Por um futuro sustentável – ABIPLA

Em 17 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Reciclagem e a data, criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a cada ano ganha mais importância e espaço no debate público.

E isso é ótimo.

Precisamos, sim, encontrar caminhos para gerar menos resíduos, além de coletar e reciclar todo o material que possa ser transformado e direcionado para reúso.

Pesquisas apontam que o Brasil recicla de 2% a 3% de todos os resíduos pós-consumo.

É um volume extremamente baixo, mas que esconde exemplos de sucesso.

A reciclagem de alumínio, por exemplo, beira os 98%, o que coloca nosso País como líder mundial no tratamento deste material.

A reciclagem de plástico, por sua vez, tem crescido de maneira consistente na última década e já supera os 20%.

A Abipla, como representante das indústrias dos produtos de higiene, limpeza e saneantes para uso doméstico e profissional, já há alguns anos incentiva seus associados a participar de programas de desenvolvimento sustentável em todo o território brasileiro.

Acreditamos que a reciclagem das embalagens pós-consumo, por meio de ampliação e melhoria da coleta, triagem, beneficiamento, valorização e comercialização, é o ciclo inevitável e coerente a ser perseguido e implementado pelas empresas aderentes à política nacional.

Hoje, posso dizer que todos os nossos associados trabalham com metas de desenvolvimento sustentável – em maior ou menor escala, e isso inclui não apenas a participação em programas de certificação ou o cumprimento de resgate de embalagens.

Temos visto um grande desenvolvimento de fórmulas concentradas, com menores embalagens e excelente rendimento, refis dos mais variados tipos, comprometimento em usar, exclusivamente, embalagens recicladas e até cessar o uso de produtos derivados do petróleo nas formulações.

Fomento – Para estimular a reciclagem em geral, em nosso País, no entanto, é necessário um trabalho conjunto e que envolva toda a sociedade, incluindo empresas, poder público e terceiro setor.

Nossa separação de lixo, por exemplo, ainda não é ideal.

É muito comum impossibilitar a reciclagem de diversos tipos de materiais por contaminação, já que nem sempre as embalagens pós-uso são devidamente higienizadas antes do descarte.

É algo simples, mas que pode comprometer toda a cadeia.

Campanhas educativas, de orientação sobre o descarte correto, podem trazer ótimos resultados, neste aspecto.

E, aqui, o poder público tem grandes ferramentas para desenvolver a reciclagem no País.

Além de investir na questão educativa, os governos têm a possibilidade de criar programas e incentivos de fomento à reciclagem.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, é um passo importante e poderia se alinhar, por exemplo, a benefícios tributários para recicladores ou empresas que se comprometam a utilizar materiais de reúso.

Com incentivos e educação, podemos ver um aumento do número de empresas recicladoras – o que é fundamental, já que a capacidade de reciclagem do Brasil ainda é pequena para alguns tipos de materiais.

E não por falta de vontade do setor de reciclagem.

A verdade é que, dependendo do produto a ser reciclado, são necessários aportes em equipamentos, veículos, aterros, certificações e qualificação profissional. Sem viabilidade econômica, as empresas de reciclagem seguirão receosas em investir os recursos necessários.

E um detalhe importante de todo esse processo é que a reciclagem não faz apenas bem ao meio ambiente.

A economia também é beneficiada, já que milhares de pessoas fora do mercado de trabalho têm a chance de obter uma renda contínua com esse setor.

De acordo com dados do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), há cerca de 800 mil profissionais em atividade, no Brasil, sendo que 70% são mulheres.

Esses trabalhadores são responsáveis por 90% da coleta de todos os resíduos e as estimativas mostram que o número de pessoas que vivem desse trabalho varia de 300 mil a um milhão, conforme o levantamento do MNCR e Departamento de Economia da Universidade Federal da Bahia.

Dessa forma, percebemos que a reciclagem é um mercado que tem muito potencial para desenvolvimento e entendo que é algo em que todos que participam saem ganhando.

Há ganhos ambientais para a humanidade, econômicos para toda uma cadeia de coleta, destinação e reúso de materiais, e até quanto ao cumprimento de obrigações legais, já que os fabricantes devem alcançar suas metas de logística reversa, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Além disso, as práticas sustentáveis estão em plena harmonia com o consumo consciente, cada vez mais valorizado pelos consumidores.

De acordo com a publicação Retratos da Sociedade Brasileira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 38% dos brasileiros procuram saber se as empresas adotam procedimentos para prejudicar o mínimo possível o meio ambiente, como reduzir a emissão de poluentes e a quantidade de resíduos descartados.

Além disso, cerca de três em cada dez consumidores estão dispostos a pagar mais caro por produtos ambientalmente corretos.

Diante de tudo isso, embora o nível de reciclagem em geral no País ainda seja baixo, somos otimistas de que possa dar um grande salto nos próximos anos.

A pauta é sempre tema das reuniões dos fabricantes de produtos de limpeza e tenho certeza de que diversos outros setores começam a se dedicar a entender e se adaptar à reciclagem em suas operações, já que o desenvolvimento sustentável não é uma simples tendência. É uma necessidade.

Vamos em frente!

Química e Derivados - Desenvolvimento e otimismo no setor de produtos de limpeza ©QD Foto: istockPhoto
Paulo Engler da Abipla

Paulo Engler é diretorexecutivo da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla).

Fundada em 1976, a Abipla completa 45 anos em 2021 e representa os fabricantes de sabões, detergentes, produtos de limpeza, polimento e inseticidas, promovendo discussões sobre competitividade, inovação, saúde pública e consumo sustentável.

Seus associados representam o mercado de higiene, limpeza e saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 26 bilhões anuais e responde por 85 mil empregos diretos

ABIPLA

ABIPLA

A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA) foi fundada em 12 de Novembro 1976 com o propósito de representar o setor perante os agentes públicos; promovendo discussões sobre competitividade, inovações, saúde pública e consumo sustentável.

Atualmente, a entidade é referência nacional em assuntos regulatórios e tributários, combate à contrafação (clandestinidade) e adequação às normas de proteção ao meio ambiente. Para a sua elaboração, a Abipla se inspirou nas mais modernas tendências globais sobre o tema, com destaque para as seguintes áreas: redução de produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução da emissão de gases de efeito estufa, diminuição do consumo de energia e otimização do uso da água.

Em 1995, a entidade também passou a representar o setor junto ao Comitê de Indústrias de Productos de Limpieza Personal, Hogar y Afines Del Mercosur (Coinplan) e, em 2005, junto à Asociación Latino-Americana de Artículos Domisanitários y Afines (Aliada).

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