Preservação e conservantes de produtos cosméticos – ABC

Este trabalho tem por objetivo mostrar como escolher a melhor preservação para um produto cosmético.

O melhor sistema conservante implica a melhor dosagem, com o menor impacto toxicológico pelo maior tempo de vida médio do produto.

Este trabalho também descreve como deve ser o sistema conservante ideal, os cuidados com a água e com as normas de manufatura.

Cita os problemas críticos quando há contaminação microbiológica, suas causas primárias e como deve ser enfocado o problema microbiológico quando ele aparece.

Comentaremos também, sobre as tendências do sistema conservante, e como é possível preservar, sem os conservantes de ofício.

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    Introdução

    Com este trabalho, acreditamos estar agregando valor aos mercados que convivem com os problemas microbiológicos, sabedores que os microrganismos atuam de maneira discreta, mas quando identificados nos produtos finais já comprometeram a marca do produto, bem como a companhia que fabrica este produto.

    Neste trabalho, procuramos refletir uma vasta experiência de atuação neste segmento de mercado, buscando agregar informações no sentido de mostrar como minimizar o seu uso, de tal maneira que haja o menor dispêndio em termos de custo e uma otimização da produtividade e do lucro, levando em consideração este problema macro.

    A integridade do produto final deve ser assegurada em todo o processo de fabricação. Começando pela água e terminando com a embalagem e armazenamento.

    Assim sendo, o cuidado com a água, com as boas normas de manufatura, o cuidado na embalagem e armazenagem, a assepsia do processo e o sistema conservante são partes integrantes deste processo.

    E hoje, mais do que nunca, enfatiza-se que os produtos não devem causar impacto ambiental, e devem ser autossustentados.

    Ou seja, não podemos perder o novo conceito de beleza azul (Blue Beauty).

    Todo este processo de controle dos micro-organismos dentro da indústria está ligado à satisfação do consumidor final, que não terá surpresa no consumo do produto, podendo assim, desfrutar de seu propósito, sendo ele um shampoo, ou creme com aplicação especifica.

    I – Micro-organismos: um problema macro

    • A matéria-prima principal – Água

    Qualquer que seja a indústria, desde que haja algum processo via úmida, ou que tenha influência de umidade, a água, é sem dúvida, a matéria principal e cada vez mais escassa nas condições necessárias para o processo.

    Todavia, a água só é vista como matéria-prima estratégica quando há problemas microbiológicos ou escassez, seja para uso doméstico ou industrial.

    No caso das indústrias cosméticas, a água é extremamente estratégica do ponto de vista de processo, bem como da qualidade deste processo.

    Se a água não atender as especificações físico-químicas, de tal forma que satisfaça as necessidades do produto final, e se não atender às especificações microbiológicas, quantidade de no máximo 100 ufc/ml (unidade formadora de colônia por mililitro) de micro-organismos (bactérias totais, fungos e leveduras), tendo como adequados valores abaixo de 10 ufc/ml, não haverá produto final com qualidade. Não haverá boas práticas de fabricação.

    O sistema conservante estará longe do ideal.

    Há uma longa discussão se é necessário que a água atenda aos padrões da farmacopeia. Quero lembrar que, no caso da indústria cosmética, é importante que a água atenda às necessidades do produto, que não altere física e quimicamente o produto final.

    Se o produto final for feito com água pura ou não, não importa, desde que o produto final atenda às características físico-químicas pré-definidas.

    • O controle principal – Microbiológico

    Embora haja controles de rotina, tais como pH, viscosidade, sólidos, cor, aroma, estabilidade, etc., o controle principal é o microbiológico.

    A razão é simples: se houver contaminação microbiológica, todas as análises de rotina estarão comprometidas, pois o pH, a viscosidade, a cor, o aroma, a estabilidade, etc., estarão alterados devido à ação dos micro-organismos.

    Assim sendo, o controle microbiológico deve estar presente em todas as fases críticas do processo, principalmente no controle da água, da fabricação, da embalagem e no monitoramento do produto final (amostragem) no cliente final.

    O controle físico-químico é uma medida instável, caso não se faça o controle microbiológico.

