Química

Pollutec – Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

Marcelo Furtado
6 de dezembro de 2008
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    Biológico controlado – Também no ramo da pesquisa avançada, em específico da biotecnologia, uma empresa francesa, a Eco-Solution, também chamou a atenção na feira por causa de um novo método de seleção e controle de microrganismos para tratamento biológico de efluentes. O coração do novo sistema é uma máquina especialmente projetada, que levou dez anos para ser desenvolvida, com a capacidade de controlar in-situ as cepas bacterianas de uma estação de tratamento de efluentes.

    O equipamento, denominado EcoSet, fica interligado ao tanque de aeração da estação e à saída do efl uente tratado, recebendo intermitentemente amostras para reconhecer as cepas. Assim, com os dados de operação biológica ideal, o EcoSet mantém as condições da estação, por meio de dosagens automáticas de nutrientes que aceleram o processo de seleção natural da microfl ora para o tratamento. “Infelizmente, se não há um controle contínuo na linha, o processo de seleção natural pode ou ser lento demais ou não ter as condições ideais para promover a ação dos microrganismos”, explicou o engenheiro da Eco-Solution, Tristan Oguz.

    Química e Derivados, Tristan Oguz, engenheiro da Eco-Solution, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente,

    Tristan Oguz: sistema on-line para acelerar tratamento biólogico

     

    O mapeamento da estação, que diagnostica o ideal para tratar biologicamente o efl uente de forma acelerada, é feito nos laboratórios da Eco-Solution. As alterações comuns que podem ocorrer em qualquer estação de tratamento são monitoradas on-line pela empresa, por meio da interligação por internet de alta velocidade entre a máquina e a Eco-Solution.

    “O EcoSet reconhece e transmite os dados permanentemente pela internet. Se um composto tóxico, por exemplo, entra na estação e coloca em risco a programação do tratamento, um alarme é acionado e o responsável tem tempo hábil para intervir e manter o processo de bioconversão”, completou Oguz. O sistema pode ter outras aplicações, além do tratamento de efluentes. Uma opção em divulgação é o controle da produção de biogás pela metanização de aterros.

    Energia com plasma – O reaproveitamento energético do lixo, tanto o industrial como o doméstico, já é uma realidade na Europa há alguns anos, principalmente em virtude do pouco espaço e das restrições a aterros que a Comunidade Européia vem imputando a seus membros. Nesse sentido, sistemas de incineração com o conceito de reciclagem energética, ou de aproveitamento de gás gerado pelo lixo, têm muita aceitação e uso na Comunidade Européia. O conceito da reciclagem energética, portanto, não chega a ser novidade. Mas, durante a Pollutec, uma variação do tema chamou bastante a atenção: o uso do plasma térmico para gerar energia com a queima de lixo industrial não-perigoso.

    A francesa Europlasma divulgava pela primeira vez ao mundo a implantação de uma tecnologia denominada CHOPower, por meio do anúncio de construção de uma usina na cidade de Morcenx, na França, com inauguração prevista para novembro de 2009. O processo – que usará nessa primeira experiência 55 mil toneladas por ano de resíduos industriais não-perigosos (plásticos, papéis, borrachas, madeiras etc) para serem destruídos e alimentar uma turbina e produzir 12 MW de eletricidade por ano – começa com a chamada secagem do material, a 200ºC, e a seguida conversão do lixo em gás a até 800ºC em um robusto forno. Essa etapa é a chamada gaseificação do lixo, gerando o denominado syngas.

    Depois disso, segundo explicou Bénédicte Amiel, gerente de marketing da Europlasma, o syngas precisa ser refinado. Isso porque, além de ser composto principalmente por monóxido de carbono e hidrogênio, também contém alcatrão (tar), o que impede o seu uso direto em turbinas de geração de energia. Dessa forma, o syngas segue para o plasma, que dissocia o composto prejudicial, e ainda aumenta o seu valor calorífi co, permitindo o uso direto para gerar energia. O calor resultante é recuperado para alimentar a unidade de gaseifi cação e a turbina a vapor de ciclo combinado. Dependendo do tipo de resíduo, um sistema de tratamento é usado para neutralizar os componentes ácidos e filtrar metais pesados do gás gerado. Mas o fato de o processo não usar combustão, segundo Bénédicte, reduz a necessidade de tratamento de purificação.

    O sistema praticamente não gera mais subprodutos. Apenas quando alguns resíduos não-orgânicos (metais ou minerais) são introduzidos na unidade de gaseifi cação do lixo cria-se um residual em forma de cinza. Nesse caso, seguem  para uma unidade de vitrificação, também à plasma, que a 1.400ºC transforma-os em material inerte que pode ser reusado em pequenos serviços de construção civil como brita. Além da unidade na França, que venderá a energia para a EDF poder atender a uma demanda de 60 mil habitantes, a Europlasma constrói outras plantas mundo afora: no Canadá (Ontário, com capacidade para 400 t/dia), Portugal (200 t/dia) e Reino Unido (para 200 t/dia).



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