Tintas e Revestimentos

Pigmentos – Recuperação da indústria automobilística afasta a crise dos pigmentos de efeito

Denis Cardoso
15 de dezembro de 2009
    -(reset)+

    Antonio Labecca Filho, gerentecomercial da Aldoro, única empresa a produzir pigmentos metálicos no Brasil, diz que “a crise é assunto do passado”. “Neste momento, o nosso foco de discussão é a preparação de boas bases para 2010”, ressalta. Para ele, os efeitos da crise foram bastante minimizados a partir do segundo semestre. “Desde meados deste ano, estamos vivendo um crescimento animador e a expectativa é de igualar ou, pelo menos, nos aproximarmos dos níveis de 2008, porque o último trimestre confirmará seu histórico de melhor período do ano e, portanto, superará o do ano passado, quando surgiu a crise mundial”, prognosticou.

    Ainda de acordo com Labecca Filho, no segmento automobilístico ainda há uma preferência notória pela cor prata e outras cores metálicas, o que tem favorecido os negócios da empresa. “Estima-se que 65% dos carros produzidos no Brasil sejam pintados com cores metálicas, a grande maioria na cor prata”, afirmou o executivo da companhia, com fábrica em Rio Claro-SP. Entre os produtos da Aldoro, destaque para a linha Stanlux Silver, com pastas non-leafi ng (somente alumínio) de alta tecnologia para uso em tintas automotivas, tanto originais como para repintura. “Trata-se de um pigmento de alto valor agregado, muito importante para os nossos negócios”, enfatizou Labecca Filho. Em termos de volume de vendas, o gerente da companhia destaca a linha Stanlux Paste, de pastas tipo leafi ng (alumínios e purpurinas) e non-leafi ng, que traz várias opções de granulometria e efeito metálico.

    A vantagem desse pigmento é a sua grande abrangência de aplicações, sendo destinado para formulações de tintas industriais, protetivas, marítimas, imobiliárias, decorativas e de impressão. “Os pigmentos metálicos do tipo leafi ng se orientam no topo ou na superfície do fi lme de tinta seca e paralelamente ao substrato. Já os tipos non-leafi ng se orientam no interior e por toda a espessura do filme de tinta seca, possibilitando a obtenção de cores metálicas variadas por meio do tingimento com pigmentos orgânicos de alta transparência”, explicou.

    Segundo Labecca Filho, no segmento industrial, além da característica de geradores de efeito, os pigmentos metálicos podem ser aplicados em situações nas quais o chamado “efeito barreira” pode favorecer muito a resistência e a durabilidade do revestimento. “O grande poder de cobertura do alumínio leafi ng também favorece a adequação perfeita em situações adversas por que passam as peças pintadas, como a pintura de botijões de gás e de equipamentos de usinas de álcool”, afirma.

    Ainda de acordo com Labecca Filho, os pigmentos metálicos requerem condições muito específicas na sua produção e no seu uso. “No processo de produção de tintas, recomendamos que seja feita uma pré-dispersão dos pigmentos metálicos em solvente compatível com o sistema da formulação, numa relação de 1:1 a 1:2 entre pigmento e solvente, sempre em baixa velocidade e sem cisalhamento”, explicou. Dessa forma, será preservada a integridade das partículas e o seu poder de geração de efeitos, sem risco de redução ou perda do efeito metálico. Após esta fase de pré-dispersão, pode-se completar a tinta com os outros componentes. Na fase de formulação ou desenvolvimento das tintas metálicas, os técnicos devem estar atentos a detalhes para a seleção dos outros componentes, buscando aqueles que mais favoreçam a orientação das partículas do pigmento metálico e, ao mesmo tempo, atendam a todos os requerimentos de resistência e aderência ao substrato exigidos da película de tinta aplicada e seca.

    Química e Derivados, Adriano Padua Pinheiro, executivo responsável pela unidade de negócios de pigmentos e resinas para a América do Sul da Basf, Pigmentos de efeito

    Adriano Padua Pinheiro: mica sintética acaba com o branco amarelado

    Adriano Padua Pinheiro, executivo responsável pela unidade de negócios de pigmentos e resinas para a América do Sul da Basf, informou que as vendas de pigmentos de efeito da companhia só voltaram à normalidade no último trimestre do ano. “Tivemos um primeiro semestre bastante prejudicado pelas incertezas no segmento automotivo, de pintura e repintura, nosso principal cliente”, afirma. A partir do segundo semestre houve melhora substancial dos negócios. “Mas apenas no último trimestre do ano começamos a perceber uma situação de normalização”, pondera. Ainda assim, diz o executivo, a recuperação da indústria automobilística deu-se somente no mercado interno. “A exportação de veículos para fora da América do Sul ainda não foi totalmente recuperada, pois as montadoras dependem da retomada nos mercados norte-americano, europeu e no Oriente Médio”, enfatiza Pinheiro. “Ou seja, ainda esperamos um novo aumento nas vendas de veículos, que são pintados principalmente no Brasil, para fora do continente”, acrescenta.

    Entre os produtos da Basf, destaque para os produtos da Ciba, que foram incorporados recentemente pela companhia, como o Ximara Fireball, pigmento de natureza orgânica, cujo processo de cristalização permite a produção de estruturas com efeito visual brilhante, resultando em nuances que variam desde o laranja até o vermelho, conforme o ângulo de observação. Pinheiro também aposta no pigmento de efeito Glacier Exterior Frost White, produto que enaltece o branco por ser formulado com mica sintética, sem impurezas de óxido de ferro, que normalmente deixam a tinta branca com tons de amarelo.

    Química e Derivados, Edson Cordeiro, Gerente da área de pigmentos da empresa Merck, Pigmentos de efeito

    Edson Cordeiro: energia e substratos mais claros explicam reajustes

    Diferentemente das outras grandes indústrias do setor químico ouvidas para esta reportagem, a Merck informou que encerrará 2009 com crescimento de 10% a 15% na área de pigmentos de efeito em relação ao ano anterior. “Tivemos um efeito spot logo no início da crise, quando todos estavam ainda atônitos e surpresos. Porém, ao longo do ano registramos um desempenho bastante favorável, em especial graças ao bom desenvolvimento da indústria automotiva e de cosméticos”, explicou o gerente da área de pigmentos da empresa, Edson Cordeiro. Ele também atribui a evolução dos negócios “ao comprometimento com a qualidade e reprodutibilidade lote a lote, o que torna a companhia a referência de mercado”. Segundo Cordeiro, a empresa prevê para 2010 um novo crescimento de dois dígitos. “Vamos manter o desempenho na área automotiva e na de cosméticos, mas pretendemos elevar as vendas de pigmentos de segurança e funcionais, como os antiestáticos, absorvedores de UV, entre outros”, adiantou.

     



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *