Química

Pollutec – Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

Marcelo Furtado
6 de dezembro de 2008
    -(reset)+

     Um lançamento que chamou bastante atenção foi apresentado pela Sita Remediation, empresa do grupo Suez, especializada em executar projetos de remediação de solos e águas contaminadas por todo o mundo, inclusive no Brasil (onde auxiliou a Rhodia em seu grave problema na Baixada Santista-SP). O desenvolvimento, recém-incorporado em seus projetos, é uma solução de biorremediação chamada BioCatalyser. Trata-se, em suma, de uma formulação feita com microemulsões de óleo de soja (40%), água e pequeno percentual de tensoativos (grau alimentício), a qual é injetada in-situ em solos contaminados com solventes clorados. As fontes de carbono dosadas servem como nutriente para as bactérias anaeróbicas degradarem os contaminantes, em particular o tetracloroetileno, o tricloroetileno, o cis-dicloroetileno e o cloreto de vinila. O propósito da tecnologia em si não é uma novidade. Isso porque as empresas de remediação vêm utilizando fontes de carbono para incentivar a biodegradação. No meio anaeróbico, redutor, a biorremediação ocorre pela ação dos chamados doadores de elétrons (nos quais se pode incluir o produto da Sita) que, ao serem consumidos pelas bactérias, liberam hidrogênio para degradar poluentes halogênicos. O fenômeno pode ocorrer, por meio da hidrogenólise, na substituição de um átomo de cloro da molécula por outro de hidrogênio, ou então pela dihalo-eliminação, que seria quando dois átomos de cloro adjacentes são removidos simultaneamente, originando uma ligação dupla entre os átomos de carbono. A tecnologia aí segue uma tendência de se promover biorremediações anaeróbicas utilizando fontes de carbono como os ácidos láticos, proteínas do leite e, no caso brasileiro, melaço de cana.

    Mas, segundo o responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da Sita, Jean-Yves Richard, o uso das microemulsões de óleo de soja é pioneiro e traz benefícios maiores do que os outros doadores de elétrons. Com conhecimento sobre a tendência brasileira de utilizar melaço de cana, e também comparando com os lactatos, Richard afirma que a formulação com as microemulsões oleosas tem uma tendência de ser melhor absorvida pelo solo como nutriente, por ter viscosidade similar à da água e assim permanecer melhor na área impactada. “Já os solúveis lactatos e melaço são levados pelo lençol freático e não ficam no local para alimentar as bactérias”, explicou.

    Química e Derivados, Jean Yves Richard,  responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da Sita, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Jean Yves Richard: microemulsão de óleo de soja para biorremediação

     

    No solo ou na água subterrânea, sem se solubilizar no lençol o óleo de granulometria fi na (para permitir melhor migração e acessibilidade às bactérias) se degrada lentamente e libera de forma permanente os pequenos ácidos graxos utilizados pela microflora na zona impactada. Por causa de sua viscosidade (23 cST a 20ºC), o BioCatalyser pode ser injetado direto em todo tipo de solo, independentemente de sua permeabilidade. O objetivo da Sita é usar apenas em seus projetos o produto e não vendê-lo diretamente no mercado, o que pode ser inviável em termos de custo, segundo completou Jean-Yves Richard.

    Outra tecnologia para remediação de solos foi mostrada por uma empresa japonesa, a Ecotechnology Laboratory. Fruto de pesquisa do departamento de engenharia de ecomateriais do Toyama National College of Technology, trata-se de um método de solidificação e encapsulamento de solos contaminados com baixas a médias concentrações de compostos fl uorados e metais pesados. Segundo o responsável pela pesquisa, já em fase de aplicação no Japão, Tafu Masamoto, professor do Toyama College, o produto em pó, denominado Nano-Etching DCPD, é nanotecnológico e baseado em um agente de fosfato de cálcio.

    Química e Derivados, Tafu Masamoto, professor do Toyama College, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Tafu Masamoto: nanotecnologia para isolar contaminantes no solo

    Para aplicações on-site, em um método de construção no qual o material é misturado com cimento, nesse contato há uma reação química “intravital” que estabiliza e imobiliza os contaminantes. A reação, segundo Masamoto, é causada por um tipo de fosfato de cálcio que desencadeia em escala nanométrica, no meio aquoso, o entrelaçamento das estruturas dos contaminantes até transformá-los em fluorapatitas, substâncias estáveis e seguras mesmo quando expostas à chuva ácida por um período de 500 anos (segundo um teste específico do instituto Geo-Environmental Protection Center). Um detalhe interessante da tecnologia é ela ter sido desenvolvida com base no estudo dos mecanismos de reação química da fluoração dental para prevenir cáries.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *