Química

Pollutec – Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

Marcelo Furtado
6 de dezembro de 2008
    -(reset)+

    UV e membranas – Mas a Degrémont não mostrou inovação apenas na área do ozônio. Em outra tecnologia de desinfecção, a radiação ultravioleta, também originária da divisão Ozonia, a empresa apresentou novo modelo  da linha Aquaray . A modificação principal diz respeito a sua capacidade de tratamento de até 6mil3, o dobro do até disponível. “É para difundir o seu uso para aplicação em saneamento de municipalidades”, afirmou Puech. Denominado Aquaray H2O 36, o novo sistema conta com 12 lâmpadas de alta densidade e média pressão e foi concebido com software de engenharia avançado para determinar o melhor espaçamento entre as lâmpadas e assim assegurar uma mais consistente desinfecção.

    Química e Derivados, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Degrémont fez acordo com Toray para usar membranas planas

    A tecnologia ultravioleta, segundo explica Puech, deve ser empregada como barreira final para inativar microrganismos patogênicos com vírus, bactérias e parasitas. São particularmente efetivas para combater microrganismos resistentes ao cloro, como o Cryptosporidium e a Giárdia, mesmo quando aplicado em baixas dosagens. Vale ainda como vantagem da tecnologia o fato de conseguir enquadrar a água tratada aos novos limites europeus para concentrações de bromatos, que passarão a partir de 25 de dezembro do limite máximo de 25 μg/l para 10 μg/l.

    Também na área de membranas, a Degrémont apresentou novidades. Em seu grande estande, levou modelos de seus tipos disponíveis, por fabricação própria ou de parceiras. No primeiro caso, mostrou uma membrana Aquasource de ultrafiltração tubular, com fibra oca, agora disponível em diâmetro maior, de 450 mm. Sua aplicação principal é para pré-tratamento de osmose reversa. No caso de membranas de empresas parceiras, com as quais a Degrémont projeta unidades de tratamento, foi levado um stack de membranas planas de ultrafiltração da japonesa Toray e as do tipo espaguete de fibra oca da GE Zenon. Muito empregadas em sistemas de membranas a biorreator (MBR) para reúso de água, contar com as duas tecnologias, segundo Puech, dá mais fl exibilidade para a engenharia construir unidades nos clientes. Com a Toray, aliás, a parceria ofi cial era anunciada na Pollutec, enquanto com a GE Zenon o acordo já soma cerca de três anos.

    Actiflo, O3 + H2O2 – Em apresentação um pouco mais tímida do que a da concorrente Degrémont, a outra grande competidora francesa em tratamento de água, a Veolia, chamou a atenção para um upgrade do seu sistema de clarificação acelerada Actiflo, um tratamento terciário lastreado pelo uso de microareia, misturada vigorosamente no efluente para aumentar a capacidade de floculação e coagulação, e que conta com sedimentação lamelar para polimento final. A nova versão é o Actiflo Turbo, que aumentou a velocidade, melhorou a eficiência de tratamento e diminuiu o tamanho da unidade em relação ao sistema convencional, que já era considerado bastante compacto e eficiente em comparação com a clarificação tradicional (até 20 vezes menor).

    De acordo com o consultor especial da Veolia Water, Philippe Topalian, o coração da mudança do Actiflo Turbo (ver esquema) foi o isolamento dentro do tanque de floculação do hidrociclone Turbomix, responsável pela mistura da água já coagulada com a microareia e o polímero floculante. “Esse isolamento melhorou a homogeneidade da mistura e a floculação e dispensou o tanque de injeção onde antes havia a necessidade de se agregar a microareia antes da mistura”, disse Topalian. Com o reprojeto, o sistema ficou 50% menor do que o Actifl o. Isso porque, além de não usar mais o tanque de injeção, com a melhor qualidade da água pós-floculação a etapa de sedimentação do lodo também pôde ficar 40% menor. Além disso, a capacidade de tratamento para produção de água potável e de processo passou de uma média de 40 a 60 m3/h para 80 m3/h.