    Controle Microbiologico

    Controle Físico-Químico

    • Custo não visto que compromete a qualidade e a empresa no longo prazo – Micro-organismo

    O custo das boas normas de manufatura, do tratamento de água adequado e da armazenagem adequada não é custo, é investimento. Investimento na qualidade, na preservação do maior ativo da empresa que é o consumidor final satisfeito, investimento na integridade do produto que é o vetor do consumidor final satisfeito.

    Qual seria o custo da retirada de um produto do mercado final por problema de qualidade que geralmente é devido à ação dos micro-organismos?

    E se esta retirada se deve a uma reclamação do consumidor final pelo fato do produto ter perdido seu perfume original, ou sua viscosidade, ou a cor ter sido alterada?

    Ou finalmente, por não ter atingido sua função como produto?

    O custo não se restringe apenas ao seu valor como produto, ou ao valor da sua retirada do mercado, ou às perdas de matérias primas.

    O custo principal pode ser a perda da credibilidade da companhia produtora deste produto e dos técnicos que lá trabalham.

    O custo é também o do investimento do tempo e do dinheiro no seu desenho, na sua embalagem, na escolha do perfume, etc.

    O custo pode significar perda de 6 a 12 meses de trabalho e de planejamento. O custo pode ser a perda do mercado, do fluxo de caixa. O custo pode ser o comprometimento da empresa como um todo.

    II – Microorganismos: um problema macro

    • Perda de viscosidade
    • Aroma alterado
    • Coloração diferente
    • Embalagem estufada
    • Irritação dérmica

    Os micro-organismos são os responsáveis pelos problemas acima, como consequência da ação microbiológica.

    Os micro-organismos são capazes de manchar até superfícies vítreas, catalisar os processos de corrosão, principalmente a corrosão microbiológica. O verniz interno de algumas embalagens nem sempre são resistentes à ação microbiana.

    III – Primeiras causas hipotéticas

    • Conservante não funciona

    Quando o técnico é novo dentro da indústria, ou quando o profissional com experiência e vivência na indústria, não está presente, é comum se ouvir que o conservante não está funcionando.

    Neste momento, é comum se ouvir também que quando se usava um outro sistema conservante não havia este tipo de problema. Neste instante, começa a se discutir, também, como foi feito o teste de desafio, quem fez, como fez, com quais tipos de bactérias foi utilizado? Enfim, quem é o vilão da história?

    • Matérias-primas contaminadas

    Ao fornecedor da matéria-prima e dos ativos, é perguntado se a companhia faz controle microbiológico dos seus produtos, ou se aquele lote específico não estava com problema.

    O fornecedor de matéria-prima deve ter amostras de retenção e fornecer o laudo de controle microbiológico de seus produtos.

    A indústria procede à verificação de todas as matérias-primas. Uma verdadeira caça às bruxas. Neste instante, começa também a indagação da qualidade da água e de como são a boas práticas de fabricação (BPF)

    • O perfume perde a eficiência

    Ao fornecedor de fragrâncias cabe justificar por qual razão o aroma final alterou-se.

    • A embalagem está contaminada

    Ao fornecedor de embalagem cabe justificar por qual razão a embalagem estufou. Pergunta-se se os materiais usados para confecção da embalagem foram os mesmos.

    De maneira geral, as primeiras hipóteses dos problemas são direcionadas aos fornecedores de conservantes, de matérias-primas (ativos), de fragrâncias ou de embalagens.

    A atitude dos fornecedores deve ser de parceria e de ajuda aos técnicos da indústria de maneira pró-ativa para identificar o(s) problema(s) de maneira rápida e eficiente.

    Caso contrário, os fornecedores estarão perdendo um cliente significativo, além de fechar a porta para a incorporação de novas soluções para os problemas de outros clientes ou indústrias.

    • O operador não dosou a quantidade correta

    Questiona-se, tambem, a quantidade adicionada de conservante ao produto. Foi a quantidade correta? É importante questionar a compatibilidade físico-química do produto, bem como a homogeneização do produto na batelada produzida.

    IV – Avaliando o problema e ações

    • Água

    O objetivo aqui é enumerar os fatores que influenciam a qualidade da água de processo usado para a manufatura de produtos cosmético, de higiene pessoal e fragrâncias.
    E, também, quais são os padrões de qualidade da água para a produção específica de determinados tipos de produtos.

    Embora a água potável possa ser usada para muitos propósitos, o número de microrganismos permitido (500 ufc/ml) pode ser a fonte de contaminação para muitos sistemas de manufatura.

    É responsabilidade do fabricante estabelecer o número máximo de microrganismos existentes na água a ser usada no seu processo de fabricação em concordância com os produtos por ele produzidos.

    Até por questões de saúde do consumidor, o fabricante não deveria só estabelecer o número máximo de microrganismos, mas também identificar os microrganismos presentes no seu sistema. A quantidade máxima de microrganismos, como dito acima, deve ser menor do que 10 ufc/ml.

    • Higienização – Limpeza & Assepsia

    Quando os testes estabelecidos indicam populações microbiológicas acima dos níveis permitidos ou quando significativas mudanças ocorrem, os seguintes pontos devem ser considerados:-

    1. Determinar a origem dos microrganismos. Os leitos de resinas de troca iônica, as caixas de água, os sistemas de dosagens, as válvulas, os filtros e os sistemas de medidas podem ser as fontes de contaminação;

    2. Limpar e sanitizar as fontes de contaminação em toda as partes do sistema.
    É desejável que toda água usada nos processos de manufatura de todos os produtos cosméticos, de higiene pessoal e fragrâncias deva ter o menor nível microbiológico possível. É responsabilidade do fabricante determinar as consequências que possam advir dos níveis de microrganismos e seus efeitos no processo de manufatura de qualquer produto.

    Métodos de sanitização a serem considerados:-

    1. Desinfecção química;
    2. Aquecimento – por aquecimento de água entre 80 e 90 graus Celsius;
    3. Luz ultravioleta – para o sistema de água desmineralizada;
    4. Membrana de filtração – Consultar fabricantes;
    5. Ozonização ou cloração;
    6. Pessoal – Treinamento adequado das pessoas envolvidas com o processo de sanitização e controle microbiológico.

    • Boas práticas de fabricação

    O Programa de Qualidade Assegurada é baseado nas boas normas de manufatura e higienização para assegurar a satisfação do consumidor final.

    As boas normas de manufatura e sanitização foram preparadas para dar assistência aos produtores de cosméticos e para estabelecer e manter o necessário Programa de Qualidade Assegurada.

    Cada companhia deve estabelecer o programa de procedimento bem como o programa de treinamento para atender a necessidade especifica de cada área do processo. Cada companhia deve se familiarizar com as legislações para implementar as boas normas de manufatura e limpeza.

    As boas normas cobrem os seguintes pontos:-

    • O local de manufatura

    Todas as aberturas e sistemas de drenagem devem ser protegidos de poeira, coloides, insetos, odor e efetivo controle do material fora de especificação.

    O piso deve ser construído de forma a minimizar o acumulo de respingos e sujeira, facilitando a limpeza.

    Sistema de ventilação mecânica deve ser projetado para minimizar a disseminação de contaminantes que pode deteriorar os produtos já fabricados ou que contaminem as pessoas.

    A iluminação deve ser adequada em todo o processo, embalagem e armazenagem para facilitar o processo de limpeza. Exame periódico deve ser conduzido por pessoal competente e treinado em praticas de exterminação.

    Deve-se tomar cuidado extremo para assegurar que não haverá contaminação das matérias-primas, embalagens ou equipamentos pelo material usado para exterminação. Material usado para extermínio deve ser estocado em área separada, fechada e claramente identificada.

    • Praticas e serviços dos empregados

    Toalete, vestiários e pias devem ser acessíveis à área de trabalho e mantidos limpos e em boas condições, bem iluminados e ventilados.

    As pias de higiene de mãos devem ter água quente e fria, sabonetes e toalhas descartáveis.

    Devem existir placas colocadas em locais bem visíveis solicitando a lavagem das mãos antes de começar ou recomeçar o trabalho.

    Água para beber deve ser potável, bem limpa e convenientemente sanitizada. Refeitórios e locais para café devem ser mantidos em excelentes condições sanitárias e em ordem.

    Não devem ser consumidos alimentos ou líquidos fora dos refeitórios ou cafeterias que devem ser bem separadas do processo de manufatura e embalagem.

