Plásticos (Resinas, Aditivos, Máquinas e Mercado)

Resinas – Crescimento do setor de transformação de plásticos

Jose P. Sant Anna
27 de março de 2015
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    Outro bom motivo para o setor ter esperanças de um ano melhor será a realização de nova edição da Feiplastic – Feira Internacional do Plástico, o maior evento da indústria plástica na América Latina, até hoje responsável pela geração de bons negócios. Na última edição, por exemplo, foram comercializadas 60 máquinas. Ela acontecerá de 4 a 8 de maio de 2015 no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Em 2013, visitantes qualificados percorreram o local em busca de inovações, lançamentos e alta tecnologia aliados à sustentabilidade, representando 673 empresas e 1.402 marcas nacionais e internacionais. Além disso, 144 novas empresas internacionais participaram com o interesse em ampliar presença no mercado brasileiro.

    “Neste ano, nosso esforço é para que o evento seja ainda maior. Nossas expectativas de fechamento de negócios e visitação são grandes”, explica Liliane Bortoluci, diretora do evento. Em dezembro, a Feiplastic 2015 já estava com 85% do espaço comercializado. A estimativa é de receber 70 mil pessoas, muitas das quais de outros países.

    Um terceiro aspecto positivo é citado por Roriz Coelho. Trata-se do Programa de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa pioneira da Braskem e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Lançado em 2013, ele apresenta propostas para a melhoria continuada nas exportações e na qualificação e inovação do setor. “Os primeiros resultados mostram que a indústria brasileira de transformação plástica tem muito a ganhar com esta iniciativa”, avalia.

    Já são quase 30 empresas que aderiram ao programa de preços incentivados à exportação, contribuindo com aumento das vendas externas de manufaturados. “Isso sem falar nas quase 150 empresas que participaram de treinamentos, feiras e eventos, recebendo capacitação em exportação, estratégia indispensável para o empresário ter conhecimento sobre o mercado internacional”, comentou.

    Para ampliar esse trabalho foi criado um Fundo Setorial, que receberá aportes financeiros dos produtores de resinas e da cadeia de transformação para subsidiar as ações de promoção das vantagens do plástico, programas de educação ambiental e consumo responsável, comunicação e suporte para ampliação da reciclagem do plástico no Brasil. O fundo será administrado por um Comitê Gestor formado por representantes da cadeia produtiva.

    Bola fora – A Copa do Mundo de 2014 não ficará marcada de forma triste na memória dos brasileiros apenas pela goleada sofrida contra a Alemanha. Para a indústria brasileira, o torneio foi a principal causa do desempenho pífio obtido pelo setor em 2014. O segmento do plástico não fugiu à regra. As manifestações contra a organização da Copa ocorridas em 2013 geraram sentimento muito negativo sobre o que poderia ter ocorrido no ano passado.

    As expectativas mais catastróficas não se confirmaram, mas para os empresários foi o suficiente para o entusiasmo ser comparável com o da torcida de um time cujo artilheiro bate um pênalti decisivo mandando a bola para a arquibancada. Além do sentimento de insegurança para a realização de investimentos, o número de dias parados por conta das folgas dadas nos jogos atrapalhou o ritmo da produção. Outros fatores também não ajudaram. Foi o caso, por exemplo, da realização das eleições, uma das mais acirradas da história do país.

    Os resultados do cenário podem ser conferidos nos números alcançados pelo setor em 2014. A produção total de transformados ficou em 6,24 milhões de toneladas, 2,7% a menos do que as 6,42 milhões de toneladas produzidas em 2013. O ano até começou bem. No primeiro trimestre, houve alta de 3,9% em relação ao mesmo período do exercício anterior. Nos dois trimestres seguintes se consumou a queda. No segundo, ela ficou em 6,8%. No terceiro, foi de 7,2%. Nos últimos três meses houve pequena recuperação em relação ao mesmo período de 2013, na casa dos 0,6%.

    Em termos financeiros, o total movimentado foi de R$ 64,47 bilhões, 6,4% a menos do que os R$ 68,93 bilhões verificados em 2013. O resultado menos negativo ocorreu na manutenção dos níveis de emprego. O número de 2014 ficou na casa dos 353 mil postos de trabalho, queda de 0,8% em relação ao ano anterior. “A desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo ajudou, as empresas optaram pela manutenção de funcionários já treinados”, explica Roriz Coelho.

    Balança comercial – Os resultados da balança comercial da indústria de transformação do plástico em 2014 reforçam a tendência verificada nos últimos anos, a da crescente participação dos importados no mercado nacional. No ano passado, vieram ao Brasil 778 mil toneladas de peças plásticas, número 6% superior ao de 2013. Em dinheiro, esse valor representou US$ 3,96 bilhões, 3% a mais do que no exercício anterior. O valor médio do dólar usado para se chegar a esse resultado foi de R$ 2,33. Para ter ideia da evolução das exportações ano a ano, em 2007, foram importadas 411 mil toneladas, que custaram US$ 1,83 bilhão.

    Na contramão, as exportações estão em baixa. Em 2014, foram vendidas 238 mil toneladas para outros países, contra 246 mil t em 2013. O valor arrecadado no ano passado ficou na casa do US$ 1,38 bilhão, contra US$ 1,39 bilhão no exercício anterior. A tendência de baixa também tem sido constante. Em 2007, por exemplo, exportamos 333 mil toneladas. A arrecadação na época foi de US$ 1,18 bilhão.



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