Pigmentos: pressões para desenvolver insumos sustentáveis

Pressões regulatórias exigem novos esforços para desenvolver insumos ainda mais sustentáveis

O setor de pigmentos para tintas, insumos essenciais para diversas indústrias, atravessa uma fase de normatização.

“Há um movimento cada vez maior nessa direção, englobando aspectos regulatórios, toxicológicos e ambientais em toda a cadeia de tintas. Além disso, a demanda está diretamente relacionada ao desenvolvimento de produtos que ofereçam menor risco toxicológico ao usuário e ao meio ambiente, com a mesma eficiência e, dentro do possível, com um percentual cada vez maior de matérias-primas de fontes renováveis”, resume Givanildo Ferreira, gerente executivo de vendas & marketing de Pigmentos Inorgânicos (IPG) para América Latina da Lanxess.

A Lanxess está disponibilizando as declarações EPDs (Environmental Product Declarations ou Declarações Ambientais de Produtos). Cada EPD fornece uma avaliação abrangente com relação a todos os impactos ambientais.

Em termos de matérias-primas utilizadas, o foco principal está atualmente na pegada de carbono do produto (PCF, Product Carbon Footprint)

Pigmentos: Pressões regulatórias exigem novos esforços para desenvolver insumos ainda mais sustentáveis ©QD Foto: iStockPhoto
Ferreira oferece produtos com baixo impacto ambiental

“EPDs para matérias-primas criam a transparência necessária para otimizar efetivamente a pegada ambiental da nossa própria cadeia de valor, o que é uma vantagem competitiva”, salienta Ferreira.

“Nossos produtos para os quais uma EPD está atualmente disponível têm um PCF, confirmado por um auditor independente, de cerca de 1,5 kg a 2,5 kg de CO2 equivalente por quilo”. Este valor pode agora ser comparado com alternativas de produto – desde que um EPD ou pelo menos um PCF certificado esteja disponível. Para pigmentos inorgânicos, o valor médio, citado há alguns anos em uma publicação de uma associação europeia da indústria de tintas, é de cerca de 6 kg de CO2 equivalente por quilo.

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Lima: cadeia produtiva sob controle desde a mineração

A Merck classifica a questão meio ambiente como “de extrema importância”. Leonardo Lima, gerente de marketing da divisão de Electronics, revela que, “em quase todas as discussões com clientes, o tema vem à tona, principalmente porque muitos pigmentos têm origem mineral natural. Hoje, controlamos todo o processo produtivo, desde a extração de matérias-primas naturais até a entrega do produto acabado”.

A empresa também divulga, anualmente, com transparência, todas as atividades relacionadas à sustentabilidade e orienta a clientela em como desenvolver mercadorias com o menor impacto ambiental possível.

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Silva: mercado de sementes está em fase de crescimento

A Colormix Especialidades possui, em seu portifólio, itens “altamente sustentáveis, como a linha Ecolysopac, pigmentos híbridos e isentos de metais pesados, que possibilitam a substituição dos cromatos e molibdatos de chumbo e são oferecidos pela Vibrantz”, declara o coordenador técnico, Diogo Lima da Silva. Para a linha de anticorrosivos, ele cita os Nubirox 301 e Nubirox 302, que são isentos de zinco em sua composição, possuem alto poder anticorrosivo e atendem os sistemas base água e base solvente.

Ele também afiança que “os aditivos Ceraflour 1003 e Ceraflour 1004, uma novidade da BYK, são altamente sustentáveis. O 1003 proporciona um efeito fosco em diferentes ângulos e é recomendado para revestimentos de madeira e tintas arquitetônicas. Por sua vez, o 1004 possui partículas finas, que resultam em um leve efeito fosco, alta transparência e uma sensação de superfície lisa. É indicado para revestimentos de madeira e tintas arquitetônicas”.

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Heise tem planos para fazer pigmentos orgânicos no Brasil

O diretor da Forscher, Harry Heise, anuncia que dispõe de “novidades em relação a um pigmento, com uma tecnologia disruptiva”. Como estão em andamento as negociações com o fabricante, ele alega “não poder fornecer mais detalhes”, mas antecipa que “é a tecnologia mais ecológica que existe para essa classe de produto. A relação de emissão de CO2 é de apenas 2% do gerado pelos processos convencionais, além do subproduto ser fantástico”.

A True Color se autodefine como “totalmente comprometida com a sustentabilidade ambiental”. O diretor André Martins comunica que parte da energia necessária para as operações provém de usina própria (solar) e grande parte dos resíduos gerados são reciclados.

“Desde a sua fundação, há 25 anos, a Colornet sempre teve a preocupação de trabalhar somente com pigmentos atóxicos e que não causem impactos ambientais. Somos distribuidores de grandes fabricantes mundiais que têm essa preocupação e contam com certificado ISO 14000”, proclama o consultor Marcos Raicher.

Quando se discute sobre tendência para o mercado de tintas, Lima lembra que “a análise é feita com dois ou mais anos de antecedência”. Assim, “é muito interessante observar que algumas cores e efeitos, que anteriormente estavam no radar, estão se confirmando como forte tendência atual. O cinza e o branco aumentaram sua participação na gama de cores. Do ponto de vista dos efeitos, vemos a busca por pigmentos com maior durabilidade, resistência, alto brilho, poder de cobertura e alta cromaticidade”.

Negócios de pigmentos

Esta área parece viver em uma gangorra econômica. Ferreira, da Lanxess, sustenta a opinião de que o comportamento das vendas é positivo, apesar de haver bastante concorrência e demanda por artigos com custo-benefício muito ajustados.

Lima, da Merck, compartilha do otimismo: “O comércio de pigmentos de efeito permanece bastante aquecido e as expectativas são de crescimento. Tivemos um resultado extremamente positivo em 2022 e esperamos que 2023 seja ainda melhor, com a retomada da expansão industrial”.

Silva, da Colormix, lamenta que os vários ramos de maior consumo apresentaram um desempenho inferior, no ano passado, em relação ao que se vê este ano: “Na segunda metade de 2022, as restrições de crédito e as altas taxas de juros comprometeram os negócios”.

Os primeiros seis meses deste ano apresentaram “importante queda no consumo”, avalia o executivo. Ele espera uma retomada de nível de atividade no segundo semestre, como resultado de maior disponibilidade de crédito, assim como de possíveis reduções na taxa de juros.

A percepção de Raicher é que “houve uma ligeira desaceleração dos negócios, no primeiro semestre do ano passado, causada pela incerteza econômica e pela restrição do crédito. Porém, no caso particular da Colornet, uma empresa do grupo norte-americano Vinmar desde o início de 2022, continuamos numa espiral de grande crescimento com a conquista de novos clientes, novos produtos e investimentos na importação de pigmentos”.

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Martins: laboratórios avaliam desempenho nas aplicações

Para Martins, da True Color, 2022 foi um ano estável para a empresa, mas este ano se sente a desaceleração econômica em função das questões macroeconômicas do país. Ele acredita que o mercado deve apresentar uma redução de 5% a 10% em comparação com o ano anterior.

Trabalhando essencialmente com pigmentos e aditivos de alta performance, a Forscher registrou, em 2022, um crescimento nas vendas da ordem de 2,6%, em volume. Em valor, a expansão foi de 8,1%, relata Heise. “2023 começou muito bem, mas as vendas caíram em média 28% nos meses de fevereiro a maio. Há uma retração de forma geral. A Forscher tem foco em grandes clientes e, sem exceção, todos reviram suas previsões de consumo para baixo, postergaram pedidos e, em muitos casos, deram férias coletivas”.

Ele dimensiona o tamanho da crise: “Há uma retração, acompanhando o que ocorre no resto do mundo. Adicionalmente, temos uma situação política desfavorável ao empreendedor, o que dificulta decisões de investimento a longo prazo. A queda do comércio mundial é uma realidade e isso está erodindo os preços em geral, fazendo com que as empresas tenham um desempenho muito aquém do planejado”.

Martins condiciona a situação do mercado de pigmentos à evolução do PIB brasileiro, principalmente da atividade industrial. A projeção de uma fonte financeira é de um crescimento do PIB nacional de 1,4% este ano. “A True Color trabalha com pigmentos para diversas aplicações, desde as mais conhecidas como tintas imobiliárias, automotivas e de impressão. As mais novas são tintas de segurança, invisíveis (com base em pigmentos invisíveis a olho nu e visíveis na luz ultravioleta, por exemplo), revestimentos de sementes, e outros”, adiciona.