    As pessoas não devem fumar, expectorar, pentear cabelo, limpar a roupa ou qualquer ato não higiênico quando estiverem na área de manufatura, embalagem e armazenagem dos produtos.

    As pessoas devem estar vestidas de maneira compatível com as práticas de boa norma de manufatura. Os mesmos procedimentos devem ser solicitados aos visitantes.

    • Disposição dos materiais fora de especificação

    Todo material recusado ou fora de uso deve ser colocado em contenedores apropriados e removido de acordo com as legislações e regulamentações para garantir as boas normas de manufatura.

    • Métodos de limpeza e sanitização

    • Sistema de Conservação – Compatibilidade (Química e Física)

    Ações

    • Água – Química e fisicamente compatível com o produto final e o mínimo de bactérias para atender ao sistema
    • Discutir de maneira profunda tudo o que envolve o sistema de limpeza e sanitização
    • Sistema de conservação – produto compatível (não irritante, baixo nível de uso, baixo nível de impureza)

    Sebastião D. Gonçalves - Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

    V – Conservante = f(ingredientes do produto)

    • O Conservante não pode ser

    C = f (Ingredientes do Produto, Água, Embalagem, Condições de Processo, Condições de Manuseio)

    O sistema conservante deve ser, compatível com os ativos do produto, bem como compatível com a aplicação desse produto. O sistema conservante deve proteger o produto na embalagem e durante a vida do produto enquanto a embalagem estiver aberta, observando as condições em que o produto será guardado na casa do consumidor final, sem causar nenhum tipo de alergia ou reação ao consumidor final, ou seja, o sistema conservante deve proteger o produto e ser totalmente inócuo ao consumidor final. Caso haja algum problema de assepsia ou sanitização, provavelmente as causas podem ser:-

    • Água
    • Condições de processo
    • Embalagem
    • Condições de manuseio
    • Armazenagem
    • Incompatibilidade físico-química

    Então, haverá provavelmente uma contaminação no processo, que em muitos casos se procura corrigir com uma carga de conservante de tal maneira que possa “sanitizar” o produto.

    Neste caso, o conservante pode estar sendo usado acima dos níveis recomendados e pode passar a ser um provável agente de alergia, ou de incompatibilidade com a aplicação final.

    O conservante, neste caso, usado com duas funções, passa a comprometer a integridade do produto e sua aplicação final.

    Se há algum problema de contaminação microbiológica, deve-se identificar onde está a causa ou as causas, seja na água, nas condições de processo, nas embalagens, nas condições de manuseio e armazenagem.

    E uma vez identificado, tomar as ações necessárias para erradicar o problema através de treinamento, controle microbiológico, melhoria no processo de tratamento de água, do processo de manufatura e melhoria na assepsia e sanitização nos pontos necessários.

    VI – O sistema conservante ideal

    • Amplo espectro

    O sistema conservante ideal deve ser de amplo espectro, ou seja, deve controlar bactérias Gram positivas e Gram negativas.

    • Compatibilidade química/física

    Ter compatibilidade química e física com os ingredientes da formulação, o ideal neste caso é que o conservante seja não iônico, embora em muitos casos isso não seja possível.

    • Não cause irritação

    O sistema conservante ideal deve ter sua ação restrita a conservar o produto, sem causar nenhum tipo de irritação ou alergia no consumidor final.

    • Baixo nível de dosagem

    A dosagem deve ser a menor possível, para que o consumidor final tenha a maior quantidade possível do produto havendo uma maximização da sua funcionalidade.

    • Ampla faixa de pH

    O sistema conservante deve atuar em ampla faixa de pH de tal maneira que possa ser usado no processo desde o inicio da fabricação até o seu término, pois neste caso o produto já começa a atuar de tal maneira que, caso haja necessidade de se parar o processo por alguma, razão os produtos intermediários estarão protegidos.

    • Fácil manuseio

    O manuseio tem que ser fácil, mas é bom ressaltar que sempre que se estiver trabalhando com biocidas é necessário tomar todos os cuidados necessários, tais como botas, avental, óculos de proteção ou protetor facial e luvas compatíveis com o material que se está manuseando. Chuveiro e lava-olhos sejam de fácil acesso ao operador.

    • Baixo nível de impurezas

    E, finalmente, o baixo nível de impurezas é fundamental, pois as impurezas podem gerar nitrosaminas e oxidantes, e, mais, os agentes de estabilização para diminuir as impurezas podem ser incompatíveis com as matérias-primas usadas.

    O Sistema conservante ideal

    • O sistema conservante não pode ser ao mesmo tempo agente de assepsia e conservante.
    • O agente de assepsia tem ação de curto prazo e não deixa resíduo
    • O sistema conservante atua no médio e longo prazo, impedindo o crescimento microbiológico.

    VII – As polêmicas

    • Isotiazolinonas
    • Alergicidade
    • Nitrosaminas
    • Parabenos
    • Câncer de Mama
    • Diminuição de esperma
    • Liberadores de Formaldeído
    • Cancerígenos
    • Triclosan -TCC
    • Poluente ambiental
    • Seleciona microrganismos
    • Altera a flora da pele
    • Iodo Propil Metil Carbamato
    • Halogênio
    • Seleciona microrganismos
    • Poluente ambiental
    • Bronopol
    • Halogênio
    • Radicais livres
    • Nitrosamina (pH acima de 6,2)

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      VIII -Tendências do sistema conservante

      Hoje, na Europa, as companhias trabalham no sentido de diminuir ou “zerar” a dosagem de biocidas, agentes de assepsia, conservantes, desinfetantes, com o objetivo de não criar problemas de impacto ambiental e nem toxicológico sobre os consumidores finais, a fauna e a flora. Evitar problemas ambientais, nominando o ar, o solo e a água, é o conceito de beleza azul (Blue Beauty).

      A estratégia de preservação é deixar a formula inóspita ao crescimento microbiológico, porem compatível com o usuário do produto final, entregando benefícios específicos, como hidratação, antienvelhecimento, proteção solar.

      Observa-se nos produtos cosméticos sistemas conservantes considerando antioxidantes, emolientes e tensoativos como parte da estratégia de preservação. Quando há necessidade de um conservante de ofício, normalmente é o fenoxietanol, cujas propriedades satisfazem a temperaturas até 80ºC e pH de 2 a 11. O uso de outros ativos, que não nominados conservantes, embora tenha efeito conservante, complementa a ação do fenoxietanol.

      Para qualificar o sistema conservante é muito importante o teste de desafio.

      Sempre é importante considerar que, para haver o melhor sistema conservante, é necessário verificar as seguintes condições:

      • Água com controle microbiológico abaixo de 10 ufc/ml-
      • Boas práticas de fabricação
      • Armazenagem adequada
      • Limpeza e sanitização com amostragem de controle microbiológico de no máximo 10 ufc/ml
      • Sistema Conservante compatível com o produto e com o uso deste produto

      O Sistema Conservante elaborado dentro das premissas adequadas:

      • Diminui Custo
      • Diminui problemas de qualidade
      • Satisfaz o consumidor final
      • Satisfaz a legislação
      • Aumenta a lucratividade no médio e longo prazo
      • Todos dormem tranquilos

       

      IX – Novas Fronteiras

      As novas fronteiras nos levam à expansão das novas necessidades do consumidor final. No início, era só a preservação, depois a questão toxicológica, em seguida a questão ambiental e, depois, a preocupação com os biomas e microbiomas.

      E junto, vêm as formulações seguindo essas novas tendências, como produto Vegano, Orgânico, Natural, sem conservantes, e aí vai a procura de novos ativos, ecologicamente aceitos. No entanto, os produtos precisam ser preservados, e como preservá-los?

      Nesta evolução, surgem outras questões, como a desrrupção endócrina, pró-bióticos, pré-bióticos, produtos que não estão enquadrados dentro da legislação, porém com demanda para consumo. Para termos uma ideia, nem a nossa legislação, acompanha esta evolução.

      A base pra que isto possa ocorrer compreende:

      • Água
      • Limpeza e sanitização
      • BPF
      • Validação

      Não é possível trabalhar nesta nova tendência, sem termos implementado as melhorias necessárias, preconizadas na RDC 48, principalmente quando se fala em “Validação”.

      Nesta evolução, no seu bojo, deve aparecer também o conceito sobre o “Risco”. Não podemos de forma alguma correr o risco que as novas fórmulas sejam contaminadas, tragam problemas toxicológicos e ambientais. Além de ter custos compatíveis com os consumidores.

      E a preservação dos produtos usados em nosso microbioma:

      • Não deve influenciar a microbiota
      • Devem ser inócuos em termos químicos
      • Devem garantir a armazenagem e o uso durante o seu consumo
      • Manter um estado de equilíbrio sem influenciar qualquer alteração, promovendo o bem-estar
      • Não mudar ou modificar DNA, ou gene, e nem causar sensibilização ou irritação
      • Fácil transporte
      • Fácil manuseio

      Então, na verdade, o trabalho deve ser no sentido de ter matérias que não se deteriorem durante o uso. Essa deterioração é a junção de alterações físico-químicas e microbiológicas. Assim, o conceito de preservação e estabilidade físico-química se fundem.

      Preservação e Estabilidade, em formulações cosméticas, consistem na garantia de que um produto não terá suas características originais alteradas, de forma que mantenha suas condições previstas de uso até o tempo estimado para sua vida útil.

      X – Como diminuir a dependência dos conservantes

      Para que haja uma independência dos sistemas conservantes de oficio, é necessário trabalhar a formulação e testar a sua eficiência em termos de estabilidade e preservação.

      Na natureza os materiais são estáveis, pois estão num nível de equilíbrio energético estável. Por esta razão, não sofrem deterioração, duram um tempo razoável, alguns, podemos dizer, são eternos.

      O homem, quando vai à natureza, buscar matérias-primas, precisa modificá-las para poder usá-las. Nesta mudança, na maioria das vezes de estado físico e ou químico, o homem usa energia.

      Por exemplo, a mudança do minério de ferro, alumínio, cobre, etc. Há outros exemplos, tais como, caulim, carbonato de cálcio. Outros exemplos, como fermentação na fabricação de iogurte, pão, alcool e outros.

      Dependendo do insumo, ou da matéria-prima, a transformação deixará o produto susceptível à deterioração. Então, quando formulamos um produto, temos como preocupação principal a sua estabilidade e sua preservação, para que possamos usá-lo por um período.

      Alguns exemplos: aço inoxidável, lactobacilos vivos, produtos alimentícios e cosméticos.

      Para que o produto cosmético tenha melhor estabilidade físico-química e microbiológica, precisamos do seguinte:

      • Meio ligeiramente redutor
      • Poucos núcleos disponíveis
      • Meio + ácido
      • Mais estabilizadores
      • Antioxidantes
      • Emolientes
      • Quelantes
      • Diois
      • Sem polissorbato
      • Sem aminas livres

      Com as condições acima, teremos uma melhor estabilidade físico-química e um meio ligeiramente redutor, tendo, na verdade, o seu menor potencial de oxi-redução. Conseguindo esta condição, o produto sofrerá menos deterioração, sem o uso de conservantes ditos de ofício.

      XI – Validação do sistema conservante

      A validação do sistema conservante é feita com o teste desafio. Tem como objetivo avaliar a eficácia do sistema conservante necessária à proteção satisfatória do produto, desde a fabricação até sua utilização pelo consumidor.

      Para fazer o teste desafio é necessário levar em consideração algumas variáveis que influenciam o desempenho do sistema conservante, tais como:

      • Formulação e sistema conservante – compatibilidade físico-química entre os componentes da formulação e o sistema conservante;

      • Tipo de embalagem – alguns tipos de embalagens aumentam a exposição do produto em relação ao ambiente e possibilitam contato maior entre o conteúdo da embalagem e o consumidor; como exemplo, o uso de potes. Outros dificultam este contato, como as bisnagas;

      • Exposição do produto ao ambiente, desde à fabricação até a sua utilização – uso de sala limpa, e ambientes protegidos;

      • As boas práticas de fabricação – aplicação das boas práticas e suas constantes inspeções, bem como a atuação da garantia da qualidade;

      • Qualidade da água – adotar controles microbiológicos abaixo de 10 ufc/ml

      • Matérias-primas – manuseio adequado, qualificação de fornecedores;

      • Toxicologia e uso do produto – as diferenças do uso do produto, por exemplo, produto infantil, contato com a mucosa, com a pele e olhos.

      • Prazo de validade – pode variar de 1 a 3 anos.

