Pollutec: Feira aposta na tecnologia para preservar o ambiente

Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente

Mais uma vez boa parte da indústria da tecnologia ambiental se reuniu na bela e histórica Lyon, principal cidade da região do Vale do Reno, na França, para celebrar com muito vinho “nacional” a 23ª edição da Pollutec, feira internacional de equipamento, tecnologia e serviços para o meio ambiente, que dessa vez se realizou de 2 a 5 de dezembro nos gigantescos pavilhões da Eurexpo.

Nem o frio, que em alguns dias ficou abaixo de zero, e nem a crise financeiro internacional, que da mesma maneira anda congelando negócios mundo afora, pareceram atrapalhar o desempenho do evento.

Pelo menos na opinião dos organizadores e de vários expositores, que se mostravam satisfeitos com os 73% mil visitantes (11% estrangeiros) e com divulgados “recordes” da exposição.

Mas uma observação atenta aos números da Pollutec 2008 contesta um pouco esse otimismo, levando a crer que de alguma maneira o evento pode ter sido afetado pela situação econômica não ter conseguido continuar seu plano de internacionalizar mais a feira, ainda um pouco francesa demais.

Embora os organizadores tenham divulgado que a feira contou com aumento de 6,4% no numero de exposição em relação a 2006, passando de 2.197 empresas para 2.340 da atual, informações também oficiais desmentiam o aparente “sucesso”.

Na verdade, em 2006, conforme não só relatado no site da própria Pollutec (www.pollutec.com/dls/communiques/dex06finpressrelease.doc), como na reportagem de cobertura de Química e Derivados publicada em dezembro daquele ano, o numero final divulgado era de 2.547 expositores.

Talvez motivada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que insiste e dizer que a crise econômica não atingiu a França, a organização preferiu manter o nacionalismo e deixar a matemática de lado.

A diminuição não divulgada da feira, porém, não reduziu a importância das novidades tradicionalmente apresentadas, no caso da versão de 2008, por parte dos 1.665 expositores franceses e 675 estrangeiros.

Aliás, com uma área de exibição maior (108 mil m² contra 91mil m² de 2006) e menos empresas, foi até mais fácil “flanar” pelos corredores bem aquecidos do Eurexpo atrás de tecnologias interessantes para combater a poluição do ar, da terra e da água ou então para conhecer novas saídas para reaproveitamento de resíduos, geração de energia ou de uso inteligente da água.

De maneira bem representativa, todos os setores contavam com exemplos de inovações promissoras. Levantamento da organização estimou a apresentação de 15 lançamentos durante a Pollutec 2008.

L’eau – Como sempre, o setor de tratamento de água e efluentes era o mais representativo, ocupando 42mil m² da área de exibição e dividindo em três tópicos principais: tubulação e conexões; bombas; e tratamento e operação.

Cooperava com a importância do tema na Pollutec 2008 o reconhecido know-how Frances na área nação com empresas seculares e atuantes internacionalmente.

Não por menos, novidades interessantes faziam parte do estande  de uma dessas empresas, a Degrémont, que alias tem atuação importante no mercado brasileiro, onde está desde o final da década de 50, quando veio para participar da construção de Brasilia.

O grande destaque da Degrémont , braço de engenharia de sistemas e equipamentos do grupo Suez, foi a nova linha de geradores de ozônio da divisão especializada Ozonia, que segundo a empresa promete ser o estado-da-arte dessa tecnologia de desinfecção-oxidação de água cada vez mais empregada mundialmente.

De acordo com Julien Puech, do departamento técnico da Degrémont, a união de duas tecnologias proporcionou aos novos ozonizadores uma redução significativa do consumo de energia, o que pode difundir mais o seu uso, ao mesmo tempo em que gera O3 concentração.

Trata-se de sistema voltado para aplicações de alta vazão, de no mínimo 250kg/h, ideais para o uso na indústria, no branqueamento de celulose ou no tratamento de efluentes.

Química e Derivados, Julien Puech, do departamento técnico da Degrémont, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Julien Puech: UV (acima) para vazões maiores e novos geradores de ozônio

Entre as tecnologias que possibilitaram o upgrade da linha está, em primeiro lugar, um novo sistema de elementos denominado IGS (intelligent gap system).

Esses elementos, que ficam no eletrodos responsáveis pela transformação da energia elétrica em química, passaram a ter uma nova segmentação e descarga variável modificada para distribuir melhor a energia e economizar o seu consumo.

