Tintas e Revestimentos

Pigmentos – Recuperação da indústria automobilística afasta a crise dos pigmentos de efeito

Denis Cardoso
15 de dezembro de 2009
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    Química e Derivados, Milton Ribeiro, gerente-técnico para o setor de tintas de impressão daempresa Clariant, Pigmentos de efeito

    Milton Ribeiro: preço do cobre afeta os bronzes das tintas gráficas

    Aumento nos custos – Segundo Pinheiro, da Basf, algumas matérias-primas utilizadas na fabricação de pigmentos de efeito subiram de preço ao longo de 2009. Portanto, esses produtos devem sofrer reajustes em relação aos valores atuais. “Diria que a tendência é de aumento de preço dos pigmentos de efeito no mercado brasileiro”, afirmou o executivo, sem defi nir as matériasprimas que passaram por majoração de preço. Pinheiro também não revela o percentual de reajuste a ser aplicado. “Teremos que repassar aos nossos clientes pelo menos parte da elevação dos custos das matérias-primas, mas são operações comerciais realizadas caso a caso”, afirma, prevendo dificuldade nas negociações com os fabricantes de tintas. Ainda segundo o executivo da Basf, a valorização do real perante o dólar não afetou o mercado nacional de pigmentos de efeito, embora a grande maioria dos produtos negociados no Brasil seja fabricada na Europa e nos Estados Unidos.

    Cordeiro, da Merck, que também não produz os pigmentos localmente, confi rma o aumento nos insumos produtivos, como energia e alguns substratos. “Porém esses acréscimos não foram repassados aos clientes em 2009”, afirmou, sem revelar, entretanto, a política de reajustes para 2010. Para ele, o comportamento do câmbio “será sempre um fato importante nos negócios”. A empresa importa pigmentos das suas unidades de fabricação na Alemanha, Japão, Estados Unidos e, mais recentemente, na China. “O que pode afetar mais fortemente é a possível defasagem no período compreendido entre o processo de formação de nossos estoques e a venda efetiva dos mesmos”, avaliou.

    Na área de tintas para impressão, a Clariant acusou aumento nos preços das purpurinas (bronze powder), que têm como base o cobre. Essa matéria-prima subiu consideravelmente no mercado internacional neste ano. “Por isso, é preciso que sejam feitos alguns repasses, embora ainda não saibamos avaliar o tamanho dos reajustes”, afi rma Milton Ribeiro, gerente-técnico para o setor de tintas de impressão da empresa.

    Segundo Labecca Filho, da Aldoro, a desvalorização do dólar perante o real não tem atrapalhado os negócios da empresa, apesar de a companhia produzir localmente os pigmentos metálicos. “Temos conseguido manter o nível de competitividade e o mercado brasileiro tem reconhecido os nossos esforços, neutralizando a potencial vantagem comercial que produtos importados poderiam apresentar”, afirmou. “Também podemos destacar a garantia de estoques e o serviço de entregas ágil e efi ciente, com atendimento na Grande São Paulo e algumas cidades do interior do estado em até 48 horas”, acrescentou.

    As grandes empresas de pigmento de efeitos, sobretudo as que atendem os fabricantes de tintas automotivas, não se dizem preocupadas com a invasão no mercado brasileiro de produtos de origem asiática. “Nessa área de atuação, a gente não vê impacto relevante de concorrentes asiáticos, pois trabalhamos com produtos que exigem um altíssimo nível de investimento e alta tecnologia, além de comprometimento com as questões relativas à preservação ambiental”, afirma Pinheiro, da Basf. Milton Uehara, da Clariant, tem a mesma opinião. “São produtos especiais, que requerem qualidade e garantias, principalmente no setor automobilístico”, confirmou. No entanto, segundo Cordeiro, da Merck, os pigmentos asiáticos já têm uma considerável fatia de mercado no setor de plásticos e de impressão, e a qualidade desses produtos vem melhorando dia a dia. “Por esse motivo, a Merck, ciente da importância do mercado asiático, adquiriu recentemente um dos maiores produtores de pigmentos perolados da China, a Taizhu, localizada na cidade de Taicang”, disse o executivo.

    Novas tendências – Milton Uehara, da Clariant, enxerga novas tendências de cores no curto prazo para o setor automotivo no Brasil, em substituição principalmente à cor prata convencional. “Há um crescimento das tonalidades de preto nos carros. Não o preto tradicional, mas sim misturado com pigmentos metálicos e perolizados.” Segundo Pinheiro, da Basf, percebe-se, por exemplo, nas cartelas de cores das montadoras, um enorme leque de opções de cores derivadas do prata. “Dentro dessa opção de cor, há cinco, seis e até oito tons diferentes, puxados para o azul, o amarelo e o verde”, afi rma. Ainda de acordo com o executivo, há uma tendência para a volta ao mercado automotivo das cores verdes e azuis perolizadas, que já foram destaque no passado recente, no início dos anos 2000.

    Os dois grandes eventos esportivos previstos para o Brasil, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, também devem alavancar consideravelmente as vendas de pigmentos de efeito no Brasil, produtos que tradicionalmente são largamente utilizados em períodos festivos. “Estamos falando de tendências de cores para daqui até seis anos, mas que já começam a ser pensadas agora”, diz o responsável pelo setor na Basf.



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