PITTCON 2002: Feira divulga avanços tecnológicos

Voluntários fazem a diferença

Ao visitar a Pittcon, foi impossível não notar o grande número de atenciosos representantes da terceira idade trabalhando na organização e nos vários guichês, como no de informações ou credenciamento. “Entender o porquê implica conhecer a história da Conferência”, explicou o Professor Dr. Arthur Miller, renomado pesquisador, aposentado desde 1981, que vendia aos interessados selos comemorativos no guichê de filatelia. “Somos todos voluntários”, esclareceu ele. Com 86 anos e filatelista fanático, Miller optou nos últimos anos por trabalhar na Pittcon com temas menos ligados à parte técnica. Tem, entretanto, uma grande história de contribuição voluntária à organização do evento, já que dele participa desde a sua criação.

O professor emérito da Universidade de Pittsburg dedicou seus 55 anos de carreira à espectroscopia molecular, especialmente Raman e infravermelha, tendo cerca de cem artigos publicados. Contou Miller, que em 1949, a Society for Analytical Chemists of Pittsburg e a Spectroscopy Society of Pittsburg, compostas por profissionais que atuavam no ramo acadêmico e em indústrias, resolveram unificar seu encontro anual. Entenderam também os associados que a realização de uma feira em paralelo traria maior prestígio e verba ao evento. Assim, 14 empresas na primeira edição, ocorrida de 15 a 17 de fevereiro de 1950, expuseram seus produtos. Os membros das duas sociedades, criaram uma entidade sem fins lucrativos e ocuparam-se voluntariamente da organização. Foram apresentados 56 trabalhos técnicos e 800 pessoas entre visitantes e conferencistas prestigiaram o encontro, ocorrido em Pittsburg, no Willian Penn Hotel. A partir daí o crescimento foi constante, havendo 151 estandes em 1961 e 275 em 1966. Em 1968 o então rebatizado Penn Sheraton Hotel não comportava mais o evento. Os organizadores viram-se obrigados a transferi-lo para um local maior, obrigatoriamente fora de Pittsburg. Foi escolhido o Cleveland Convention Center, em Ohio. Entretanto, pela tradição já adquirida, entendeu-se adequado manter o nome da conferência.

Em 1978, a “rainha da maçã” Deborah Lott visitou a feira, acompanhada de cinco toneladas fruta distribuídas entre os exibidores e conferencistas. Os organizadores gostaram da idéia e a distribuição das maçãs tornou-se tradição. O crecimento contínuo obrigou uma nova mudança em 1980, dessa vez para Atlantic City. A partir de então a feira ganhou caráter itinerante. Desde 1986 o público participante estabilizou-se na faixa de 30.000 pessoas, tendo o recorde ocorrido em 1996, quando 34.079 pessoas participaram conferência realizada em Chicago. O número de estandes, entretanto, continuou crescendo. Em 1992, foi registrada a marca “Pittcon”, forma abreviada já informalmente utilizada por organizadores e visitantes. Na 50ª edição, foi lançado o livro “Vision, Venture and Volunteers”, narrando os 50 anos da Conferência. Ao lado de Miller, no guichê filatélico, a professora Fu-mei C. Lin, também docente da Universidade de Pittsburg, informou que a Pittcon 2003 será em Orlando, onde pretende participar de novo como voluntária.

Conferência em vários formatos

As sessões da conferência da Pittcon somaram quase 3.000 apresentações, sendo 1.300 orais e as demais sob a forma de posters, oficinas e simpósios. Temas bastante específicos também fizeram parte do programa, como o caso do simpósio onde especialistas forenses e de laboratórios de pesquisa acadêmicos discutiram as últimas novidades no uso da química na elucidação de crimes.

As palestras apresentadas incluiram tópicos poucos usuais, como “Análises de manchas de sangue na cena do crime”, ministrada pelo professor da Universidade de Rhode Island Chris W. Brown. Detecção de armas químicas e biológicas foi outro tema tratado. O organizador da sessão foi o professor da Tufts University David R. Walt. “Armas químicas agem rápido e causam pânico, enquanto armas biológicas são muito mais lentas, mas tem potencial para afetar um número maior de pessoas” disse Walt. O desafio é grande, pois segundo Walt, as análises requeridas para detectar essas armas demandam limites de detecção próximos ou abaixo dos oferecidos pelo instrumental analítico atual. “Será necessário inovar ou aperfeiçoar as possibilidades existentes”, afirmou.

Na conferência, pesquisadores de universidades e indústrias, juntamente com representantes do governo trataram de temas sobre discriminação e identificação de agentes biológicos, detecção de armas biológicas com base no DNA e outros.

Durante a Pittcon, foram ainda oferecidos 85 cursos rápidos, com temas relacionados a várias técnicas analíticas, como “Introdução à Eletroforese capilar”, ministrados por Thomas E. Wheat da Waters Co.; “Caracterização de partículas por espalhamento de luz e difração de laser,” oferecido por Ren Xu, da Beckman Couter Inc.; ou “Segurança em Laboratório”, proferido por James A. Kaufman do Laboratory Safety Institute. Houve também cursos sobre temas ligados à indústria, como “Alimentos geneticamente modificados”, “Biossensores e microssistemas bioanalíticos para segurança de alimentos” entre outros.

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