Raicher aposta na estabilidade no mercado geral de pigmentos com aumento de demanda próximo ao do PIB nacional. Ele descreve que tem havido “uma grande mudança em relação ao perfil dos fornecedores principais, com importantes fusões entre grandes grupos e aquisições por parte de novos grupos estrangeiros. É o caso da Colornet, que vê grandes oportunidades neste ramo”. A empresa tem “atuação forte em pigmentos para tintas automotivas, industriais e decorativas, mas também conta com importante participação nos segmentos de tintas de impressão, plásticos e agrícola. É distribuidora e agente dos maiores fabricantes mundiais de pigmentos orgânicos, inorgânicos, de alta performance e de efeito perolizado, todos com qualidade assegurada”.

Heise adverte que “o cenário político não mostra sinais de mudança e, com isso, a aversão ao risco permanecerá”. Contudo, a Forscher “deverá superar os obstáculos que se apresentarem para o restante deste ano”.

A confiança está alicerçada no fato de que a empresa está sempre buscando novos produtos e parceiros de tecnologia, como a Sincol Corporation, maior fabricante mundial de pigmentos orgânicos clássicos; a Dhanveen, maior produtor mundial de ftlalocianinas verdes, com mais de 10 mil t/ano; a Cathay, um dos maiores produtores mundiais de óxidos de ferro, que recém adquiriu esse negócio da Venator (Vibrantz), e aditivos para tintas e vernizes e tintas de impressão. “Adicione-se a isso a entrada em cargas minerais, dispersões pigmentárias funcionais, e negro de fumo e temos todos os ingredientes para um crescimento saudável”, afirmou.

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Tendências

Ferreira considera que largam na frente, no médio e longo prazos, as empresas que oferecem mercadorias com menor risco toxicológico ao usuário e ao meio ambiente, utilizem matérias-primas de fontes renováveis e mantenham a eficiência de uso.? “Neste sentido, a Lanxess está alinhada com essa tendência global e por atuar em centros mais regulados e exigentes, como Europa e Estados Unidos, pode ser um parceiro estratégico para o Brasil”, acrescenta. Dentro do segmento de tintas e revestimentos em que atua, a variedade de aplicações vai de emulsão a tintas decorativas, industriais e em pó, revestimentos para bobinas, tintas para automóveis e para proteção de madeira, entre outras.

No médio e longo prazos, no ponto de vista de Raicher “haverá crescimento na área de tintas e plásticos acima do PIB, pois há demanda reprimida”. Ele acredita que, com a retomada de investimentos em infraestrutura, programas sociais, acesso ao crédito a juros menores, reindustrialização do país e inflação controlada, o cenário será atraente.

Lima ressalta que o mercado busca cada vez mais aliar a estética à funcionalidade. “Os pigmentos do futuro devem ampliar as possibilidades de design no desenvolvimento de itens para ajudar a indústria a desenvolver produtos cada vez mais avançados. Eis algumas características dos pigmentos de efeito que são tendências: textura suave do sparkle com efeito de profundidade, alta transparência em cores escuras promovendo um efeito diferenciado com incidência de luz, baixa variação no tamanho de partícula promovendo um efeito sparkle elegante e na intensidade certa”. Principais campos para a Merck: automotivo e arquitetônico.

O interessante, na visão do gerente de marketing, é que hoje é possível aplicar pigmentos em quase tudo: “Como novidade, vemos a procura por pigmentar materiais de origem natural. Por exemplo, algumas folhas de plantas específicas que são pigmentadas para desenvolvimento de couro sustentável. É possível inovar de infinitas formas”.

O propósito da Colormix Especialidades, segundo Silva, é “encantar de forma capilar, todo o comércio brasileiro consumidor de pigmentos em pó ou dispersões, caracterizado tipicamente por um grande número de clientes que demandam um sistema de distribuição competente e qualificado, como o nosso”. As atividades prevalecentes da companhia estão em tintas automotivas, de repintura automotiva, industriais e imobiliárias decorativas.

Silva vem percebendo, no decorrer de 2023, que a procura por pigmentos e concentrados para recobrimento de sementes tem aumentado com frequência. O setor agrícola os utiliza para diferenciar os tipos de sementes e identificar os tratamentos específicos aplicados a elas.

Heise diz que sempre existem lançamentos de novos pigmentos, em geral, híbridos, que podem provocar alterações no mercado: “Estamos lançando um novo pigmento laranja, do fabricante Cinic, na tonalidade do PO 36 e com excelentes propriedades de resistência. O preço é imbatível”.

Lima comenta que “a Merck é pioneira na fabricação e desenvolvimento de pigmentos especiais e de efeito e que todos os anos tem lançamentos de produtos e estudos de tendência. As linhas de pigmentos especiais Iriodin, Xirallic, Colorstream, Pyrisma, Miraval e Meoxal são amplamente conhecidas e evoluíram bastante com o tempo. O lançamento deste ano é o Colorstream Mineral Red, vermelho perolizado com altíssima cromaticidade e nuance azulada. Perfeito para formular azuis, violetas, roxos mais quentes. Assim como os tradicionais vermelhos”.

Entre as originalidades da Colormix, Silva menciona a linha Cool pigments (pigmentos frios), da Vibrantz. “Possuem a propriedade de refletir os raios UV e, dessa maneira, promovem maior conforto térmico. São indicados para diminuição de temperatura e podem ser utilizados para telhados, tintas decorativas (fachadas e coberturas), campos esportivos e tintas automotivas. A empresa também oferece os termocrômicos e fotocrômicos da Briscent.

Os termocrômicos possuem a propriedade de sofrer alteração de cor, conforme uma faixa determinada de temperatura. São indicados para diversas aplicações, tais como tintas, artes gráficas e plásticos. Os fotocrômicos possuem a característica de sofrer alteração de cor em conformidade com a mudança da luz. Podem ser indicados para cosméticos, tintas, artes gráficas e plásticos.

Na True Color, Martins alude como novidades as linhas Zenexo (reproduzem a cor dos metais preciosos e possuem alta durabilidade), Invisible True (invisíveis na luz ambiente) e Multicolor (mudam de cor de acordo com o ângulo de observação) e os orgânicos de alto desempenho.

Raicher destaca que a Colornet está reforçando o seu portfólio de pigmentos de alta performance para indústria automotiva, indústria geral e plásticos com o Red 254, 170, 122, 144, 214 e 266 e Amarelos 93, 95 e 74. E está promovendo uma nova linha de óxidos de ferro opacos e transparentes “com excelente custo/benefício”.

Investimentos em pigmentos

Ferreira sublinha que “a Lanxess investe continuamente em processos de produção ecologicamente corretos, o que também inclui a transição para processos energeticamente eficientes. Olhando para o futuro, a unidade de negócios de Pigmentos Inorgânicos traçou um mapa de ações estruturado para reduzir continuamente a pegada de carbono. O objetivo é reduzir as emissões de carbono em nosso principal local de produção, na Alemanha, em cerca de 50% até 2030, graças a novas tecnologias e à mudança para fontes alternativas de energia, como energia verde e hidrogênio”.

Lima alega que a Merck “sempre investe bastante em pesquisa e desenvolvimento de pigmentos especiais. Lançamos recentemente um material de tendências em cores e efeitos, o Reset Future, que apresenta um estudo completo de aplicações dos pigmentos para diversos mercados, com destaque para o ramo de tintas. Temos muitas outras para lançar, ainda neste ano”.

Silva informa que a Colormix Especialidades “atua constantemente na melhoria de seus processos, investindo no corpo técnico e na adequação de infraestrutura de equipamentos. Para os próximos anos, planeja-se a aquisição de novos equipamentos para a melhorar o atendimento às necessidades dos clientes e desenvolvimento de produtos”.

Martins divulga que a True Color está fazendo este ano grandes investimentos no laboratório de aplicação, onde é possível testar os pigmentos em diversos sistemas (tintas de impressão, automotivas, à base de água etc.), assim como desenvolver formulações. Também está modernizando a área de trabalho e integrando ainda mais os colaboradores.

“A Forscher tem planos para dispersões pigmentárias funcionais e, eventualmente, produção de uma linha de pigmentos orgânicos no Brasil. Está em estudos de viabilidade técnica, pois envolve uma tecnologia também disruptiva e processos completamente limpos”, difunde Heise.

“A Colornet tem planos ambiciosos de expansão e está investindo forte em estoques, um novo laboratório de aplicação com equipamentos de primeira linha e aumento do time técnico-comercial para ampliar a cobertura comercial e a atenção ao cliente”, arremata Raicher. A companhia abriu uma filial e estoque no porto de Itajaí-SC para atender o mercado regional do Sul.

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