      Devido ao exposto, as dosagens dos conservantes podem variar. Para termos ideia clara da dosagem e do tipo de conservante, deve se fazer o teste desafio considerando as variáveis acima.

      Pode se fazer o teste desafio usando uma, duas, três ou mais inoculações, simulando condições de pressão microbiológica, exposição do produto, bem como o seu tempo de vida.

      Há diferentes entidades recomendando variações no teste desafio, conforme tabela abaixo. No entanto, elas são flexíveis em relação ao teste desafio. Tanto a Colipa como o CTFA comentam em seus respectivos guidelines que o teste desafio deve ser modificado de acordo com as necessidades de cada produto, embalagem, tempo de vida e ambiente de fabricação.

      Algumas delas sugerem o uso de microrganismos do ambiente de fabricação, pois assim avaliará o sistema conservante adequado para que não falhe, mesmo com os microrganismos selecionados e adaptados ao ambiente de fabricação.

      Todavia, é importante a erradicação dos microrganismos adaptados e selecionados, pois assim haverá a otimização da dosagem do sistema conservante.

      Testes desafios – Resumo dos Métodos para Realização do Teste Desafio (Challenge Test)

      Sebastião D. Gonçalves - Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

      Sebastião D. Gonçalves - Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

      Testes desafios – Resumo dos Métodos para Realização do Teste Desafio (Challenge Test)

      XII – Conclusão

      Sebastião D. Gonçalves - Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.
      Sebastião D. Gonçalves – Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

      Esperamos ter conseguido mostrar de forma simples e prática como minimizar todos os problemas de contaminação que há tempos vem comprometendo algumas indústrias de cosméticos.

      A conscientização e o empenho na busca do “Sistema Conservante Ideal“ se refletirão diretamente na qualidade e credibilidade do fabricante, do produto, dos técnicos envolvidos.

      O sistema conservante adequado e qualificado diminui o custo, satisfaz o consumidor final, aumenta a lucratividade e faz com que todos durmam tranquilos, o operador, o técnico, o acionista e o consumidor final. Gera menos entropia e mais entalpia no sistema como um todo.

      E com o uso dos novos conceitos, poderemos ter produtos livres de conservantes, com a melhor preservação possível, atendendo a tendência mundial de fortalecer o nosso microbioma, melhorando a imunologia.

      AGRADECIMENTOS:-
      A Verônica T. Gonçalves, pelos trabalhos de laboratório, e a Vânia Leite, pela inspiração.

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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      Evangelista, J. Tecnologia de Alimentos. São Paulo: Atheneu, 1996. P. 642.

      HAZELWOOD, D.; MCLEAN, A.C. Manual de higiene para manipuladores de alimentos. São Paulo: Varela, 1996. p. 140.

      Riedel, G. Controle Sanitário dos Alimentos. São Paulo: Atheneu, 1996. P. 320.

      SENAI. Departamento Regional do Paraná. DET. Higiene aplicada aos manipuladores de alimentos. Curitiba: Gráfica Senai, 1996. p. 44.

      Silva, E. A. Manual de Controle Higiênico – Sanitário em Alimentos. São Paulo: Atheneu, 1994. P. 385.

      Block, S. Desinfection, Preservation & Sterilization – 5th Edition

      Baseline da ISPE: Pharmaceutical Engineering Guides for New and Renovated Facilities
      Volume 4 – Water and Steam Systems – First Edition / January 2001.

      The United States Pharmacopeia XXV
      Resolução RDC nº 134 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – DOU de 16/07/01

      RDC 48
      Resolução RDC 48 de 2012 – ANVISA

      Guia ABC de Microbiologia – Quinta edição
      2014 – Associaçao Brasileira de Cosmetologia

      Texto: Sebastião D. Gonçalves – Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

      Sebastião D. Gonçalves - Diretor-técnico da ProServ Química Ltda.

      ABC Cosmetologia

      A Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC Cosmetologia), é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 10 de abril de 1973, com objetivo de promover o desenvolvimento da cosmetologia nacional.
      Formada por um grupo de profissionais das áreas de Farmácia, Química e afins, ligados a universidades e empresas de produto acabado e matérias-primas para a indústria de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, a ABC promove atividades tecnológicas, científicas e de regulamentação em prol do setor.
      Mais informações: https://www.cosmetologiabrasil.com/

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