Potassa cáustica – Produção nacional busca ampliar eficiência

Química e Derivados - Vista interna das instalações da Katrium, em Honório Gurgel-RJ
Vista interna das instalações da Katrium, em Honório Gurgel-RJ

Produção nacional garante abastecimento aos clientes e busca ampliar eficiência

O hidróxido de potássio (KOH), também chamado potassa cáustica, ou potassa, é um álcali parecido com a soda, mas é indicado para aplicações mais nobres, nas quais a presença do sódio seria inconveniente. “A demanda pela potassa cresce com o PIB, mas esse mercado tem menos flutuações do que o de soda cáustica”, comentou João César Freitas, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas S.A., maior produtora de potassa da América do Sul. O comentário se refere ao período anterior ao aparecimento da pandemia Covid-19, embora a crise não tenha provocado alterações nesse setor, que opera normalmente.

Química e Derivados - Freitas: agronegócio em alta absorve maior parte da oferta
Freitas: agronegócio em alta absorve maior parte da oferta

A Katrium foi formada a partir dos ativos da antiga Pan-Americana e adquirida pelo grupo internacional Quimpac, com sede no Peru, em 2014. “Isso fortaleceu a Katrium em âmbito global, deu acesso a novas tecnologias e fontes de financiamento no exterior”, explicou José Rosenberg Furer, diretor geral da Katrium.

Como o grupo Quimpac é um grande produtor de soda cáustica, o maior na região do Pacífico da América do Sul, a operação da Katrium foi direcionada exclusivamente para a potassa, concentrando desde 2016 a produção no sítio de Honório Gurgel-RJ. A unidade fabril de Santa Cruz-RJ, que possui instalações para fabricar até produtos de química fina, está funcionando como hub logístico e produz alguns itens. “Fabricamos alguns produtos em Santa Cruz, em baixa escala, e temos projetos em avaliação para serem desenvolvidos por lá”, informou Rosenberg.

O diretor geral salientou que a companhia tem planos de atuar por muito tempo no Brasil, tanto que investiu R$ 150 milhões nas instalações locais entre 2014 e 2019. “Temos um projeto grande pela frente que é a substituição da linha de produção eletrolítica com amálgama de mercúrio pela tecnologia de membrana, a ser realizada até 2025”, salientou.

A planta de Honório Gurgel opera duas linhas de produção: uma com tecnologia de membrana, a outra com amálgama. O projeto prevê a construção de uma terceira unidade, a membrana, com tecnologia atualizada. Quando entrar em operação, a linha de amálgama será desligada definitivamente.

Como explicou Rosenberg, a nova linha eletrolítica deverá proporcionar um acréscimo de capacidade produtiva, mas sua grande vantagem está na maior eficiência, ou seja, consumirá muito menos energia por unidade produzida. “Toda a operação será automatizada, desde o tratamento da salmoura, aumentando a eficiência geral do processo”, disse.



A matéria-prima da Katrium é o cloreto de potássio, que precisa ser importado. A eletrólise do sal gera a potassa, mas também cloro, hidrogênio, ácido clorídrico e, depois, hipoclorito de sódio. A posição geográfica facilita a comercialização do cloro líquido e do hipoclorito de sódio, muito consumido na região, assim como o ácido.

O maior consumidor da potassa é o setor agropecuário, que a emprega na produção de defensivos agrícolas (por exemplo, o glifosato, herbicida mais consumido no mundo, usa a potassa em sua síntese) e fertilizantes foliares. “O mercado agrícola brasileiro está crescendo forte nos últimos anos e isso é bom para nós”, comentou Freitas. Essas aplicações representam a maior parte da demanda habitual desse álcali no Brasil.

O restante se distribui em aplicações industriais, voltadas para mineração e produtos químicos, como os sabões nas formas pastosa e líquida. “O setor industrial acompanha o PIB, foi estável nos últimos anos, porém há mais avanços na formulação de aditivos alimentares sem sódio e também na produção de pneus”, explicou o diretor comercial.

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