“Além disso, em vez de serem feitos do tradicional borossilicato, os elementos agora são de uma cerâmica especial que dá uma cerâmica especial que dá mais robustez e se adapta melhor a geração  do ozônio”, explicou Puech.

Também  conta como  melhoria do sistema a substituição de uso da alimentação por ar pela oxigênio.

UV e membranas – Mas a Degrémont não mostrou inovação apenas na área do ozônio.

Em outra tecnologia de desinfecção, a radiação ultravioleta, também originária da divisão Ozonia, a empresa apresentou novo modelo  da linha Aquaray .

A modificação principal diz respeito a sua capacidade de tratamento de até 6mil3, o dobro do até disponível.

“É para difundir o seu uso para aplicação em saneamento de municipalidades”, afirmou Puech.

Denominado Aquaray H2O 36, o novo sistema conta com 12 lâmpadas de alta densidade e média pressão e foi concebido com software de engenharia avançado para determinar o melhor espaçamento entre as lâmpadas e assim assegurar uma mais consistente desinfecção.

Química e Derivados, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Degrémont fez acordo com Toray para usar membranas planas

A tecnologia ultravioleta, segundo explica Puech, deve ser empregada como barreira final para inativar microrganismos patogênicos com vírus, bactérias e parasitas.

São particularmente efetivas para combater microrganismos resistentes ao cloro, como o Cryptosporidium e a Giárdia, mesmo quando aplicado em baixas dosagens.

Vale ainda como vantagem da tecnologia o fato de conseguir enquadrar a água tratada aos novos limites europeus para concentrações de bromatos, que passarão a partir de 25 de dezembro do limite máximo de 25 μg/l para 10 μg/l.

Também na área de membranas, a Degrémont apresentou novidades. Em seu grande estande, levou modelos de seus tipos disponíveis, por fabricação própria ou de parceiras.

No primeiro caso, mostrou uma membrana Aquasource de ultrafiltração tubular, com fibra oca, agora disponível em diâmetro maior, de 450 mm.

Sua aplicação principal é para pré-tratamento de osmose reversa. No caso de membranas de empresas parceiras, com as quais a Degrémont projeta unidades de tratamento, foi levado um stack de membranas planas de ultrafiltração da japonesa Toray e as do tipo espaguete de fibra oca da GE Zenon.

Muito empregadas em sistemas de membranas a biorreator (MBR) para reúso de água, contar com as duas tecnologias, segundo Puech, dá mais fl exibilidade para a engenharia construir unidades nos clientes.

Com a Toray, aliás, a parceria ofi cial era anunciada na Pollutec, enquanto com a GE Zenon o acordo já soma cerca de três anos.

Actiflo, O3 + H2O2 – Em apresentação um pouco mais tímida do que a da concorrente Degrémont, a outra grande competidora francesa em tratamento de água, a Veolia, chamou a atenção para um upgrade do seu sistema de clarificação acelerada Actiflo, um tratamento terciário lastreado pelo uso de microareia, misturada vigorosamente no efluente para aumentar a capacidade de floculação e coagulação, e que conta com sedimentação lamelar para polimento final.

A nova versão é o Actiflo Turbo, que aumentou a velocidade, melhorou a eficiência de tratamento e diminuiu o tamanho da unidade em relação ao sistema convencional, que já era considerado bastante compacto e eficiente em comparação com a clarificação tradicional (até 20 vezes menor).

De acordo com o consultor especial da Veolia Water, Philippe Topalian, o coração da mudança do Actiflo Turbo (ver esquema) foi o isolamento dentro do tanque de floculação do hidrociclone Turbomix, responsável pela mistura da água já coagulada com a microareia e o polímero floculante.

Química e Derivados, Philippe Topalian, consultor, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Philippe Topalian: clarificação acelerada agora virou

“Esse isolamento melhorou a homogeneidade da mistura e a floculação e dispensou o tanque de injeção onde antes havia a necessidade de se agregar a microareia antes da mistura”, disse Topalian.

Com o reprojeto, o sistema ficou 50% menor do que o Actifl o. Isso porque, além de não usar mais o tanque de injeção, com a melhor qualidade da água pós-floculação a etapa de sedimentação do lodo também pôde ficar 40% menor.

Além disso, a capacidade de tratamento para produção de água potável e de processo passou de uma média de 40 a 60 m3/h para 80 m3/h.

Causou também frisson na Pollutec, no pavilhão de tratamento de água, a apresentação da produtora de gases industriais Air Products, cuja divisão water applications destacou a tecnologia HiPox, da empresa norte-americana Applied Process Technology (APT).

O processo oxidativo avançado é um tratamento terciário desenvolvido para destruir contaminantes ultra-resistentes como dicloroetano, dioxinas e PCPs e se baseia na dosagem de ozônio e peróxido de hidrogênio.

A APT vende a tecnologia e o skid montado para a injeção dos insumos e a Air Products entra no negócio com o fornecimento de oxigênio e com a geração de ozônio.

Química e Derivados, Samy Sablayrolles, da gerencia técnica da Air Products, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Samy Sablayrolles: reúso de água contaminada com 03 e H202

“Além disso, somos uma empresa com atuação global e venderemos o sistema no mundo todo, enquanto a APT era limitada apenas aos Estados Unidos, em específico a Califórnia”, explicou Samy Sablayrolles, da gerência técnica da Air Products em Paris, na França.

Segundo explicou, a tecnologia transforma os contaminantes em subprodutos inócuos sem gerar mais nenhum resíduo, evitando por exemplo a formação de bromatos, ao contrário de outros sistemas oxidativos.

“O HiPox é ideal para potabilização, remediação de águas subterrâneas contaminadas, descoloração e reúso de efluentes”, completou.

Na sua avaliação, para a destruição de contaminantes recalcitrantes, como o MTBE, TBA, TCP ou MVC, o sistema é mais barato do que outros sistemas tradicionais.

Lodos – Paralelo ao interesse dos visitantes por tecnologias e equipamentos para tratamento de água estava o de conhecer novidades para gerenciamentos de resíduos sólidos.

Para começar, via-se muitas empresas ofertando soluções de serviços e tecnologias para manipulação de lodos originários de efluentes tratados. Nesse caso, a demanda vinha ao encontro de um problema crescente na Europa: o da disposição de resíduos, visto que seus aterros estão limitados por várias normas ambientais européias e pela evidente falta de espaço no Velho Continente.

Secar o lodo ao máximo para diminuir sua massa, portanto, é uma prática em disparada, refletida pelos vários tipos de tecnologia expostos na feira para atender ao propósito.

Desde a decantação por centrífugas, mantas de geomembrana até sistemas de secagem térmica, havia saídas para todos os gostos.

A Alfa Laval, por exemplo, mostrava um novo trocador de calor em espiral, denominado Alshe SW, especificamente projetado para aplicações em estações de tratamento de esgoto doméstico ou de efluentes industriais.

Segundo a empresa, o sistema tem as vantagens, em comparação com equipamentos tubulares, de ocupar menos espaço, depender de menor manutenção e contar com efi ciência térmica aprimorada.

Além disso, o sistema também permite preaquecimento do lodo para melhoria da desidratação e da pasteurização.

Ainda na seara dos lodos, houve o caso da exposição de equipamentos bem diferentes. A alemã Thermo-System apresentava uma espécie de carrinho denominado Electric Mole, utilizado há alguns anos em países europeus como base de unidades de secagem de lodo construídas pela empresa para cidades.

Movido à energia solar, e todo ele de aço inoxidável super-resistente, o carrinho acoplado a um microprocessador circula de maneira pré-programada, pela freqüência e tempo necessários para a secagem, por cima do lodo para desidratá-lo por meio da energia térmica gerada em seu “chassi e rodas”.

Com mais de cem plantas de secagem, para atender estações de municípios de até 650 mil habitantes, as unidades de secagem desidratam até 95% os lodos líquidos e até 75% os pré-desaguados.

“O consumo de energia é baixo, de apenas 1.5 kWh por dia em média”, explicou o chefe de projeto Jens Elbers.

Química e Derivados, Jens Elbers, chefe de projetos, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Jens Elbers mostrou “carrinho” para secar lodo

Remediação – O interessante de uma feira como a Pollutec é a possibilidade de se encontrar soluções para todos os problemas ambientais.

Para a remediação de solos contaminados, um mercado que dobra em progressão geométrica, não poderia ser diferente: havia uma ala específica para o segmento e algumas inovações.

Um lançamento que chamou bastante atenção foi apresentado pela Sita Remediation, empresa do grupo Suez, especializada em executar projetos de remediação de solos e águas contaminadas por todo o mundo, inclusive no Brasil (onde auxiliou a Rhodia em seu grave problema na Baixada Santista-SP).

O desenvolvimento, recém-incorporado em seus projetos, é uma solução de biorremediação chamada BioCatalyser.

Trata-se, em suma, de uma formulação feita com microemulsões de óleo de soja (40%), água e pequeno percentual de tensoativos (grau alimentício), a qual é injetada in-situ em solos contaminados com solventes clorados.

As fontes de carbono dosadas servem como nutriente para as bactérias anaeróbicas degradarem os contaminantes, em particular o tetracloroetileno, o tricloroetileno, o cis-dicloroetileno e o cloreto de vinila.

O propósito da tecnologia em si não é uma novidade. Isso porque as empresas de remediação vêm utilizando fontes de carbono para incentivar a biodegradação.

No meio anaeróbico, redutor, a biorremediação ocorre pela ação dos chamados doadores de elétrons (nos quais se pode incluir o produto da Sita) que, ao serem consumidos pelas bactérias, liberam hidrogênio para degradar poluentes halogênicos.

O fenômeno pode ocorrer, por meio da hidrogenólise, na substituição de um átomo de cloro da molécula por outro de hidrogênio, ou então pela dihalo-eliminação, que seria quando dois átomos de cloro adjacentes são removidos simultaneamente, originando uma ligação dupla entre os átomos de carbono.

A tecnologia aí segue uma tendência de se promover biorremediações anaeróbicas utilizando fontes de carbono como os ácidos láticos, proteínas do leite e, no caso brasileiro, melaço de cana.

Mas, segundo o responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da Sita, Jean-Yves Richard, o uso das microemulsões de óleo de soja é pioneiro e traz benefícios maiores do que os outros doadores de elétrons.

Com conhecimento sobre a tendência brasileira de utilizar melaço de cana, e também comparando com os lactatos, Richard afirma que a formulação com as microemulsões oleosas tem uma tendência de ser melhor absorvida pelo solo como nutriente, por ter viscosidade similar à da água e assim permanecer melhor na área impactada.

Química e Derivados, Jean Yves Richard, responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da Sita, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Jean Yves Richard: microemulsão de óleo de soja para biorremediação

“Já os solúveis lactatos e melaço são levados pelo lençol freático e não ficam no local para alimentar as bactérias”, explicou.

No solo ou na água subterrânea, sem se solubilizar no lençol o óleo de granulometria fina (para permitir melhor migração e acessibilidade às bactérias) se degrada lentamente e libera de forma permanente os pequenos ácidos graxos utilizados pela microflora na zona impactada.

Por causa de sua viscosidade (23 cST a 20ºC), o BioCatalyser pode ser injetado direto em todo tipo de solo, independentemente de sua permeabilidade.

O objetivo da Sita é usar apenas em seus projetos o produto e não vendê-lo diretamente no mercado, o que pode ser inviável em termos de custo, segundo completou Jean-Yves Richard.

Outra tecnologia para remediação de solos foi mostrada por uma empresa japonesa, a Ecotechnology Laboratory.

Fruto de pesquisa do departamento de engenharia de ecomateriais do Toyama National College of Technology, trata-se de um método de solidificação e encapsulamento de solos contaminados com baixas a médias concentrações de compostos fl uorados e metais pesados.

Segundo o responsável pela pesquisa, já em fase de aplicação no Japão, Tafu Masamoto, professor do Toyama College, o produto em pó, denominado Nano-Etching DCPD, é nanotecnológico e baseado em um agente de fosfato de cálcio.

Química e Derivados, Tafu Masamoto, professor do Toyama College, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Tafu Masamoto: nanotecnologia para isolar contaminantes no solo

Para aplicações on-site, em um método de construção no qual o material é misturado com cimento, nesse contato há uma reação química “intravital” que estabiliza e imobiliza os contaminantes.

A reação, segundo Masamoto, é causada por um tipo de fosfato de cálcio que desencadeia em escala nanométrica, no meio aquoso, o entrelaçamento das estruturas dos contaminantes até transformá-los em fluorapatitas, substâncias estáveis e seguras mesmo quando expostas à chuva ácida por um período de 500 anos (segundo um teste específico do instituto Geo-Environmental Protection Center).

Um detalhe interessante da tecnologia é ela ter sido desenvolvida com base no estudo dos mecanismos de reação química da fluoração dental para prevenir cáries.

Biológico controlado – Também no ramo da pesquisa avançada, em específico da biotecnologia, uma empresa francesa, a Eco-Solution, também chamou a atenção na feira por causa de um novo método de seleção e controle de microrganismos para tratamento biológico de efluentes.

O coração do novo sistema é uma máquina especialmente projetada, que levou dez anos para ser desenvolvida, com a capacidade de controlar in-situ as cepas bacterianas de uma estação de tratamento de efluentes.

O equipamento, denominado EcoSet, fica interligado ao tanque de aeração da estação e à saída do efl uente tratado, recebendo intermitentemente amostras para reconhecer as cepas.

Assim, com os dados de operação biológica ideal, o EcoSet mantém as condições da estação, por meio de dosagens automáticas de nutrientes que aceleram o processo de seleção natural da microfl ora para o tratamento.

“Infelizmente, se não há um controle contínuo na linha, o processo de seleção natural pode ou ser lento demais ou não ter as condições ideais para promover a ação dos microrganismos”, explicou o engenheiro da Eco-Solution, Tristan Oguz.

O mapeamento da estação, que diagnostica o ideal para tratar biologicamente o efluente de forma acelerada, é feito nos laboratórios da Eco-Solution.

As alterações comuns que podem ocorrer em qualquer estação de tratamento são monitoradas on-line pela empresa, por meio da interligação por internet de alta velocidade entre a máquina e a Eco-Solution.

Química e Derivados, Tristan Oguz, engenheiro da Eco-Solution, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente,
Tristan Oguz: sistema on-line para acelerar tratamento biólogico

“O EcoSet reconhece e transmite os dados permanentemente pela internet. Se um composto tóxico, por exemplo, entra na estação e coloca em risco a programação do tratamento, um alarme é acionado e o responsável tem tempo hábil para intervir e manter o processo de bioconversão”, completou Oguz.

O sistema pode ter outras aplicações, além do tratamento de efluentes. Uma opção em divulgação é o controle da produção de biogás pela metanização de aterros.

Energia com plasma – O reaproveitamento energético do lixo, tanto o industrial como o doméstico, já é uma realidade na Europa há alguns anos, principalmente em virtude do pouco espaço e das restrições a aterros que a Comunidade Européia vem imputando a seus membros.

Nesse sentido, sistemas de incineração com o conceito de reciclagem energética, ou de aproveitamento de gás gerado pelo lixo, têm muita aceitação e uso na Comunidade Européia.

O conceito da reciclagem energética, portanto, não chega a ser novidade.

Mas, durante a Pollutec, uma variação do tema chamou bastante a atenção: o uso do plasma térmico para gerar energia com a queima de lixo industrial não-perigoso.

A francesa Europlasma divulgava pela primeira vez ao mundo a implantação de uma tecnologia denominada CHOPower, por meio do anúncio de construção de uma usina na cidade de Morcenx, na França, com inauguração prevista para novembro de 2009.

O processo – que usará nessa primeira experiência 55 mil toneladas por ano de resíduos industriais não-perigosos (plásticos, papéis, borrachas, madeiras etc) para serem destruídos e alimentar uma turbina e produzir 12 MW de eletricidade por ano – começa com a chamada secagem do material, a 200ºC, e a seguida conversão do lixo em gás a até 800ºC em um robusto forno.

Essa etapa é a chamada gaseificação do lixo, gerando o denominado syngas.

Depois disso, segundo explicou Bénédicte Amiel, gerente de marketing da Europlasma, o syngas precisa ser refinado. Isso porque, além de ser composto principalmente por monóxido de carbono e hidrogênio, também contém alcatrão (tar), o que impede o seu uso direto em turbinas de geração de energia.

Dessa forma, o syngas segue para o plasma, que dissocia o composto prejudicial, e ainda aumenta o seu valor calorífi co, permitindo o uso direto para gerar energia.

O calor resultante é recuperado para alimentar a unidade de gaseifi cação e a turbina a vapor de ciclo combinado. Dependendo do tipo de resíduo, um sistema de tratamento é usado para neutralizar os componentes ácidos e filtrar metais pesados do gás gerado.

Mas o fato de o processo não usar combustão, segundo Bénédicte, reduz a necessidade de tratamento de purificação.

O sistema praticamente não gera mais subprodutos. Apenas quando alguns resíduos não-orgânicos (metais ou minerais) são introduzidos na unidade de gaseifi cação do lixo cria-se um residual em forma de cinza.

Nesse caso, seguem  para uma unidade de vitrificação, também à plasma, que a 1.400ºC transforma-os em material inerte que pode ser reusado em pequenos serviços de construção civil como brita.

Além da unidade na França, que venderá a energia para a EDF poder atender a uma demanda de 60 mil habitantes, a Europlasma constrói outras plantas mundo afora: no Canadá (Ontário, com capacidade para 400 t/dia), Portugal (200 t/dia) e Reino Unido (para 200 t/dia).

No ar – No universo do controle de emissões atmosféricas, tanto para combater toxicidade como os maus odores, havia também participações interessantes na feira.

Nesse sentido, havia espaço até para tecnologias inusitadas, como a da empresa japonesa Sakata, que mostrou uma linha de plantas ornamentais (SunPatiens) com a capacidade aprimorada de absorver poluentes atmosféricos como o dióxido de nitrogênio (NO2), o formaldeído em ambientes internos e, naturalmente, o dióxido de carbono.

De acordo com o diretor da Sakata, Taka Miura, a descoberta foi feita por um pesquisador da Universidade de Tóquio e complementa o primeiro objetivo dessas plantas modifi cadas geneticamente, que era o de resfriar o ambiente e suportar totalmente a luz solar.

Química e Derivados, Taka Miura, diretor da Sakata, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Taka Miura: plantas ornamentais para absorver NOx

“Foi um ganho adicional que fizemos questão de destacar em uma feira de meio ambiente global importante como a Pollutec”, disse.

Mas, no oposto das soluções mais naturalistas, havia também a exposição de tecnologias químicas para combater a poluição atmosférica.

A tradicional empresa belga Solvay, por exemplo, mostrava sua linha Neutrec para dessulfurização, ou seja, remoção de SOx produzido em vários processos de combustão, como em incineradores e fornos de cimento.

A solução envolve a injeção de bicarbonato de sódio seco e fi no nos gases a serem neutralizados.

Segundo explicou o gerente de marketing técnico da Solvay, Laurent Dugas, trata-se de uma substituição aos processos úmidos de lavagem de gases, que usam muita água e por isso caem em desuso na Europa.

Química e Derivados, Dugas, gerente, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Dugas: bicarbonato de sódio para dessulfurização

“Está ficando caro gastar tanta água para a dessulfurização”, explicou.

Em vários casos, a neutralização com o bicarbonato de sódio é feita depois do precipitador eletrostático, necessário para remover materiais particulados.

A commodity da Solvay, estocada em um silo, ou em sacos a granel dependendo da aplicação, é injetada direto nos gases por um ventilador de linha. Um reator de contato pode ser instalado caso o tempo de residência de um segundo não seja possível na tubulação instalada.

O bicarbonato de sódio neutraliza os ácidos (em particular o ácido clorídrico, dióxido de enxofre e fluoreto de hidrogênio), transformando-os em sais de sódio (cloreto de sódio, sulfato de sódio, fluorato de sódio, carbonato de sódio).

De acordo com o gerente Dugas, o bicarbonato de sódio ainda tem a propriedade de absorver metais pesados, dioxinas e furanos, quando aditivada pequena quantidade de carbono ativado, também injetado a seco junto com o produto, aprimorando assim a despoluição e atendendo às mais rigorosas legislações européias de emissão atmosférica.

Os pequenos resíduos secos resultantes da dosagem são capturados por filtro de cesto e transportados para um silo.

“Mas é bom acrescentar que as tortas resultantes da filtragem também estão neutralizadas e portanto são de fácil destinação”, disse Dugas.

Em controle de odor, as francesas Ahlstrom e ICare divulgavam parceria para venda de sistema que se baseia em fotocatalisador de dióxido de titânio e carbono ativado da primeira e um sistema de exaustão e equipamento, da segunda.

Química e Derivados, Cédric Vallet, pesquisador da Ahlstrom, Pollutec - Feira de Lyon, na França, aposta na tecnologia para preservar o ambiente
Cédric Vallet: fotocatalisadro para remover

Conforme explicou o pesquisador da Ahlstrom, Cédric Vallet, a área causadora do odor é coberta para exaustão dos gases que seguem para filtro com placas de não-tecidos revestidas em uma face por dióxido de titânio.

O ar é purificado pelo filtro e as moléculas odoríficas ficam aprisionadas no carvão ativado no interior do filtro.

Aí entra a etapa da fotocatálise: sob o efeito dos raios ultravioleta o TiO2 emite radicais livres que destroem as moléculas de odor. Segundo Vallet, o sistema serve para qualquer tipo de odor, em qualquer tipo de indústria.

Um exemplo do que a Pollutec pôde oferecer para seus visitantes: soluções para todos os tipos de problemas ambientais.

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