     

    Química e Derivados, Philippe Topalian, consultor,  Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Philippe Topalian: clarificação acelerada agora virou

    Causou também frisson na Pollutec, no pavilhão de tratamento de água, a apresentação da produtora de gases industriais Air Products, cuja divisão water applications destacou a tecnologia HiPox, da empresa norte-americana Applied Process Technology (APT). O processo oxidativo avançado é um tratamento terciário desenvolvido para destruir contaminantes ultra-resistentes como dicloroetano, dioxinas e PCPs e se baseia na dosagem de ozônio e peróxido de hidrogênio. A APT vende a tecnologia e o skid montado para a injeção dos insumos e a Air Products entra no negócio com o fornecimento de oxigênio e com a geração de ozônio.

    “Além disso, somos uma empresa com atuação global e venderemos o sistema no mundo todo, enquanto a APT era limitada apenas aos Estados Unidos, em específico a Califórnia”, explicou Samy Sablayrolles, da gerência técnica da Air Products em Paris, na França. Segundo explicou, a tecnologia transforma os contaminantes em subprodutos inócuos sem gerar mais nenhum resíduo, evitando por exemplo a formação de bromatos, ao contrário de outros sistemas oxidativos. “O HiPox é ideal para potabilização, remediação de águas subterrâneas contaminadas, descoloração e reúso de efluentes”, completou. Na sua avaliação, para a destruição de contaminantes recalcitrantes, como o MTBE, TBA, TCP ou MVC, o sistema é mais barato do que outros sistemas tradicionais.

    Química e Derivados, Samy Sablayrolles, da gerencia técnica da Air Products,   Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Samy Sablayrolles: reúso de água contaminada com 03 e H202

     Lodos – Paralelo ao interesse dos visitantes por tecnologias e equipamentos para tratamento de água estava o de conhecer novidades para gerenciamentos de resíduos sólidos. Para começar, via-se muitas empresas ofertando soluções de serviços e tecnologias para manipulação de lodos originários de efluentes tratados. Nesse caso, a demanda vinha ao encontro de um problema crescente na Europa: o da disposição de resíduos, visto que seus aterros estão limitados por várias normas ambientais européias e pela evidente falta de espaço no Velho Continente.

    Secar o lodo ao máximo para diminuir sua massa, portanto, é uma prática em disparada, refletida pelos vários tipos de tecnologia expostos na feira para atender ao propósito. Desde a decantação por centrífugas, mantas de geomembrana até sistemas de secagem térmica, havia saídas para todos os gostos. A Alfa Laval, por exemplo, mostrava um novo trocador de calor em espiral, denominado Alshe SW, especificamente projetado para aplicações em estações de tratamento de esgoto doméstico ou de efluentes industriais. Segundo a empresa, o sistema tem as vantagens, em comparação com equipamentos tubulares, de ocupar menos espaço, depender de menor manutenção e contar com efi ciência térmica aprimorada. Além disso, o sistema também permite preaquecimento do lodo para melhoria da desidratação e da pasteurização.

    Ainda na seara dos lodos, houve o caso da exposição de equipamentos bem diferentes. A alemã Thermo-System apresentava uma espécie de carrinho denominado Electric Mole, utilizado há alguns anos em países europeus como base de unidades de secagem de lodo construídas pela empresa para cidades. Movido à energia solar, e todo ele de aço inoxidável super-resistente, o carrinho acoplado a um microprocessador circula de maneira pré-programada, pela freqüência e tempo necessários para a secagem, por cima do lodo para desidratá-lo por meio da energia térmica gerada em seu “chassi e rodas”. Com mais de cem plantas de secagem, para atender estações de municípios de até 650 mil habitantes, as unidades de secagem desidratam até 95% os lodos líquidos e até 75% os pré-desaguados. “O consumo de energia é baixo, de apenas 1.5 kWh por dia em média”, explicou o chefe de projeto Jens Elbers.

    Química e Derivados, Jens Elbers, chefe de projetos,  Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

    Jens Elbers mostrou "carrinho" para secar lodo

    Remediação – O interessante de uma feira como a Pollutec é a possibilidade de se encontrar soluções para todos os problemas ambientais. Para a remediação de solos contaminados, um mercado que dobra em progressão geométrica, não poderia ser diferente: havia uma ala específica para o segmento e algumas inovações.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *