Plásticos: Compradores de transformados projetam ampliação de negócios – Perspectivas 2018

O setor de transformação depende em grande escala de como anda o desempenho de alguns segmentos econômicos, casos da indústria de embalagens, automobilística, da construção civil e elétrica/eletrônicos. Empresas desses nichos da economia são grandes clientes e quando elas vão bem as encomendas crescem. A julgar pelas previsões das associações ligadas a essas atividades, o ano de 2018 promete proporcionar bons negócios.

Uma boa notícia vem do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). De acordo com Dan Iochspe, presidente, o setor estima para 2018 um faturamento de R$ 82,6 bilhões, crescimento de 7,4% em relação ao obtido em 2017. Isso depois de um ano positivo. Os números do ano passado ainda não estão consolidados, mas estima-se que o faturamento tenha chegado à casa dos R$ 76,9 bilhões, com crescimento de 22% em relação ao exercício anterior.

Outra boa nova se concentra na intenção de investimentos. As empresas de autopeças pretendem investir esse ano R$ 2,52 bilhões, valor 34,8% superior ao do ano passado. Em 2017, os investimentos devem ter chegado a R$ 1,87 bilhão, 19,1% superiores aos de 2016. Vale lembrar: em 2015 o investimento havia sido de R$ 1,9 bilhão (número 20,8% inferior ao do exercício anterior) e o de 2016 foi de R$ 1,57 bilhão (redução de 17,4%). A queda do faturamento em 2015 havia ficado na casa dos 16,9% e em 2016 o resultado negativo chegou aos 5,3%.

No ano passado, as montadoras responderam por 63% do total vendido pelo setor de autopeças. O restante é dividido para o mercado de reposição (perto dos 21%), exportações (11%) e operações intrassetoriais (6%). Na condição de principal cliente, as montadoras também vendem otimismo. Projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram expectativa de crescimento em todas as vertentes. A estimativa é de crescimento de 11,7% no licenciamento (2,5 milhões de unidades), 5% na exportação (800 mil unidades) e 13,2% na produção (3,06 milhões de unidades).

“A conjuntura macroeconômica indica cenário otimista, pois a inflação em baixa, câmbio estável e expectativa de crescimento do PIB possibilitam a retomada da confiança do consumidor e do investidor”, resume Antonio Megale, presidente. O ano de 2017, ainda sem resultados consolidados, foi positivo. Depois de quatro anos de quedas, houve avanço estimado de 7,4% nas vendas.

Os emplacamentos feitos a partir das vendas das concessionárias chegaram aos 2,24 milhões de unidades, interrompendo quatro anos seguidos de quedas. Apesar de ter voltado a crescer, o mercado de veículos ainda está longe de retornar aos volumes que registrava antes da crise econômica. Em 2012, os emplacamentos chegaram a 3,8 milhões de unidades. Destaque para as exportações do ano passado, que bateram o recorde do setor. No total, foram comercializadas 762 mil unidades para outros países. Antes, o melhor ano tinha sido o de 2005, com 724, 2 mil unidades.

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Embalagens – Um dos clientes de maior importância para a indústria do plástico, o setor de embalagens é outro que aposta na reversão dos resultados negativos obtidos nos últimos anos. “Não temos os resultados do segundo semestre consolidados, o que posso dizer é que desde outubro o desempenho de nossas empresas tem sido bom, a curva do desempenho mudou um pouco de sentido”, explica Gisela Schulzinger, presidente da Associação Brasileira de Embalagem.

Para o próximo ano, Gisela espera retomada. “Nada muito forte”, ela ressalta. O otimismo se deve à expectativa de geração de empregos e inflação baixa. “Nós dependemos muito do consumo”. A capacidade das empresas de atender as demandas dos consumidores pode ajudar o desempenho das vendas. Cada vez mais as pessoas dão importância à praticidade, maior conservação dos produtos e cobram melhores informações. Com criatividade, os fornecedores podem agregar maior valor às embalagens fornecidas. O cenário favorece o plástico, matéria-prima bastante versátil.

A divulgação do Estudo Macroeconômico da Embalagem sobre 2017 desenvolvido pela ABRE em parceria com a Fundação Getúlio Vargas está prevista para fevereiro. Por enquanto estão disponíveis os resultados do primeiro semestre, não muito promissores. Com valor bruto de produção previsto para o ano na casa de R$ 70,4 bilhões, o setor apresentou recuo de -0,90% na produção física da embalagem em relação ao semestre anterior. Entre os materiais utilizados, o plástico foi um dos dois que apresentou resultados positivos, com crescimento de 0,69%. O outro que apresentou crescimento foi o papel/papelão (1,20%).

Em termos de produção física, o plástico responde por 35% do total produzido, atrás da categoria papel, papelão, com 40,5% Já em termos de faturamento, os plásticos respondem pela maior participação, com 38,85% do total, seguido pelo setor de embalagens celulósicas com 34,09%, somados os setores de papelão ondulado (17,36%), cartolina e papel cartão (11,57%) e papel (5,16%).

Eletro/eletrônicos – A brisa soprada pelo setor elétrico e eletrônico é positiva. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), caso se confirme a perspectiva de crescimento 2,5% do PIB em 2018, o faturamento e a produção do setor eletroeletrônico devem crescer cerca de 7%. De acordo com a sondagem de conjuntura realizada pela entidade, 76% das empresas esperam elevar suas atividades.

Contribui para esse pensamento positivo o resultado alcançado no ano passado. Os números ainda não estão fechados, mas estima-se que o faturamento do setor tenha alcançado a casa dos R$ 136 bilhões, valor 5% superior ao obtido em 2016. O desempenho reverte a tendência de resultados negativos ocorridos no triênio 2014/16. A utilização da capacidade instalada do setor passou de 71% para 77%, enquanto o número de trabalhadores ocupados cresceu em torno de 4,4 mil vagas, subindo de 232,8 mil no final de 2016 para 237,2 mil. Os investimentos da indústria eletroeletrônica devem crescer 5% no ano de 2017, atingindo R$ 2,5 bilhões.

O bom desempenho se deve muito ao crescimento dos segmentos de bens de consumo, notadamente das áreas de informática e telecomunicações. Destaque para as vendas de smartphones que ficaram próximas da casa dos 50 milhões de unidades, com crescimento de 12% em relação a 2016, e dos notebooks (3,4 milhões de unidades, 21%). Analistas da Abinee acreditam que a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS foi muito importante para essa recuperação. O baixo nível de inflação e a redução das taxas de juros também colaboraram.

Os segmentos da indústria elétrica e eletrônica dependentes de investimentos, por sua vez, mostraram apresentaram vendas estáveis em 2017, quando comparadas com o exercício anterior. Nesse nicho estão os setores de equipamentos industriais e de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Eles dependem de investimentos produtivos e em infraestrutura, que não ocorreram nas dimensões necessárias. No ponto de vista da associação, os investidores aguardam sinalizações mais claras por parte do governo sobre o controle do déficit fiscal, fator considerado imprescindível para o crescimento consistente e sustentável nos próximos anos.

Outra vertente, a do segmento de material elétrico de instalação, apresentou desempenho negativo, seu faturamento caiu 1% em 2017. O principal mercado para estes produtos é o de construção civil, que não deu sinais de recuperação, com poucos lançamentos imobiliários. Os fornecedores de equipamentos para a infraestrutura de telecomunicações também se ressentiram da queda dos investimentos. No período de janeiro a setembro de 2017 deste ano, os investimentos das operadoras de telecomunicações caíram 5% na comparação com igual período de 2016.

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Construção civil – Para os lados da construção civil, outro importante comprador de peças plásticas, as coisas não estão muito bem. “Depois da crise econômica e política que abalou o país no biênio 2015/16, a indústria da construção esperava iniciar sua recuperação em 2017, com um modesto crescimento de 0,5%”, explica José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP). Os resultados não foram os desejados. “Muito distante desta expectativa, o PIB da construção deve fechar 2017 com queda estimada de 6,4%, de acordo com estudo realizado pela FGV”.

O dirigente aponta alguns motivos para explicar a frustração. Para ele, os investimentos em infraestrutura e habitação popular não aconteceram, a maioria dos projetos de concessões ficou no papel. “Governos estaduais e municipais também puxaram o freio de mão na contratação de novas obras”. O mercado imobiliário foi afetado pelos distratos de aquisição de imóveis e por restrições ao crédito por parte dos bancos, levando ao adiamento de lançamentos. “Nos últimos meses, os distratos começaram a diminuir e as vendas e lançamentos, a aumentar. Este crescimento e as últimas contratações do Programa Minha Casa, Minha Vida resultarão em obras no ano que vem”, acredita.

No campo dos investimentos privados, as coisas também não foram bem. “Eles refluíram após o vazamento das gravações da JBS e a incerteza com a continuidade do governo”. De quebra, as dúvidas sobre o sucesso da reforma da Previdência e de outras medidas no reequilíbrio das finanças públicas adiaram decisões de investimentos.

“Com isso, a construção voltou a desempregar pelo terceiro ano consecutivo. Nos 12 meses encerrados em outubro, o saldo negativo entre contratações e demissões era de 192 mil postos de trabalho”, diz. O setor empregava 2,45 milhões de trabalhadores com carteira assinada, número que deve ter ficado no patamar dos 2,3 milhões no final do ano. “Isto significa uma redução de 1,2 milhão de empregados desde o final de 2014, quando a construção empregava 3,5 milhões de trabalhadores”.

A esperança de dias melhores não morreu. De acordo com Ferraz Neto, se o PIB crescer em torno de 2,5% em 2018, a indústria da construção pode começar a se recuperar, crescer 2% no período. Ajudaria se alguns desejos se concretizarem. “Será preciso a evolução positiva no cenário político, motivando os agentes financeiros a facilitarem o acesso ao crédito imobiliário. Espera-se também uma legislação específica para os distratos”. O presidente também aponta a necessidade de novas medidas facilitadoras do ambiente de negócios, como desburocratização e maior agilidade no licenciamento e aprovação de projetos de novos empreendimentos imobiliários por parte da União, Estados e Municípios.

Para Ferraz Neto, o crescimento do PIB da construção será alavancado pelos segmentos de edificações, autoconstrução e reformas. Já as obras da maioria dos segmentos de infraestrutura dificilmente terão ritmo maior sem novas concessões e privatizações. “A superação de todos esses desafios será facilitada pela união dos diversos elos da cadeia produtiva da construção”. Neste sentido, o SindusCon-SP está inovando e se abrindo à associação de todos aqueles que queiram participar do desenvolvimento do setor. O convite vale para construtoras de todos os portes, fornecedores de insumos e professores, pesquisadores e estudantes. “Queremos a integração de todos, favorecendo disseminação de conhecimento, implementação de políticas e realização de novos negócios”.

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