. “O clean label não tem volta. Ele vai crescer forte no futuro”, Botinhon ressaltou.

    A falta de regulamentação para essa categoria entrou na discussão. Segundo Botinhon, trata-se de um entrave, sobretudo porque essa lacuna dificulta a comunicação com o consumidor. Aliás, ter transparência e fluidez no diálogo com a sociedade é de suma importância para o avanço da indústria de alimentos, defendeu Sergio Pinto, executivo de novos negócios e inovação da BRF. Para ele, o consumidor quer saber o que está ingerindo e quais benefícios a alimentação lhe trará.

    Por falar em regulamentação, o coordenador técnico do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Raul Amaral, propôs uma reflexão. Segundo ele, é preciso ter em mente que se o alimento foi aprovado para consumo ele é seguro e não contém veneno, como muitos aditivos vêm sendo estigmatizados. A referência se deu em relação a conservantes e emulsificantes. “O regulatório precisa ser respeitado”, frisou.

    A importância de ter domínio sobre a tecnologia de processo e de embalagem foi outro ponto chave da conversa. “A indústria não é feita somente de ingredientes”, destacou Renata do Nascimento, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Seara. Segundo ela, para desenvolver produtos naturais, é preciso ter este conceito bem claro. Como exemplo, expôs um case da Seara. A companhia desenvolveu linhas de salsicha e linguiça sem a utilização de fosfato, apenas explorando o processo.

    “Tem muita modificação física que podemos fazer sem entrar na transformação química”, corroborou Adriana Rached, diretora de estratégia e desenvolvimento de negócios da Ingredion. Juliana Lofrese, gerente de Nutrição, Saúde & Bem-Estar da Nestlé, endossou a ideia. “As novas tecnologias têm ajudado muito. Hoje não preciso de um edulcorante para fazer um produto sem açúcar”, afirmou.

    Química e Derivados - Proteína de ervilhas Tupro foi apresentada pela DuPont

    Proteína de ervilhas Tupro foi apresentada pela DuPont

    Inovações – Na categoria de carnes, Renata apontou alguns avanços, como os produtos conservados e produzidos com ingredientes 100% naturais da Seara. Não por acaso, a linha Nature, de produtos cárneos feitos sem conservantes e sem aditivos, foi a vencedora na categoria de Produto Mais Inovador da Fi Innovation Awards 2019, premiação dos desenvolvimentos mais inovadores da indústria de alimentos, realizada no primeiro dia da exposição.

    O segundo lugar ficou com o hambúrguer vegano da Superbom. Ele apresenta aroma, sabor, cor e textura semelhantes ao de origem animal e traz o apelo plant based, por ser feito à base de ervilha. A terceira colocada foi a Best Veja, da Atlhetica Nutrition. Trata-se de uma proteína vegetal que conta com adoçantes naturais e baixa dosagem de sódio.

    A premiação contemplou ainda o ingrediente funcional mais inovador. A Naturex consagrou-se campeã e vice-campeã na categoria. O primeiro lugar ficou com o Ultimine, fonte de ferro orgânico produzido mediante um processo patenteado de fermentação do koji (Aspergillus oryzae). A segunda colocação foi do TurmiPure Gold, extrato de cúrcuma padronizado em curcuminoides e formulado para ter a mesma funcionalidade de um extrato de cúrcuma convencional, porém em dosagens cinco vezes mais baixas.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *